terça-feira, 30 de setembro de 2008

Coisas que me fazem espécie

Como já devem ter percebido, sou um rapaz com muitas dúvidas, algumas existenciais, outras nem tanto.
Ando completamente vidrado com os CSI, acabando por me deitar sempre tardíssimo (cabo, cá em casa, só a corda da roupa).
Mas há coisas que me fazem confusão. E não é tanto os delinquentes deixarem sempre pistas para trás, ou se arranjar sempre uma forma de se descobrir o que aconteceu, de preferência com uma máquina muito à frente. Mas, reparem:
1.º Porque é que os assassinos só usam um par de sapatos, porque sempre que prestam declarações, calçam exactamente os sapatos usados na cena do crime?
2.º Porque é que os assassinos fazem sempre sexo sem preservativo, já que os lençóis estão sempre cheios de sémen?
3.º Porque é que a Calleigh (CSI Miami) tem sempre a mesma cara? Será trombose?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

I'm going to tell you a secret II

O que ia mesmo bem agora era uma caixa de pastéis de Vouzela. Inteira, de preferência, que isto hoje não ia lá com menos.

sábado, 27 de setembro de 2008

La Bayadère V

Após a variação de Gamzatti, Nikiya dança para os noivos. Cruel humilhação final. Por mais triste que tenha sido a nossa figura em situações semelhantes, não creio que tenha sido tão cruel. Mas, em simultâneo, irrepreensível. E final, porque lhe é entregue, a mando da rival, um cesto com flores, onde se se esconde uma serpente mortífera. Perante a oferta do antídoto e a não acção de Solor, Nikiya prefere a morte.




A orquestração do final da variação propriamente dita é diferente daquela que possuo em Cd, apesar de ser realizada por John Lancheberry. A direcção de orquestra é que difere - em Cd esteve a cargo de Richard Bonynge. Prefiro a do Dvd, por ser mais emotiva.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Altares privados

Registo do Altares Privados

Foi através do David que conheci o seu blog. O David tem a capacidade suprema (muitas horas na internet é o que dá) de encontrar seja o que for. Sempre que lhe tento apresentar um blog, um artista (como uma que fazia esculturas com pregos - ou eram lápis?!), lá me dizia que conhecia.

Sabendo a minha predilecção por Registos (vou ficar sem dentes à conta da Diabba, cá para mim deve ter amigos dentistas...), mostrou-me o blog do Altares (que tem nome, mas isso agora não interessa nada). É ele próprio que o faz, com uma paciência infinita (sei, porque já os tentei fazer). Mas desenganem-se os que procuram passamanarias (palavra que me engasgo constantemente sempre que a tento dizer, mas sempre fui uma boca de trapos), galões e dourados. Apesar de alguns serem feitos a partir de estampas antigas, a abordagem é absolutamente inovadora, resultando em trabalhos muito bonitos.

Já há muitos anos, tantos que não sei precisar ao certo desde quando, que faço colecção de pagelas. A Avó deu-me as que tinha dentro de uma gaveta, foram-se procurar mais nos missais e bíblias lá de casa e a colecção foi crescendo. Muitas são-me oferecidas - compradas em alfarrabistas, outras sempre que alguém faz turismo religioso (sejamos modernos e utilizemos o termo).

E todas têm uma história. Desde a senha para a catequese, a oferta por um dia de anos ou pela primeira comunhão, pela ordenação de sacerdotes. Também as que eram compradas em romarias - pequenos registos em papel e cartão, geralmente enfeitados com vidrilhos.

Entre tantas, era natural que houvessem repetidas. Há uns tempos, já as tinha oferecido, mas sabia que teria mais. E tenho. E prometi ao Altares enviá-las, para terem um melhor fim do que serem as repetidas. Infelizmente, com a mudança, acabei por as perder de vista. Reencontrei-as este fim-de-semana (depois de ter andado um mês ao mais com uma perna de uma cadeira atada), quando andava à procura das decorações de Halloween (essa festa tipicamente portuguesa! - e sim, já há Halloween espalhado pela casa, se o Harrod's já tem Natal, porque não haveria eu de ter Halloween?)

As pagelas seguirão amanhã e ficarão em óptimas mãos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ilustres visitantes

Há um pouco de tudo, na hora de vir a este mísero estaminé. Muitos são os que aqui chegam porque estão linkados, um ou outro amigo que sabe da existência do blog (não é coisa que faça alarde.)

Mas há aqueles que pertencem a várias instituições, públicas ou privadas. Ministérios. Universidades. Conhecidas sociedades de advogados. Trabalha-se muito por este país fora. É para descansar a vista, não é? Como eu os percebo!

Da Califórnia, um leitor assíduo de há uns dias para cá - dois em dois dias, por volta da hora de almoço (madrugador o senhor. Ou senhora.) Dúvida pertinente - vem cá para ouvir música, ver os bonecos, ou será que pesca português?

Adenda: Última hora - também de Câmaras Municipais. Obviamente que sabemos de quais, mas não revelamos! ;)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Responso a Santo António

Santo António, Livro de Horas atribuído a Francisco de Holanda,
Museu Nacional de Arte Antiga



Santo António esclarecido,
rosa e luz Divinal,
dos Santos escolhido,
de Lisboa natural.



Peço-vos pelas alpergatas que calçaste.
pelo tempo que no Púlpito estiveste,
não dormiste nem descansaste,
enquanto da força não livraste vosso pai,
peço-te que me digais nas vozes do mundo.


E dito isto, sai-se para a rua, ouvindo as conversas que poderão dar a resposta onde estará o objecto perdido.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Arquivos do Norte

Tentei ler Yourcenar aos 18. Não consegui. Nova tentativa aos 22 - sem resultados. Só com 26 anos é que consegui deliciar-me com as Memórias de Adriano. Isto enquanto chamava à senhora de tudo e mais alguma coisa "- Filha da puxa, que escreve mesmo bem!". Difícil, claro está, mas sem ser tão retorcida com a Agustina.

Comecei a ler os Arquivos do Norte, já há muito recomendado mas que, como tantos, têm ficado na lista de espera à espera que a preguiça tivesse melhores dias.

Dois ensinamentos da leitura de hoje. Um mais mundano, que aplico repetidas vezes: "para ficar ao nível de uma festa à qual, no fundo, não se tem muita vontade de ir, nada como beber em goles pequenos uma garrafa inteira de um champanhe de boa marca, sem o que as pessoas e as coisas não deixam de ser o que são." Como não sou grande apreciador de champanhe (é aquela bebida que agrada a todos - não é forte, é fresca, tem bolinhas, serve para comemorar e geralmente está associada a classe e distinção - mas tenho para mim que os verdadeiros apreciadores de vinho e demais bebidas alcoólicas pouca graça devem achar à mistela), substituo-o por whisky. Três doses no máximo, com muito gelo, preferencialmente Dimple, que é o que há cá em casa (pouco, diga-se de passagem); fora de casa contento-me com o que houver, que não podemos ser esquisitos! No entanto, se não queremos ver as pessoas como são (e às vezes é preciso), o melhor é ir para os 4 e a coisa fica mais composta.

Mas a verdadeira pérola é esta: "Mais teria valido consagrar a noite à simples Blanchette (escolho-lhe este nome), serigueira de profissão (escolho-lhe este ofício), que é tão fácil de divertir ao domingo, depois de uma hora de intimidade na cama, proporcionando-lhe, quando chove, uma visita ao Louvre, quando está bom tempo um passeio pelos Jardins do Luxemburgo. Com essas, não se é levado."
E para acompanhar tudo isto, talvez algo alegre e dançável...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Atar a perna ao Diabo

(e isto não é nada pessoal, Diabba!)



Sempre que se perde alguma coisa em casa, costumo atar a perna ao Diabo. E no que consiste? Atar um lenço a uma perna da cadeira, rezando em seguida o responso a Santo António. E geralmente o que está perdido acha-se. Nem que sejam vários meses depois.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Volver II

Lembram-se de ter prometido o tango Volver, por Carlos Gardel? Aquele que foi mais tarde cantado por Estrella Morente, dando nome ao filme de Pedro Almodovar? Pois aqui está ele

Carlos Gardel - Volver

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Melting Pot

O senhor que se lembrou desta definição estava a referir-se, concerteza, à sala de espera das visitas do Aviário de Lisboa (ali em Picoas) e não a Nova York.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sticky and Sweet III

Tom Munro para o Tourbook

Ontem estava demasiado cansado para escrever fosse o que fosse. Cheguei a casa e enfiei-me na cama. Pouco mais de metade da idade de Madonna mas com duas horas de fila para entrar (depois de andar bem mais de um kilómetro para chegar ao fim da dita); quatro em pé (antes e durante o concerto) e mais uma hora até chegar ao carro. Conclusão - hoje estou que nem posso.

Obviamente, vi o espectáculo de longe, mas ainda assim suficientemente perto para não perder pitada - a multidão atrás de mim era duas vezes maior do que a que tinha à minha frente.

Céu limpo, lua redonda, vento ocasional para arrefecer um pouco as hostes, bem ao estilo de metro em hora de ponta. Dançar, pular, esticar os bracinhos - completamente fora de questão - uma pena. O mais triste é que à minha volta poucas pessoas se ouviam cantar - turistas, portanto. Para não falar dos que levavam criancinhas de cinco anos - e até menos (se fossem meus filhos estavam já a dormir há horas!) ou dos que tentavam furar a multidão, como se houvesse espaço para eles! Teve graça a da loura e da morena, que chamadas à atenção, responderam: "Mas estamos a tentar fazer com jeitinho!" Foi a frase da noite, claro está.

A única coisa boa em 75 mil pessoas é conseguir-se passar despercebido - das talvez 50 pessoas que sabia que iam - entre família, amigos e conhecidos - não encontrei ninguém. Uns tive pena, outros nem por isso.
Achei o concerto mais Sweet que Sticky. Uma Madonna ainda mais espiritualista (para quando um Spiritual Girl?). Uma Madonna também mais velha - cantou menos e algumas vezes com recurso à voz modificada electronicamente; dançou menos (e ainda assim saltou e pulou que se fartou), com pausas maiores entre blocos. E no grand-finale surge com óculos. Daqui para a frente irá ser assim? Possivelmente. Daí a forma emocionada com que cantou You must love me, do Evita, música com a qual ganhou um Óscar - o único, aliás. No entanto, com um arranjo absolutamente fantástico, acompanhada com guitarras e violinos.
Mas a Madonna de sempre esteve lá. A gozona (fez-se confundir com Britney Spears em Human Nature), inclusive consigo própria em She's not me (4 "Madonnas" em palco, a quem ela ia atirando para o chão e descabelando); a Madonna sexual, embora muito mais discreta (mas quem olhasse com atenção para as animações com base na pintura de Keith Haring encontraria); a Madonna interventiva (Miles Away, Get Up); a Madonna rockalheira (grande arranjo de Borderline).
Um dos grandes momentos da noite foi, sem dúvida, Devil Wouldn't recognize you, pelo impacto visual causado. Madonna, em cima do piano, rodeada por uma tela redonda, onde era projectada chuva.

Embora no seu conjunto, não tenha tido tanto impacto visual como outros concertos (achei a adaptação de Trembled Blossoms, de James Jean - a partir do original da sua autoria para a PRADA, muito fraquinho, até mesmo de gosto duvidoso), a nível de efeitos especiais como até a nível de figurinos, este concerto teve bastantes momentos melhores que muitos outros anteriores.

Balanço? Muito positivo! Estaremos lá no próximo!

Para ouvir? Nada melhor que Borderline, a música do concerto mais antiga.

domingo, 14 de setembro de 2008

Sticky and Sweet II


Cá em casa ouve-se desde manhã cedo, o alinhamento do concerto de logo à noite. Já não se tem idade para decorar letras à primeira, nem para ficar horas na fila.
Espero que as restantes 74.999 pessoas se divirtam tanto como eu espero divertir-me. Não haverá concerteza milagre do sol nesta terceira aparição de Nossa Senhora em Lisboa - só surgirá em palco pelas 21 horas mas esperemos que faça a terra tremer com a sua música!
E para ouvir entretanto, fiquemos com The Beast within, com que abriu a Re-invention Tour, mas na versão do single Justify my love.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Fados

Amália Rodrigues, Maria Teresa de Noronha, Hermínia Silva, Fernanda Maria, Beatriz da Conceição

Oito da noite. Fnac. Secção de recitais líricos. A loira dirige-se para mim em inglês: Escuse me, please. Where do I find Fado?

Oportunidade para treinar o meu inglês falado, que será preciso em breve. Lá lhe expliquei que era noutra secção e que não me importava de lhe mostrar onde era. Lá me disse que não sabia nada de português, só um pouco de espanhol (e?!) e que tinha alguma dificuldade em escolher um álbum, pois não sabia que intérprete escolher. Conhecia a qualidade de Amália, mas que preferia outra coisa. E que gostava de conhecer alguém da nova geração. É verdade, percebi que só gosto de gente morta. Ou quase. Com algumas excepções. Lembrei-me de Camané, Raquel Tavares, Aldina Duarte, Kátia Guerreiro (embora as duas últimas já me tenham convencido mais). Não me lembrei de Maria Ana Bobone nem de Gonçalo Salgueiro. Demovia-a de levar Mariza, afiaçando-lhe que, no entanto, era o meu gosto pessoal. Nomes como Ana Moura ou Joana Amendoeira, lamento, mas conheço (muito mal) mal.

Hermínia Silva, Maria Teresa de Noronha - as minhas grandes referências a par de Amália; mas também Carlos Ramos (que o meu avô gostava tanto de ouvir), Lucília do Carmo ou Vicente da Câmara (o único dos Câmara e afins que consigo achar alguma graça) encabeçariam a minha lista. Necrológica, neste caso.

E a velha guarda - Celeste Rodrigues, Argentina Santos, Fernanda Maria, Maria da Fé e Beatriz da Conceição. Foi esta que me apeteceu ouvir quando cheguei a casa.

A loura acabou por levar uma colectânea. Com vivos e defuntos.


domingo, 7 de setembro de 2008

The Hours


Ontem à noite revi The Hours. Tinha-o visto quando estreou, comprei o Dvd, mas nunca o revi. Basta a banda sonora para me deixar angustiado. Como se toda a água do Ouse me submergisse.

Não me consigo recordar se vi primeiro o filme, ou se foi o livro que li primeiro. Cunningham tem o condão de me prender à sua leitura - nunca chorei tão compulsivamente com Uma Casa no fim do Mundo (que não vi a adaptação ao cinema) do que com outro livro qualquer, apesar de não me rever minimamente nele.

Ontem, no entanto, reparei em algo que me tinha passado desapercebido: o Lieder que Clarissa ouve quando chega Dan Brown. Strauss seguramente - (Richard e não nenhum dos Johann); mas tive de esperar pelos créditos finais para perceber quem cantava e o quê ao certo. Surpresa as surpresas - Jessye Norman - não lhe reconheci de todo a voz. E de facto, estava correcto: Vier letzte Lieder (The four last songs), de Richard Strauss, a partir de poemas de Herman Hess. Neste caso, a terceira: Beim Schlafengehen.


Beim Schlafengehen

"Nun der Tag mich müd gemacht
soll mein sehnliches Verlangen
freundlich die gestirnte Nacht
wie ein müdes Kind empfangen.

Hände, lasst vom allem Tun,
Stirn, vergiss du alles Denken,
alle meine Sinne nun
wollen sich in Schlummer senken.

Und die Seele unbewacht
will in freien Flügen schweben,
um im Zauber kreis der Nacht
tief und tausendfach zu leben.

Dormir

Agora que o dia me cansou,
deve o meu desejo saudoso
acolher a estrelada noite amiga
como uma criança fatigada.

Mãos, deixai todas as tarefas;
fronte, esquece as tuas ideias.
Agora todos os meus sentidos
desejam mergulhar no sono.

E a alma, sem vigilância,
ascenderia em voo livre
para no círculo mágico da noite
mil vezes profundamente viver.

Jessye Norman - Beim Schlafengehen

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Cais das Colunas

Cais das Colunas. Ferreira da Silva, s.d.. Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa


Parece que a partir de dia 15 de Dezembro, já vamos puder ficar a ver passar navios. Mas ao vivo e a cores.

Dúvida IV


Como é que se explica à criança que correr atrás de moscas até pode ser divertido, mas comê-las é uma grande porcaré?

E como lhe explicar que aquele ruído estranho que faz, é para caçar patos e não moscas?


Pensamento

Todos nós somos os cornos da vida: só não percebemos o que não queremos.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Senso


Se este não é o filme da minha vida, certamente será um dos meus filmes preferidos. Senso, de Visconti, estreado em 1954, é baseado no romance de Camillo Boito, acerca da [suposta] história de amor entre Livia, uma condessa italiana e casada e Franz, um oficial austríaco, exactamente durante a ocupação austríaca da Itália, em 1866.

Il Trovatore, de Verdi, inicia o filme. É uma récita no La Fenice, Veneza. A sétima, de Bruckner (a mesma que Hitler terá ouvido quando se suicidou) acompanha todo o filme.

Infelizmente, ainda não o encontrei em DVD e só o vi por duas vezes: uma na Cinemateca, a outra na Gulbenkian.

Muito para lá do excelente guarda-roupa e dos cenários - tanto num como noutro Visconti era mestre - a interpretação de Alina Valli.

Duas cenas inesquecíveis - ambas do final do filme: quando Livia é completamente enxovalhada e depois escorraçada de casa de Franz, pelo próprio, e quando vagueia, como louca, pelas ruas de Veneza, após ter denunciado Franz como desertor.

Parece-me impossível ficar indiferente. Isto, sim, é sofrer de amor.

Brucker - Sinfonia nº 7

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Amizade

De mais ninguém, senão de ti, preciso:
Do teu sereno olhar, do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar: “Espera e confia!”
E sentir converter-se em harmonia,
O que era, dantes, confusão e assombro.


Carlos Queirós (1907-1949)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Setembro

O fim do Verão está a chegar. Por muito quentes que sejam as tardes de Setembro, as noites vão arrefecer, os dias tornam-se mais curtos. Já cheira a Outono, mesmo que sejam poucas as folhas que caiem das árvores. A vindima já começou.
É tempo de despedida da praia. E nestes últimos dias, é desta música que me recordo. O vento que começa a rrefecer, o sol que já não aquece, a água fria da baixa maré baixa. Os amores de verão; os amigos que se fizeram e a vontade de regresso no ano seguinte. As saudades do futuro.
O vinil era da mãe e foi redescoberto por mim, tinha eu menos quinze anos do que tenho hoje e mais inocência que actualmente. Tenho a certeza que, como eu, o ouviu muitas vezes, noutros fins de Verão.