viajar só não é assim tão mau. Pelo contrário. É claro que as saudades se tornam maiores e aparecermos em fotografias é mentira. Mas podemos organizar as nossas visitas quando queremos, perdemo-nos em ruas estreitas de mapa na mão, passar a noite em claro a ouvir a água jorrar das fontes do jardim. E depois há mais histórias para contar. Da rapariga que lia a Maria (publicação idónea apenas pela longevidade) no aeroporto de Lisboa ao nosso lado e depois viemos a conhecer*; dos casais inenarráveis que se sentaram ao meu lado em todos os voos; do avião que teve uma avaria hidráulica antes de levantar voo (não quero sequer saber o que é): da fulana simpatiquíssima no balcão de informações do aeroporto de Madrid igual à Carmen Maura, mas em nova; do casal asturiano que estava hospedado no mesmo sítio que eu e achava que eu era francês, mas que depois me disse entender-me melhor que aos próprios andaluzes; da espanhola que me vinha oferecer o El País ao pequeno-almoço e que sempre passava por mim na cidade se desfazia em sorrisos; do único visitante, para além de mim, na Abadia do Sacromonte; do casal espanhol que achou-me com ar de granadíno e me veio pedir informações; da visita guiada só para mim na Casa-Museu Manuel de Falla.
Em resumo: acho que nunca conheci uma cidade tão bem como desta vez. Claro que à conta disso, bolhas nos pés ao segundo dia - a partir daí táxi sempre que podia. Voltar? Claro. Apesar de tomar diariamente o pequeno-almoço virado para o Alhambra, só o visitei à noite, ainda o quero conhecer de dia. Porque Granada não é só o Alhambra (fiquei pasmo com a Igreja do Mosteiros dos Jerónimos). De resto, pouco me falta para conhecer. No goto, ficou mesmo a Cartuxa, que só visitei por fora.
* Pior. Vim a descobrir que era minha colega de profissão...

