quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ainda o Acordo Ortográfico

Nunca me senti pertença de nada nem de ninguém. Nunca fui de ir com o restante rebanho, muito menos uma Maria que vai com as outras.

Não pertenço a nenhum partido político nem nunca ninguém me viu em nenhuma manifestação.

Nunca participei em nenhuma procissão, nem sou adepto de nenhum clube de futebol.

Nunca fui, apesar de tudo isso, mais assertivo do pouco que sou.

Tentei sempre ser coerente comigo próprio e com os valores com que fui educado - a melhor herança que os meus pais me poderão deixar do que um punhado de terra ou meia dúzia de jóias de família.

No entanto, sempre invejei quem apoiava uma causa política, quem de dedicava à ajuda humanitária de facto, quem vibrava quando o seu clube saía vencedor.

Ao primeiro minuto do dia hoje, senti-me pela primeira vez em sintonia. Em sintonia com quem se preocupa com a sua maior herança cultural - a língua materna.

Porque aqui, ao leme, sou de facto mais do que o homem do leme. Sou um povo que quer uma língua que é nossa.

Poderia tentar explicar a perda que tal implicaria. Poderia explicar que açúcar já foi assucar sem ter havido algum acordo. Poderia explicar que o que importa resolver são os níveis de analfabetismo e de iliteracia, que ainda grassam o nosso país.

Por tudo isso, só poderia ter escolhido um Fado. Porque é nosso. Um soneto de Camões. Porque é nosso. Na voz de Amália. Que é de todos nós.

Amália Rodrigues - Com que voz

4 comentários:

David disse...

Fazer parte de algo é sempre muito positivo. Lutar pelo que achamos correcto e defender os nossos pontos de vista.

Luís Gomes da Silva disse...

nao concordo.
escrevi um testamento, mas ao tentar colá-lo apagou-se.
sem paciência, deixo apenas um "não concordo".

Luís Gomes da Silva disse...

nao concordo.
escrevi um testamento, mas ao tentar colá-lo apagou-se.
sem paciência, deixo apenas um "não concordo".

Pedro disse...

Caro Luís:

Ainda bem que não concorda. É essa a pluralidade em que acredito.