quinta-feira, 30 de outubro de 2008

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Dos vizinhos II

Se, por acaso, não estamos em casa e aceitam o nosso correio, por ser volumoso, é porque são simpáticos, ou é por outra razão qualquer que me escapa?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Noite de sonhos voada


Noite de sonhos voada
cingida por músculos de aço
profunda distância rouca
da palavra estrangulada
pela boca amordaçada
noutra boca
ondas do ondear revolto
das ondas do corpo dela
tão dominado e tão solto
tão vencedor, tão vencido
e tão rebelde ao breve espaço
consentido
nesta angústia renovada
de encerrar
fechar
esmagar
o reluzir de uma estrela
num abraço
e a ternura deslumbrada
a doce funda alegria
noite de sonhos voada
que pelos seus olhos sorria
ao romper de madrugada:
— Ó meu amor, já é dia!...


Manuel da Fonseca

Desde quinta-feira passada que este poema não me sai da cabeça. E que me faz lembrar este outro, de Eugénio de Andrade. Aqui, na voz de Simone de Oliveira.

Adeus
Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou se preferes, a minha boca nos teus olhos,
carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve, e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens,
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Cientistas em Saldos

"Sabia que há cientistas que ganham 745 euros? Que não têm direito a subsídio de desemprego, férias, Natal ou alimentação? E que não são aumentados há seis anos? Está naturalmente curioso de saber em que país, mas estou certo de que já adivinhou.

São os bolseiros de investigação científica, uma designação infeliz para os jovens (e menos jovens) investigadores, pois classifica-os pelo tipo de regime contratual com que exercem funções, secundarizando a natureza da actividade (investigação!). Faz tanto sentido como descrever um juiz como um "assalariado da justiça".

Os bolseiros podem-se distinguir segundo o tipo de bolsa que têm. Os BIC (Bolsa de Investigação Científica) são licenciados e, independentemente da sua experiência ou competências, ganham 745 euros. Os BD (Bolsa de Doutoramento) têm em geral um excelente percurso académico e científico (não é fácil ganhar a bolsa!), são investigadores experientes e motivados, ganham 980 euros. O mesmo valor desde 2002, o que representa face à inflação acumulada uma perda de 18% do poder de compra.

Pode-se argumentar que os bolseiros "estão em formação" e que "já é uma sorte estarem-lhes a pagar". Tratam-se de adultos (uma licenciatura não se acaba antes dos 22-23 anos) com contas para pagar e legítimo direito à emancipação (ou um cientista tem que viver em casa dos pais?). E quanto à formação, creio que qualquer bom profissional está sempre em formação. Todas as carreiras têm fases, e o doutoramento é uma fase da carreira de um cientista.

Os bolseiros têm direito ao chamado Seguro Social Voluntário. Que é uma espécie de não sei o quê. Basicamente, a entidade que concede a bolsa paga contribuições para a segurança social, equivalentes ao salário mínimo. Este é o regime pelo qual estão abrangidas as pessoas que não têm rendimentos. Porque raio enfiaram os jovens investigadores aqui? Fazendo o Governo gala de integrar todas as classes profissionais no regime geral de segurança social, que coerência tem não incluir os bolseiros? Esta reivindicação tem sido sucessivamente negada pela tutela. Para que não haja dúvidas: os jovens investigadores querem ser integrados num regime de segurança social que outros grupos profissionais não querem porque acham que é mau!

Penso que é necessário criar a percepção social deste problema e da necessidade de evolução. Começando pelos próprios investigadores e professores do quadro que trabalham com bolseiros. Que beneficiam do seu trabalho, com quem publicam artigos e escrevem patentes. Creio que seria de todo justo e adequado que os cientistas e investigadores estabelecidos tomassem publica e politicamente o partido dos jovens investigadores. A alternativa é continuar o choradinho da fuga de cérebros. Não há fuga de cérebros. Há expulsão de cérebros. Se não fazem falta, isso é outra história. Mas, sendo assim, digam.

David Marçal
"

domingo, 26 de outubro de 2008

La Bayadère VI

No III Acto, Solor adormece. Nos seus sonhos, acorda no reino das sombras. É o acto branco deste bailado.
Após a entrada das Sombras, que já aqui vos deixei, seguem-se 3 variações, das 3 Sombras.
Agnes Letestu, Nathalie Rique e Clotilde Vayer, na produção da Ópera de Paris. Difícil é escolher uma.









sábado, 25 de outubro de 2008

O que querem, sei eu

Claro que fico lisonjeado. Mas convenhamos - o que é demais, enjoa.

Refiro-me a mensagens no Hi5
, de gente a querer-me conhecer-me melhor - como se já conhecessem alguma coisa. Eu sei que sou fotogénico (e presunçoso também) e que tenho amigos que me fotografam muito bem, mas tenham a Santa Paciência.

Se em vez disso, contribuíssem para o meu saldo bancário, acreditem, ficaria muito mais feliz.

Obrigadinho
.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Do belo

Cá voltarei muitas mais vezes.Talvez a única razão de eu um dia aprender alemão. As Elegias são, para mim, basilares, sobretudo a primeira. Porque há momentos em que a beleza se torna mais terrível.

I Elegia

Se eu gritar, quem poderá ouvir-me, nas hierarquias
dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse
para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua
natureza mais potente. Pois o belo apenas é
o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,
e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha
destruir-nos. Todo o anjo é terrível.

(...)


in RILKE, Rainer Maria, As elegias de Duíno
A acompanhar, senão o Winterreise de Schubert, porque cantado, só poderá ser a 6ª de Tchaikovsky. A Patética.

Tchaikovsky - 6ª Sinfonia, 1º andamento

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Da blogosfera

Almocei ontem (é impressão minha ou este blog está com atraso de um dia?) com uma das senhoras aqui do lado. Já nos conhecemos há algum tempo, mais ou menos de vista (já tinhamos dialogado uma ou outra vez). Mas não foi a blogosfera que nos juntou - o acaso e um amigo em comum trataram do assunto.

Acredito que não saiba que eu sei que tem um blog, ou melhor, que aquele blog é o seu. Tenho a certeza que não sabe que tenho um blog. Pelo menos, este blog, que a visita regularmente, bem como lhe deixa alguns comentários.

O almoço foi agradabilíssimo. Pouco ou nada se falou da blogosfera. Porque há vida para além disso. É de repetir, caso assim se proporcione.

Brava!

Filipa de Castro

Ontem, estive no site da Companhia Nacional de Bailado a procurar informações acerca do elenco da produção de O Quebra Nozes, que irá estar em palco durante o mês de Dezembro, não no Teatro Camões como habitualmente, mas Teatro Nacional de São Carlos. Como sempre e ao contrário do que acontece em todas as salas pelo mundo fora, nenhum dado a esse nível. E mais uma vez, como sempre faço, escrevi um mail a pedir informações (das quais já sei a resposta, a esta altura ainda não sabem quem irá dançar). Bem, mas o que interessa mesmo foi a boa notícia que tive - a minha bailarina preferida de toda a companhia, Filipa de Castro, passou a bailarina principal. Apesar de já há algum tempo executar papéis de solista, pertencia ainda aos Corifeus.


Para mim, Filipa de Castro além de uma técnica exigente que, obrigatoriamente, tem, apresenta aquilo que considero que marca a diferença - a interpretação. Porque ballet não pode ser exclusivamente perfeito a nível de técnica - tem também de suscitar sentimentos. E é isso que Filipa de Castro faz em palco. Lembro-me particularmente de uma Giselle interpretada de forma magistral. Com uma técnica perfeita. E, sobretudo, uma grande humildade em palco, porque os verdadeiros artistas não precisam de artifícios para encherem o palco.

Por isso, a minha homenagem à bailarina Filipa de Castro (que certamente não lerá este blog).

Adam - Variação, Giselle



terça-feira, 21 de outubro de 2008

Lotação esgotada

Ontem dirigi-me à noite ao Cinema São Jorge, para assistir ao Il Bacio di Tosca, que ia ser exibido no doclisboa2008. Tinha visto um excerto aqui e achei que deveria ver, apesar de não ser fã de festivais de cinema e muito menos de documentários.
Infelizmente, sala esgotada (não sei se foi optimismo, se ingenuidade). Terá de ficar para uma próxima vez. Se houver.
Enquanto não sucede, fiquemos com o excerto que me despertou o interesse.

sábado, 18 de outubro de 2008

Quem sai aos seus...

Mãe (que corre primeiro para o Diniz e só depois para mim) - Está tão bonito e tão crescido! Mas o que é que ele tem, que sempre que se lhe pega ao colo começa logo a berrar?
Eu - Mimo. Se fosse pessoa era daqueles miúdos mimados,embirrantes, que não se lhe podia dizer nada, que ficava logo enxofrado!
Mãe - Pois. Tem a quem sair...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Aviso

Já há Natal na Loja do Gato Preto. E no site do Ikea também.


Era só para informar.

Mas o que me apetecia mesmo era que alguém aparecesse cá em casa com um balde de gelado. Morango, como é óbvio. Isso é que era. (ok, já era mais do que suficiente um daqueles Magnuns de morango e chocolate branco...)

O Reino

Inês ou O Reino, óleo sobre tela, 85x120 cm, 2004


Barahona Possolo, agora também em versão blog.


Gerard Lesne - Senhora del Mundo (Cancioneiro Português, autor anónimo, circa 1500)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cereais e Monarquia

Durante bastante tempo fui consumidor de Weetabix, apesar de há bastante tempo não o comprar (experimentem mergulhar em sumo de laranja - é delicioso! - pelo menos para mim). E durante esse tempo, habituei-me a encontrar as armas da Casa Real Inglesa na embalagem. No entanto, ao dar com o site da Weetabix, reparei que em parte alguma havia referência ao facto da marca ser fornecedora da Casa Real Inglesa.
Apesar de ter bastante que fazer, enviei um e:mail para os serviços de consumidor a colocar a questão, se a marca continuava a ser fornecedora da Casa Real. Eis a resposta que recebi no dia seguinte:


Dear Mr XXXX,


Many thanks for your enquiry.

For many years we have featured the royal warrants on our packs and have been proud to do so. However, we are increasingly endeavouring to communicate more and more nutritional and product benefit information to our customers, all of which takes up space on our packs. Rather than relegate the royal warrants to another position on the side panel where we might be able to fit them in, we feel it is more appropriate and respectful to remove them from the side of our packs. We have timed this move to coincide with the removal of the Queen Mother's warrant which has been taken off packs this year marking the end of the transition period allowed by the Royal Warrant holders association.

Hope this helps and thank you again for taking the time to contact us.

Dan Herrin
Consumer Services
Manager Weetabix Limited



Esperemos é que apesar das alterações, a tia Belinha continue a comer muito Weetabix, de modo a que a possamos continuar a vê-la sorridente (sim, porque se for como a mãezinha, está para durar!).


Adenda: entretanto lembrei-me que nada melhor que acompanhar musicalmente este post que Pomp and Circumstance, de Elgar.

Elgar - Pomp and Circumstance


terça-feira, 14 de outubro de 2008

Dos vizinhos

Além de termos de viver com eles no mesmo prédio, ainda temos de os encontrar no supermercado?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

As mais loucas pesquisas do Mundo II

Eu cá não sou de intrigas, mas parece-me que perderam alguma coisa por aqui...

Aceitam-se alvíssaras. Ou não.

domingo, 12 de outubro de 2008

Savage Grace II


Julianne Moore a fazer de Julianne Moore - óptima, como sempre. Guarda-roupa lindo; interiores deslumbrantes... e é tudo.


Fiquei sem entender se o incesto foi a forma encontrada por Barbara para se livrar da solidão e do abandono, se o modo para suscitar o interesse pelo lado feminino no seu filho. Nem se se percebe se terá sido isso que a terá levado à morte.

Savage Grace


Vou só ali ver a Julianne Moore e já venho.

sábado, 11 de outubro de 2008

Somewhere

Podia dizer que não fumo desde segunda-feira, à excepção daquele cigarro e meio no dia da ópera; podia dizer que ontem podia ter ido à ModaLx e que não fui, por não ter companhia; podia dizer que esta noite tive um sonho especial e que não irei aqui contar; podia dizer que o frio já pode chegar, porque já tenho toda a roupa de inverno lavada e passada; podia dizer que passei o dia nas lides domésticas e a ouvir música. Mas o que me apetece mesmo, é continua a ouvir música. Esta.

Somewhere

There's a place for us,
Somewhere a place for us.
Peace and quiet and open air
Wait for us
Somewhere.

There's a time for us,
Some day a time for us,
Time together with time spare,
Time to learn, time to care,
Some day!

Somewhere.
We'll find a new way of living,
We'll find a way of forgiving
Somewhere . . .

There's a place for us,
A time and place for us.
Hold my hand and we're halfway there.
Hold my hand and I'll take you there
Somehow,
Some day,
Somewhere!

Marilyn Horne - Somewhere; West Side Story, Leonard Bernstein

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

"L'elisir d'amore" II

E que tal o Elixir, perguntar-me-ão. Bom, muito bom. Os cantores, irrepreensíveis. Souberam levar o seu barco a bom porto (arrepiei-me várias vezes - o meu barómetro pessoal de qualidade). O Coro de Câmara Lisboa Cantat, justiça lhe seja feita, teve melhores momentos que o Coro do Teatro Nacional de São Carlos. Definitivamente, não estávamos perante trabalho amador, antes pelo contrário; perceberam-se as horas e horas de ensaio que estiveram por detrás desta produção.

Produção que não choca por vermos uma aldeã em fato de banho, agarrada a um computador portátil. Talvez choquem as pequenas incoerências - o cd que se recebe quando se deveriam receber uma carta, ou um perfume em vez de uma flor. Mas como a Teresa diz, e bem, poucas coisas na Ópera fazem sentido. No entanto, não percebo porque é que nestas novas produções tem sempre de aparecer uma hélice barra ventoínha gigante barra o que lhe quiserem chamar. Juro que não percebo - podem aproveitar e explicar-me. E já agora que barras eram aquelas, quando Nemorino cantava Uma furtiva lágrima?

Uma
, e não Una, porque toda a ópera foi traduzida para português. De antemão avisado pela Teresa, que ajudou que o susto não fosse maior. Mas confesso - não me chocou minimamente. A tradução não era má, de todo, e conseguiram-se boas sonoridades na Língua Portuguesa. Chocar-me-ia mais o desrespeito pela partitura, que o desrespeito pelo libretto.

Desrespeito pelos artisas terá havido. Não se bateram palmas à entrada do maestro e uma sala que metia dó. Tudo juntinho no primeiro balcão talvez o enchessem.

Certo é que o Elisir tem um força pujante. Verdadeira música popular, mas de qualidade - entra nos ouvidos e de lá não sai. Saí de lá a cantarolar (mal, claro). Como não tinha nenhuma gravação completa da ópera pensei em correr à Fnac mais próxima e comprá-la. Bati com o nariz na porta - estava a fechar. Mas há mais Fnacs nesta cidade. Lá, o pânico, o horror. Não tinham a da Sutherland com o Pavarotti (muito mais por ela que por ele, confesso). E nestas coisas, ou se se compra o melhor, ou não se compra. Tinham uma com a Kathleen Battle, igualemente com o Pavarotti, mas eu querida mesmo era a da Sutherland. Outra com o Di Steffano, mas o soprano não me dizia nada (sim, confesso, compro sempre em função do soprano, não tenho culpa de gostar mais de vozes femininas). Eis senão quando olho melhor - e será que estou a ler bem? Tinham um Elisir com a Bidu Sayão! Ora a Bidu Sayão não é estupenda, nem sequer divina. Mas tem um timbre que eu adoro, e ainda por cima, não tinha nada com ela. Claro que veio comigo para casa.

Curiosamente, estavam a passar na Fnac o Maria, da Cecília Bartoli. Que eu não tenho, só em cd. E por alguma razão é... Está mais magra, veste um pouco melhor... mas as mesmas caras de sempre (sim, Teresa, essas) e... aquele cabelo? O que é aquele cabelo?* Mas coração que não vê.... coração que não sofre. E para a ouvir, gosto bastante. Não tem uma voz potente, mas em agilidade**....

Mas bom, bom mesmo, foi chegar a casa e ter o mail com o L'Elisir d'amore, com Dame Joan Sutherland e Pavarotti!

*Pior, pior mesmo, só algumas capas dos cds de Dame Kiri Te Kanawa, já com o devido desconto de ser vintage...
** Comecei a ouvir ópera em 1997; em 2002 ou 3, não me recordo, passaram um recital da Bartoli na Rtp - ninguém que eu conhecesse, que gostasse de ópera a conhecesse, mas também nenhum expert como a Teresa...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

L'elisir d'amore

Parece que hoje vou ouvir isto, mas... em português!

Adina
(Quanto amore! Ed io, spietata,
tormentai sì nobil cor!)

Dulcamara
(Essa pure è innamorata:
ha bisogno del liquor.)

Adina
Dunque... adesso... è Nemorino
in amor sì fortunato!

Dulcamara
Tutto il sesso femminino
è pel giovine impazzato.

Adina
E qual donna è a lui gradita?
Qual fra tante è preferita?

Dulcamara
Egli è il gallo della Checca
tutte segue; tutte becca.

Adina
(Ed io sola, sconsigliata
possedea quel nobil cor!)


Dulcamara
(Essa pure è innamorata:
ha bisogno del liquor.)
Bella Adina, qua un momento...
più dappresso... su la testa.
Tu sei cotta... io l'argomento
a quell'aria afflitta e mesta.
Se tu vuoi?...

Adina
S'io vo'? Che cosa?

Dulcamara
Su la testa, o schizzinosa!
Se tu vuoi, ci ho la ricetta
che il tuo mal guarir potrà.


Adina
Ah! dottor, sarà perfetta,
ma per me virtù non ha.

Dulcamara
Vuoi vederti mille amanti
spasimar, languire al piede?

Adina
Non saprei che far di tanti:
il mio core un sol ne chiede.

Dulcamara
Render vuoi gelose, pazze
donne, vedove, ragazze?

Adina
Non mi alletta, non mi piace
di turbar altrui la pace.


Dulcamara
Conquistar vorresti un ricco?

Adina
Di ricchezze io non mi picco.

Dulcamara
Un contino? Un marchesino?

Adina
Io non vo' che Nemorino.

Dulcamara
Prendi, su, la mia ricetta,
che l'effetto ti farà.


Adina
Ah! dottor, sarà perfetta,
ma per me virtù non ha.

Dulcamara
Sconsigliata! E avresti ardire
di negare il suo valore?

Adina
Io rispetto l'elisire,
ma per me ve n'ha un maggiore:
Nemorin, lasciata ogni altra,
tutto mio, sol mio sarà.


Dulcamara
(Ahi! dottore, è troppo scaltra:
più di te costei ne sa.)


Adina
Una tenera occhiatina,
un sorriso, una carezza,
vincer può chi più si ostina,
ammollir chi più ci sprezza.
Ne ho veduti tanti e tanti,
presi cotti, spasimanti,
che nemmanco Nemorino
non potrà da me fuggir.
La ricetta è il mio visino,
in quest'occhi è l'elisir.


Dulcamara
Sì lo vedo, o bricconcella,
ne sai più dell'arte mia:
questa bocca così bella
è d'amor la spezieria:
hai lambicco ed hai fornello
caldo più d'un Mongibello
per filtrar l'amor che vuoi,
per bruciare e incenerir.
Ah! vorrei cambiar coi tuoi
i miei vasi d'elisir.


Bem, se querem a tradução, então vão ver!

Cecilia Bartoli & Bryb Terfel - Quanto Amore, L'elisir d'amore, Donizetti. Orchestra dell'Accademia Nazionale di Santa Cecilia. Myung-Whun Chung.
Para além de Una furtiva lagrima, é o único excerto da Ópera que tenho. Comprado em 2000 (durante imenso tempo tive o hábito de colocar as datas da compra nos cds) , quando em Portugal Cecilia Bartoli era ainda uma ilustre desconhecida.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

domingo, 5 de outubro de 2008

5 de Outubro

Elisabeth Wittelsbach

Perante a ida de ontem do nosso PR ao Portugal Fashion e o seu discurso hoje, acho que vou seguir o conselho da minha amiga A. para este dia e ver, de enfiada, os filmes da Sissi.
(Definitivamente, caríssima D. Maria Pia, se querem rainhas, paguem-nas!)

Strauss - Kaiser Walzer, Op. 437

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Susto do dia

Cortar o cabelo logo de manhã, chegar a casa já de noite, olhar para o espelho e pensar: mas o que aconteceu ao meu cabelo?
A memória para as coisas pequenas da vida, em mim, é muito curta. Já para as outras...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ma Joie!

"Il est des âmes sur la terre
Qui cherchent en vain le bonheur
Mais pour moi, c'est tout le contraire
La joie se trouve dans mon cour
Cette joie n'est pas éphémère
Je la possède sans retour
Comme une rosée printanière
Elle me sourit chaque jour.
(...)"
Primeira estrofe do poema Ma Joie!, da autoria de Santa Teresa de Lisieux, que se comemora hoje o dia. (Peço desculpa a quem não saiba francês, mas a única traducção que conheço é a de Maria Gabriel Llansol e deixa muito a desejar)