
O Sexo e a Cidade revelou-se um epílogo que deixou algo a desejar. Algo lamechas, muito do mesmo e um pouco à parte do que a série nos habituou.
No entanto, 3 surpresas agradáveis – os desenlaces de Charlotte, Miranda e Samantha.
Charlotte, porque é aquela que, no final de contas, todos queremos ser. Pode não ser por aquilo que tem, mas por aquilo que sente. Não se sente todo o dia feliz, mas todos os dias se sente feliz. Mesmo depois de um casamento de sonho de toda uma vida fracassado e de um novo casamento que em nada faria supor a sua longevidade. O marido de Charlotte não é, de todo, aquilo que sempre sonhou para si, mas a relação perdura.
Nunca supus que Miranda perdoasse a Steve após a traição. Porque das três, talvez Miranda fosse a que mais acreditasse no Amor. Só assim se justifica que pensasse que só por amar uma pessoa, seria o bastante para que essa relação durasse. Talvez seja esse o erro praticado na maior parte das relações, acreditando que o sentimento, por si só, seja o suficiente.
Também nunca imaginei que Samantha fosse fiel até ao fim ao namorado (pelo menos em acções!). Mesmo anulando-se continuamente, em prol da relação, este também um dos erros mais recorrentes das relações. E porque nem todas as pessoas são iguais, nem todos temos de o padrão “Casal” (hesitei em usar a palavra monogâmico, que não me parece ser o mais correcto neste contexto), não me entristece minimamente que Samantha fique só.
Carrie sempre foi a tonta de serviço. E novamente voltou a sê-lo. Porquê insistir numa relação de 10 anos, que teve mais altos que baixos e que lhe trouxe tanto sofrimento? Até porque sempre que acabava com Mr. Pig, perdão, Big, fazia realmente algo de útil da vida – assim se explica a remodelação que fez no apartamento, que finalmente, ficou com ar de casa.
E se as três primeiras relações reflectem o quão importante é o sexo na relação amorosa – Charlotte por o ter; Miranda por o desvalorizar e Samantha por o não ter como tinha – Carrie deixa-nos outra mensagem. A da amizade. Porque sem aquelas 3 amigas, o que seria dela?
Por isso, o único toque de Amor de todo o filme cabe à personagem da assistente de Carrie que, apesar de absolutamente deliciosa, é, no meu entender, acessória e desnecessária em toda a trama.
É Amor que falta ao filme. E a nós também.
Por isso, fiquemos com
Amy Winehouse – Love is a loosing game