Atribuo-o ao facto de ser bom ouvinte. Bom ouvinte simplesmente porque mau ou pouco falador. Sendo essa ou não a razão, o que é certo é que tenho tendência para me tornar confidente de várias pessoas, mais ou menos próximas. Coisa que não me desagrada, faz-me sentir de certa forma útil. Porque o bem também se pode fazer de palavras. Mesmo que saibamos que amanhã vamos ouvir os mesmos problemas, as mesmas frustrações. Mesmo que as nossas sugestões nunca sejam tidas em conta. Porque mudar é difícil, dizem-me.
E o amor, ai, o amor, esse bandido, que é o tema mais recorrente. E por isso tão banal. Para quê complicar? Porque o amor não passa de duas cuecas estendidinhas no varal. E a isto, meus amigos, não podemos fugir.


