De há uns dias para cá tenho vindo a constatar que Deus tem um sentido de humor bastante peculiar. Irónico até, diria eu, (chamar-lhe negro seria blafesmar e muito pouco católico).
Dar-vos-ei apenas um exemplo ilustrativo e que acabou de me acontecer. Para quem não sabe, digamos que trabalho, por assim dizer, fazendo trabalhos externos, passando determinados períodos em diversas instituições, não tendo por isso colegas de trabalho propriamente ditos. O que pode ter grandes vantagens ou grandes desvantagens – sendo que tanto umas como outras são óbvias, por isso nem as vou explicar.
Porém, os últimos tempos não têm sido fáceis; ao fim de largas semanas de passar dias inteiro sem dirigir palavra a ninguém (excepção feita, obviamente, aos senhores que trabalham na portaria ou na cafetaria), partilhei esta falta de conversa (vá, solidãozinha) com um ou dois amigos mais próximos e como a mesma me estava a custar – não mata, mas mói.
Vai daí, hoje chego aqui quem é que dou de caras? Com uma colega minha de faculdade. Que colega? Aquela colega que, feia como uma noite de breu, de voz irritante, que nunca ia aos jantares de turma, porque calhavam sempre em dia de festas da terra (justificação dela) e que assim que algum livro era recomendado pelos professores corria para a biblioteca para ser a primeira a lê-lo (e a ficar com ele durante imenso tempo, para mais ninguém o ler – pensava ela).
De maneiras que vou mas é estar caladinho e render-me às evidências, que grande parte das vezes, e já diz o poveco (que acerta na maior parte das vezes, apesar de ser como as ovelhas e ter memória curta, como dizia a bisavó A.), mais vale só que mal acompanhado. Ou então, pela boca morre o peixe.
* o título do post faz referência ao livro de António Alçada Baptista, que tenho em casa, salvo erro autografado e tudo, mas que nunca li.

