domingo, 30 de novembro de 2008

As mais loucas pesquisas V





Como já são dois os leitores com a mesma dúvida existencial - como decorar uma árvore de natal branca, vamos dar-lhe uma pequena ajuda!
Pegue na árvore. Ajeite os ramos de forma a dar-lhe um ar natural. Em seguida, as luzes. Deverão ser de fio branco (ou transparente) e aconselhamos que a luz seja branca, sem cor - assim permitirá mais utilizações. Depois, escolha as cores que deseja. Uma cor, em meu entender, será suficiente. Caso queira mais do que uma, experimente ou tons semelhantes, ou alterne com um metal (ouro ou prata) ou até mesmo com transparentes ou brancos.
Se decidir-se só por uma ou ambas destes últimos, use e abuse da quantidade e dos formatos.
Os enfeites maiores deverão ficar predominantemente em baixo e os mais pequenos em cima.

sábado, 29 de novembro de 2008

La Bayadère IX

No IV e último acto, Gamzatti e Solor casam no templo. Mas antes da cerimónia, a imagem de um Deus Hindu toma vida... É o Ídolo de Ouro.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Os amigos

Há dias que começam especialmente bem. Outros, ainda melhor. Quando o carteiro toca duas vezes e nos deixa um embrulho. Este. Porque nunca ninguém tinha feito nada assim. Obrigado!


Les amoureux de la Bastilles. 1957 @Willy Ronis/ Agence Rapho



Os Amigos



Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura.


Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o furtuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis.


Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor.

José Tolentino de Mendonça

(A banda sonora teria de ser o final do III Acto do Il Trovatore mas, com esta fotografia, acho que esta música será a mais adequada.)

Yan Tiersen - Comptine d'une autre eté l'après midi

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ouvido na rua VI

Estava estacado, de pé, à espera de ser atendido, há pelo menos cinco minutos. Com a senha na mão. Junto ao balcão. Chega-se um senhor. E pergunta:
“- Está para ser atendido?”
Reviro os olhos e penso: “Não. Estou a encarnar a Sr.ª D.ª Palmira Bastos, na As Árvores morrem de pé.”

terça-feira, 25 de novembro de 2008

It’s a Sony

Pensava que seria a minha reconciliação com Kátia Guerreiro. Durante bastante tempo foi uma das minhas fadistas favoritas, tendo assistido a vários dos seus concertos – no S. Luís (salvo erro por duas vezes), o mítico no CCB, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, no Dia Internacional da Música. E um desastroso no Castelo de São Jorge, em plenas Festas da Cidade. Desastroso porque se percebeu o quão artificial e ensaiado tinha sido – uma cópia integral do último concerto – as mesmas cadências, os mesmos (poucos) trinados, as notas cantadas ad eternum, as mesmas graças com guitarristas e baixista... E se fado é emoção, não se compadece nem de ensaios nem de artificialismos, mas sim de sentimentos e improvisos.


E ontem, o seu concerto de apresentação do seu novo trabalho, Fado, no Teatro Tivoli,de facto, não chegou. Kátia está com uma capacidade vocal tremenda (apesar dos sobreagudos continuarem sofríveis, mas também não precisa deles para nada!) e bastante mais afinada (apesar do início se notar o nervosismo num vibrato que não é o dela).
Mas, se desta vez não abusou das notas ad eternum, usou e abusou do fortissimo. Aliás, cantou fados inteiros em fortissimo. Levando, como é óbvio, a audiência ao extâse. Mas eu, que tenho alguma formação em piano e não em orgão, não me compadeço de aplausos fáceis – o que para mim tal pode significar. Portanto, interpretação propriamente dita, não houve. O que é uma pena, pois Kátia estava visivelmente emocionada e tem capacidades para isso. E cantar sempre em fortissimo traz outros problemas – as frases ficam cortadas a meio, pois já não mais ar para continuar – os poemas perdem logo metade da beleza – e a escolha destes para o novo álbum foi muito boa, sobretudo os de Tavares Rodrigues e Paulo Valentim. O corte e costura de Florbela Espanca e Carlos Ramos não me convenceu – Carlos do Carmos faz isso desde sempre e essa é uma das razões que não me faz gostar dele.


Tenho também de dizer que não gostei da apresentação inicial – um artista não tem de justificar a sua obra nem as suas escolhas. Não sei se fez isso por modéstia, ou para mostrar que fez o trabalho de casa. E gostavamos mais da sua imagem de antigamente embora isso, num concerto de fado, seja absolutamente irrelevante. Tal como o jogo de luz, que estava fantástico.


Kátia é agora uma Sony Artist, como teve o prazer de nos revelar. Eu vou continuar a segui-la, apesar de este texto parecer exactamente o contrário. Porque acredito nas suas capacidades de interpretação e reeinvenção. Creio absolutamente que será capaz e espero não me enganar.


Para ouvirmos, Segredos, poema e música de Paulo Valentim, do álbum Nas mãos do Fado.


Kátia Guerreiro - Segredos

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sentimentos de um humano

Há uns tempos comentava com um amigo que a minha essência era mediterrânica. Casas brancas espreguiçadas ao sol, o azul do céu e do mar, a brisa quente nos alpendres, as andorinhas da primavera, as cigarras e o cheio a alecrim dos dias de verão, as searas da planície que se perdem de vista.
Esquecia-me dos campos verdejantes do norte ou dos lagos da Suécia.

E esta viagem mudou muito a minha forma de ver os nórdicos. Educado na convicção de que ingleses nos olhavam de cima (minha mãe é completamente francófila), pensei que fossem frios, distantes e extremamente formais.

Entrei em lojas a dizer Good morning. À terceira, percebi que o costume era apenas Hello ou Hi. Em Portugal, quando se diz, acabamos por ser mais formais. E não é sintomático de indiferença – na secção de música clássica da HMV perguntaram-me o porquê de levar apenas gravações de óperas ao vivo; na secção de dvds a rapariga foi incansável a procurar os meus pedidos (que, infelizmente, não foram satisfeitos por não haver); na Waterstone’s igualmente incansáveis.

Vários mitos deitados por terra: as inglesas não vestem mal, faz imenso sol em Londres, nem fog nem smog, o metro não é nada confuso (as estações são é pequenas e feias, bem como as carruagens). Aliás, achei uma cidade para dummies / tótós. Mind the gap, mind the doors, keep left, look right. Produtos como manteiga e queijo com aviso de que são derivados de leite... Ou as pastilhas elásticas como sendo indicadas para vegetarianos.
Não consegui ver metade do que tencionava, ao contrário do que me disseram – talvez porque goste de ver tudo ao pormenor. Multiplicidade cultural sim, mas para quem não foi nunca ao Martim Moniz. Tal como cá, mas em maior escala – não há cá misturas.

Tudo em maior escala foi a grande diferença – sobretudo as colecções dos museus. E aí, sim, têm um verdadeiro serviço educativo digno desse nome.

Voltar? O mais depressa possível!

Para ouvir – a primeira suite de Gustav Holst (1874-1934) compositor inglês, visto ter composto mais do que Os Planetas.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Londres III

Devo estar aqui. A Mãe obrigou-me...*

Montra em Carnaby Street


* Blog em piloto automático

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

domingo, 16 de novembro de 2008

Diniz IV


O Diniz, se cantasse, desde ontem que cantaria assim:






(correu tudo optimamente, graças a Deus, um bocado ensonado ontem, mas hoje já brinca e já caçou moscas!)



*Para quem não sabe,
Alexandro Moreschi (1858-1922) foi o último dos castrati da Capela Sistina, e o único de que existem gravações.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

La Bayadère VIII

Como sabem, na ópera eu gosto de ensembles. E no ballet, também não é excepção.

E este é um dos meu preferidos - a entrada do corpo de baile, simples mas eficaz; o conjunto visto de cima, que bem faz lembrar os quadros de Degas; a sagração do Amor.


Nikya e Solor, juntos, pelo menos no sonho deste. Este final termina também o III acto e, nesta mesma produção da Opera de Paris, o bailado. Mas nós iremos continuar...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Do Pó, Cinza e Nada

"Primeiro, percorremos as livrarias para ver se já está à venda. É com um sorriso que pegamos nele pela primeira vez.


Depois, são os amigos que nos mandam MMS, com fotos de escaparates ou de montras. E aí ganhamos consciência da dimensão da coisa. É nessa altura que nós nos tornamos um livro aberto. De papel que se rasga. De papel que se queima. E nunca nos sentimos tão frágeis, porque tão observados e avaliados.


E é nessa altura, que desejamos ser Regina Pacini e que um qualquer Marcelo Alvear (ou direi Don Quixote?) destrua toda e qualquer prova da nossa existência."


Regina Pacini (1871-1965) foi uma cantora lírica portuguesa, filha de pais Italianos. Da sua legião de admiradores, contava-se o Rei D. Carlos e Máximo Marcelo Torcuato de Alvear Pacheco, que lhe oferecia dúzias e dúzias de rosas encarnadas e brancas e o qual acabou por desposar. Marcelo ascendeu à Presidência da República Argentina. Procurou comprar todas as gravações da mulher (entretanto retirada do mundo artístico) para depois as destruir, de modo a que ninguém mais a ouvisse. Não o conseguiu, mas Regina foi-lhe afeiçoada até à hora da sua própria morte.

Henry Purcell, The Fairy Queen - The Plaint: O let me weep, for ever weep

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um verdadeiro Mimo

Nesse mesmo jantar, que referi anteriormente, acabámos por passar a noite divertidíssimos a jogar um famoso jogo de salão, comum em qualquer lar norte-americano: o jogo da mímica, para se adivinharem nomes de filmes.

Foi das noites mais divertidas que tive. Não só pelas figuras ridículas que se fizeram, mas também pelo raciocínio fantástico de outras. Como uma amiga minha, que adora filmes de Páscoa (tudo o que meta uma túnica e cristãos jogados aos leões é com ela*) que bastava eu fazer cornos a mim próprio para me dizer romanos e lá ia ela por aí fora, desfiando um rol de filmes. Mas foi assim que conseguiu adivinhar Uns Espartanos do pior (e não, ao que consta não é nenhum filme porno...)

E descobri em mim talentos natos, como mimar Melhor é impossível (só eram aceites os nomes em português) - não me perguntem como foi, que não me lembro.

Também achei curioso acharem que eu não seria capaz de mimar O feiticeiro de Oz. Além de ser um dos meus filmes preferidos (tinha de fazer com que adivinhassem desse por onde desse!), tinha à mão uma Schnauzer amorosa, de certezinha disposta a fazer de Toto.

Experimentem em vossas casas e decerto que vão ser surpreendidos! O difícil é lembrarmo-nos de filmes para mimar.

(Os filmes baseados em Jane Austen, desistam. Como se mima Sensibilidade e Bom Senso. Ou Orgulho e Preconceito?)

*Túnicas e collants, neste último caso com Errol Flyn... haverá aqui algum padrão que me escapa?!?

The Wizard of Oz - Theme of the wicked witch

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Dos 120 mil

Obviamente que sábado não foi o pior dia da vida da Senhora Ministra da Educação. Aliás, eu diria mesmo que foi um dos melhores dias da sua vida. Porque conseguir chegar viva ao dia seguinte, é caso para estar feliz. E agradecida a Deus – se não acredita, é bom que comece a acreditar. Porque em 120 mil professores, pelo menos um (e olhem que estou a fazer contas bem por baixo) que terá vontade de apertar o pescoço à Senhora.

Não sou professor. Nunca o quis sequer, ser. Mas tive, e tenho professores na família. Tive excelentes professores e maus professores no meu percurso académico. Tenho amigos professores. Do ensino básico ao ensino superior. Mesmo com vocação, nenhum deles tem, neste momento, prazer naquilo que faz. Porque hoje ser professor não é dividir meia pacata com os alunos. É dar tudo a um ministério que não oferece nada em troca. Porque nem serviço público oferece.

Avaliações que são feitas por colegas que nem da área são (conheço professores de Educação Física que são avaliados por professores de Educação Tecnológica e Visual); escolas que recebem ordem expressas de avaliar os professores apenas com Bom, como se, de facto, todos os professores fossem iguais e porque para dar uma nota diferente teriam de chamar uma comissão externa e, ai ai ai, a carga de trabalhos que isso seria!

Mas o que interessa não é os alunos aprenderem. É distribuir computadores, mesmo que as crianças continuem brutas e analfabetas (ou iletradas, que para todos os efeitos, é bem pior). É ficar-se contente porque as melhores notas nos exames de Língua Portuguesa foram de 15.

Acredito que a revolução de há 34 anos se tenha feito exactamente para que não houvesse necessidade de mais manifestações. Este sábado, foram 120 mil. Quantos mais serão precisos?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

As mais loucas pesquisas do mundo IV



Ó Diabba, tens alguma coisa a dizer-nos acerca disto? É que eu é só pernas....

Desperate Housewifes

Marcia Cross, na pele de Bree van de Kamp*

Há alturas em que olho para mim e penso que, algures cá dentro, há uma Bree van de Kamp. E este pensamento acompanha-me há já algum tempo.

Desperate Housewifes é uma série que sigo mais ou menos regularmente. E foi naquele episódio da primeira série, em que Bree vai com o então marido (agora defunto) a uma consulta num psicólogo para aconselhamento matrimonial que houve o tal click. Porque Bree, num gesto de pura gentileza, oferece ao psicólogo, nada mais nada menos que um pot-pourri feito por si. E eu gosto imenso de fazer os meus próprios presentes para oferecer aos amigos.

Este fim-de-semana, jantar em casa de amigos. Levei uma das minhas jóias da coroa da culinária (ó meninos e meninas, decidam-se lá afinal o que gostam mesmo!): um brigadeirão de chocolate, um daqueles bolos super fáceis de fazer - deita-se tudo lá para dentro, varinha mágica ou batedeira, vai ao forno e já está.

E o que vale, é que não me cansei de ouvir elogios. Porque o que gosto mesmo, é de alimentar as pessoas.

*Obviamente que a escolha da foto não foi deixada ao calhas : twin-set e pérolas fazem as minhas delícias!
** Chato, chato, é ter amigos que também cozinham muito bem e não terem sido elogiados.

domingo, 9 de novembro de 2008

La bayadère VII

Solor reencontra Nykia no reino das Sombras.

Neste excerto, o Pas de deux e variação do III acto, com Aurélie Dupont e Manuel Legris. Descobri por acaso esta gravação, amadora e ao vivo, na Ópera de Paris. Apesar da fraca qualidade da imagem, escolhi-a por a nível de técnica está irrepreensível, a nível do Pas de Deux - uma sincronia invejável, obtendo-se o resultado pretendido.


quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Da despedida

Há alturas que mudar de passeio, sair numa estação mais à frente, não resulta. Encontramo-nos sempre com o passado, mesmo que dele fujamos. Do passado que nos magoou e nos fez sofrer. É destino. É fado. Sobretudo quando o passado, no dia seguinte ao encontro que tentámos a todo o custo evitar, vai partir para longe, para não voltar. Como se tivesse de existir uma despedida, que não estava programada, nem por um, nem por outro.
E havia arrependimento nos olhos. Havia carinho no peito. Os desejos de felicidade mútua eram sinceros. Mas também era verdadeira a consciência de que, se o tempo voltasse atrás, tudo seria igual. E é com esta inevitável contradição que temos de aprender a viver.

Ne me quitte pas XI

E continuando a viagem pelas várias versão de Ne me quitte pas, fiquemos com...


Mireille Mathieu - Ne me quitte pas

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Dúvida V

Se, no supermercado, comprarmos uma embalagem de 12 preservativos, mas apenas nos cobrarem 6, isso significa que 6 quecas são grátis?

domingo, 2 de novembro de 2008

Da Felicidade

Se não forem os pequenos gestos do quotidiano, o que será?
A flor que embrulha o pão fresco; a massa que se tende no balcão da cozinha; o cheiro a canela que sai do forno onde cora a apple crumble; dois braços que nos apertam; um gato que nos enleia as pernas e as primeiras músicas de natal que se ouvem?

Aqui e este ano, o Natal chegou mais cedo.

(esta versão, que não conhecia, por ser bem divertida - como tudo deverá ser?

As mais loucas pesquisas do Mundo III

Há imensa gente preocupada com o destino de Kina, a estilista, do qual já aqui me interroguei. Está constantemente no meu Top Ten das pesquisas. E a Kina, onde quer que esteja, deve ficar sensibilizada. Só não percebo qual o interesse da Universidade Católica do Porto nisso.

sábado, 1 de novembro de 2008

Coisas que me fazem espécie II

Pessoas que não se vestem de acordo com a temperatura. Tipo t-shirt no inverno ou blusão de penas no verão. Pior - aquelas que conseguem juntar uma malha de algodão com um cachecol de pura lã (ou polyester - para o caso, não importa).