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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Mammy

Das frases que mais oiço dos meus amigos é: "Pareces a minha mãe a falar". Não sei se é propriamente um elogio. Da parte deles sei que não é. Até porque se aplica em situações em que lhes tento pôr algum juízo naquelas cabeças ou demonstro uma preocupação excessiva relativamente a si ou aos seus problemas. Que tanto pode ser: "É melhor levares um casaquinho, que logo é capaz de fazer frio" ou "Não pegues em pesos nem te mexas muito, senão vais ficar com uma cicatriz horrorosa". Ou então coisas mais práticas, como "Experimenta pôr um bocadinho de fécula de batata na sopa, vais ver que vai ficar muito mais aveludada" ou "Ele só vai compreender se lhe disseres isso com todas as letras".
Mas um amigo meu foi mais longe e cheira-me que anda a ver muitos filmes. Dos antigos. Porque acha que eu, noutra reencarnação, fui uma ama seca de trinta crianças, gorda e negra, com avental à cintura (não percebi a insinuação do avental). Uma bábá (não são aqueles bolos maravilhosos embebidos e com chantilly). Mais precisamente, a Mammy.



E isso, de facto, explicaria o meu ar de Grumpy Cat quando estou com os azeites, a minha gargalhada contagiante e o meu gosto por roupa interior encarnada. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Confirma-se

Entrar em casa de pessoas que têm animais torna-me a pessoa mais anti-social que possam imaginar. Com os humanos, claro está. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Não há fome que não dê em fartura

Já há muito tempo que não me lembrava de pedir que o fim-de-semana acabasse depressa, para ver se durmo e deixo de comer e beber.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Como os meus amigos conseguem ter uma mente mais imaginativa que a minha

Sábado à noite, Bairro Alto. Abeiro-me ao balcão e peço três gin tónicos. A parte do gelo e limão até correu bem. Mas depois, a criatura mal consegue acertar com o gin nos copos. As mãos tremiam-lhe que nem varas verdes. A água tónica é derramada pelo balcão, sob o meu olhar perplexo. O troco estava certo.
Viro-me para os meus amigos e pergunto-lhes se presenciaram a cena. - Pudera, é o efeito que provocas nas pessoas!
Eu cá continuo a pensar que a criatura tinha era muita droga naquela cabeça.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ficamos a saber que os nossos amigos

são mesmo nossos amigos porque nunca nos mandam calar, por mais disparates e piadas secas que digamos. E olhem que há dias que nem eu próprio me aturo.



sexta-feira, 27 de julho de 2012

Aceitam-se outras explicações

Muito embora tenha a perfeita consciência que pela boca morre o peixe, se há coisa que nunca entendi - ainda que Deus me tenha posto uns quantos amigos debaixo de olho  para ver se me abria a pestana e se fizesse luz no deserto que é a minha cabecinha (e Ele sabe o quanto me esforço para perceber) - são as relações intermitentes. Tipo pisca-pisca. Ou semáforos (cá beijinho, Gertrude). Ou seja, ora namora, ora agora já não namoram, ora namoram outra vez, ora agora já não gosto del@ mas deixa cá vigiar-lhe todos os passos, não vá andar metid@ com alguma puta ou algum cabrão, ora estão juntos, ora não estão. E é isto. Anos, se for preciso. Porque ou bem que gostam (e querem) e esforçam-se, ou bem que não gostam (e não querem) e seguem a vida para a frente, que atrás vem gente (estão em todo o lado e Deus no meio de nós). Ainda consigo perceber que, anos após uma separação, possa existir uma reconciliação - a pessoa cresceu, amadureceu (esperamos), teve tempo para enterrar sentimentos negativos, teve outras experiências. Agora voltar para ex-, parece-me coisa - generalizemos pois - de gente que não sabe aquilo que quer ou de quem procure melhor e não encontre. 


sexta-feira, 1 de junho de 2012

I'm going to tell you a secret V

Eu, que detestava casamentos, ao ver as fotos de uma grande amiga vestida de noiva, ainda mais bonita que nos outros dias, como se fosse possível, no dia do seu casamento, ao qual, infelizmente, não pude assistir, ou as de um casal amigo, via facebook, que acabou de casar hoje em Antuérpia e ao qual também não pude, infelizmente, assistir, não posso deixar de confessar que os meus olhos ficaram meios húmidos perante uma e outra fotografia e das duas, uma: ou realmente a pessoa evolui ou este tempo não se compadece da rinite alérgica.


quinta-feira, 31 de maio de 2012

Velhos, mas não dementes

A pessoa vai jantar com os amigos a meio da semana, para cortar com a rotina da vidinha casa-trabalho-trabalho-casa, mas são dez e meia e já cabeceia à mesa, não tem posição na cadeira, o barulho no restaurante torna-se ensurdecedor, anseia por se esticar no sofá ou na cama e quase, quase que troca uma hora de sexo por uma hora de sono bem dormida.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ainda me dói a tua ausência

Morreste-me. Morreste-me no dia em que deixámos de falar a mesma linguagem, quando os nossos olhares deixaram de ter significado de um para o outro. Morreste-me quando deixei de te compreender como até então, como se até então fizesses parte de mim, do meu corpo, como as minhas mãos que te afagavam ou os braços que envolviam quando querias colo. Morreste-me quando nos transformámos em estrangeiros um para o outro.
Morreste-me. Morreste-me quando te foste tornando irreconhecível, quando me tornei irreconhecível para ti.  Morreste-me quando a amizade que tínhamos um pelo outro se transformou em outra coisa qualquer que já não era amizade. Apenas uma herança longínqua de tempos felizes que se extinguiram. Morreram as gargalhadas em uníssono. E eu não sei o que fazer com os nossos cadáveres.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

É assim que surgem os boatos (ou como voltei ao Liceu e não sei)

Depois do jantar recebemos 3 telefonemas, a perguntar se estava tudo bem. Sim, estava. Só a terceira pessoa se descoseu. Que a primeira pessoa que nos ligara tinha reparado que não éramos amigos em comum no Facebook* (o que é natural, pois as definições de privacidade de ambos - por causa de colegas de trabalho e família e também de um sem número de voyeurs -  não permitem ver os amigos em comum sequer) e portanto tinha achado que tínhamos rompido (nem fazem a coisa por menos). Confesso que fiquei na dúvida se a preocupação era real ou se havia ali uma pontinha sequer de comportamento animal, qual abutres que vêm cheirar sangue.
É claro que a mim me coube o papel de quem teria feito merda - sem pensar muito no assunto ainda bem, que os papeis de vilão são sempre mais sumarentos. No entanto, hoje estou com uma vontade imensa de encher o meu mural com músicas e barra ou poemas sobre separações e rompimentos. Nada como iludir gente tonta preocupada. 

* não, não vou sequer discursar acerca de quem confunde realidade com Facebook ou blogosfera.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Quando a realidade supera a ficção

A reencontra B passados 15 anos. B convida A para a sua festa de anos. A não quer ir por não conhecer ninguém para além de B, mas acaba por aceitar. A conhece C, que é amigo de B. A e C apaixonam-se. A e C iniciam um relacionamento amoroso. A e B continuam a encontrar-se. A convida B para a sua festa de anos. B aceita, porque conhece A e C. B conhece D, que é amigo de A. B e D apaixonam-se. B e D iniciam um relacionamento amoroso. 

As probabilidades de isto acontecer num guião de filme classe B (B-, na realidade) são de 95% (mais coisa, menos coisa, que não há dados científicos rigorosos).

quinta-feira, 29 de março de 2012

E mais, se houvesse

Nunca percebi aquela coisa dos melhores amigos. Soou-me sempre a coisa liceal. Ou são amigos ou não são. Conhecidos, pessoas com quem somos obrigados a conviver (sorriso amarelo nº 33). Os amigos têm de ser necessariamente bons. Se não, não são amigos. Por isso, graduar a amizade em boa, é coisa que não compreendo. Faz dos outros, os que não são os melhores o quê? Menos bons? Piores? Assim-assim?
É certo que não temos a mesma intimidade com todos eles - se há quem com quem nos sentimos bem a partilhar tudo (bom, quase tudo), ou a incomodar com aqueles pedidos chatos (vá lá, votem em mim para o BILF 2012), ou com telefonemas com dúvidas existenciais às três da manhã... há outros com quem ainda mantemos a mesma deferência inicial de quando o conhecemos. Mas o sentimento, esse, é o mesmo. Sobretudo sendo eu alguém que gosta ou não gosta. 
No entanto, este parlapier todo para dizer que estava enganado. Nos dias que correm, estes dois são os meus melhores amigos:



domingo, 25 de março de 2012

Muito provavelmente, o melhor blog do ano


Nós, os amigos, nunca podíamos contar com o Danies aos fins-de-semana. Isto é, nem almoços, nem jantares. Os almoços eram sempre passados em casa dos avós, Delfim e Helena e os jantares em casa da avó Eduarda. Das avós, somente a avó Helena cozinhava e era um desfilar de iguarias que nos deixavam sempre de água na boca, com vontade de conhecer a avó Helena e os seus cozinhados. Primeiro foi o Avô Delfim que nos deixou e os almoços de sábado deixaram de existir. Pelo menos, como dantes. Depois, a Avó Helena. Mas como os seres humanos vivem para lá da sua morte, enquanto houver quem se lembre deles, o Danies e as irmãs decidiram homenagear a avó e algumas das melhores recordações que dela têm - os seus cozinhados. E assim nasce As Receitas da Avó Helena.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Do meu dia

Chega a noite e estou contente. Por ser dia Mundial da Poesia, o Fb esteve inundado dela. É bom ver que, apesar das vendas de livros de poesia serem bastante baixas, isso não traduz tal e qual os gostos das pessoas. 
Depois, saber que um grande amigo, desempregado há alguns meses, conseguiu emprego. E no meio da crise e da depressão - a económica e a nossa - abrem-se portas e janelas, rasgam-se caminhos à força da vontade e sonhos e trabalho. Não que o panorama seja fácil. Mas não podemos cair no erro de olhar e ver a crise como um terreno infértil. Há vida para além da crise. E poesia também.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Estão a ver

aqueles blogs onde tiram fotografias de pessoas (com mais ou menos pinta) na rua? Uma amiga minha acabou de ser fotografada para um deles (e mete os restantes fotografados a um canto, claro está).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dos amigos

Os amigos não servem apenas para nos darem a mão quando precisamos de ajuda. Para nos darem um ombro quando precisamos de chorar. Ou de colo. Os amigos servem para nos alegrar. Com os seus disparates, as suas piadas - que só nós percebemos. Para nos fazerem felizes. Quando casam. Quando são pais. Quando lançam um livro. Quando abrem o seu próprio negócio. Quando publicam artigos em jornais. Quando o seu trabalho é referido na imprensa. Quando ganham um prémio. E eu não sei se sou eu que tenho amigos especiais, se é o facto de me alegrar com cada uma das suas conquistas, como se minhas próprias fossem, que me tornam mais feliz.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Freud explicaria

No outro dia sonhei que um casal amigo finalmente casava. Já namoram há bastante tempo, uma relação sólida, imune à distância física - por razões profissionais, está cada um para seu lado. Acredito que esteja nos seus planos e que, mais cedo ou mais tarde acabe por acontecer. E embora seja natural ficarmos felizes com a felicidade dos nossos amigos, não faço a mínima ideia do que me terá feito sonhar com o seu casamento.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O síndrome caixa de areia


Se há coisa para a qual não tenho grande paciência, é ter de levar com alguém de quem não gosto. Não me refiro às pessoas que, de certa forma, já nos trataram mal, mas sim àquelas que têm um comportamento, apesar de não interferirem directamente connosco, esse comportamento nos causa alguma espécie. De maneiras que é frequente afastar-me do contacto dessas pessoas, arrastando com elas algumas pessoas de quem gosto e que até são minhas amigas, de forma directamente proporcional ao tempo que estas passam com aquelas. Não que amizade se altere, apenas há menos tempo para estar com as pessoas – longe de mim ultimar um ou eu ou el@.
Obviamente que isto desperta em mim aquele sentimento que faço sempre paralelismo com a Miranda do Sexo e a Cidade, num dos episódios da primeira série, quando acha que ninguém quer participar numa ménage à trois com ela – o síndrome-caixa-de-areia-em-que-estou-sozinho-a-brincar-e-ninguém-quer-brincar-comigo (ainda que por capricho meu, claro está). E fico sempre na dúvida se eu é que sou o caprichoso, mau-feitio ou então se de certa forma sou o único iluminado, o único que vê o que mais ninguém vê, porque está toda a gente divertida, como se fossem os melhores amigos do mundo.
Nem uma coisa, nem outra. Vai-se a ver e por portas travessas descobre-se (a verdade vem sempre ao de cima, mais cedo ou mais tarde) que, afinal, não sou o único a achar o mesmo dessas pessoas. A única diferença é que não sou capaz de fingir que gosto, nem tão pouco indiferença. Mas depois de saber que, afinal, os que se mostram tão amiguinhos (uns dos outros), afinal não o são, começo mesmo é a sentir pena dessas pessoas, porque afinal de contas vivem numa mentira.