Bem, a pedido de várias famílias e depois de até mesmo de amigas de longa data (convenientemente infiltradas) terem conseguido responder a duas que fossem, está na altura de desvendar o mistério.
- Já joguei basquetebol num clube desportivo. Verdade. Parece mentira, mas não é; é a mais pura das verdades. Foi no 5º ou 6º ano, não me lembro, tinha portanto 11, 12 anos. Mas não fui obrigado, porque os meus pais nunca me obrigaram a fazer nada que não quisesse. Obviamente que quando tive de ir jogar naqueles campeonatos regionais de infantis, achei aquilo tão mal organizado, que achei que não era para mim e não quis continuar. Perdeu-se um basquetebolista de primeira.
- Adoro andar de barco. Verdade. Como é que adorando praia, não gostaria de andar de barco? Só não tiro carta de marinheiro (a Mãe tem, do tempo em que ainda eram de pano), porque não tenho barco. E só não ando mais, porque os amigos com barcos são poucos (e contento-me com um bote!).
- Já toquei piano para mais de 100 pessoas. Mentira. As festinhas de fim-de-ano no Conservatório eram o meu terror. Bastou-me a primeira, que foi um desastre (tudo por conta das pautas que escorregaram do piano). Toquei sim, para perto disso, a Marcha Nupcial de Mendelssohn no casamento de uma grande amiga dos meus pais, a seu pedido especial, mas foi num orgão de foles.
- Aprendi grego clássico. Mentira. E porque fui muito estúpido, até porque sempre tive mais jeito para Línguas Mortas. No Liceu onde andei havia essa opção e cheguei a assistir a algumas aulas, porque tinha um furo a essa hora e uma amiga que as frequentava. Vou deixar isso para quando não tiver nada para fazer.
- Ia sendo trocado no hospital onde nasci. Verdade. E foi na Cruz Vermelha. O que não quer dizer nada - nem pelo médico fui assistido, que estava na missa (é o que dá nascer ao Domingo, dia de não fazer nenhum). Fui amparado por uma parteira timorense. Sei que numa das mamadas a enfermeira trouxe outra criança que não eu à minha mãe, que disse logo que aquele não era o filho dela.
- Cada vez gosto mais de dormir. Verdade. Lembro-me de quando era pequeno dizer que era um desperdício. Mas cada vez me sabe melhor. Tomara era eu conseguir dormir mais, mas o Diniz não deixa...
- Detesto vísceras (iscas, pipis e outras coisas afins). Verdade. E fui obrigado, como todas as crianças, a comer mioleira e iscas, que eram aconselhados pelos médicos. O máximo que consigo, é o recheio do perú, que leva fígados e aqueles paté de foie gras fingido. E aí até lambo os beiços.
- Saí de casa dos meus pais aos 18 anos. Mentira. Foi apenas aos 23. É nessa altura que se encaixa a história da belga.
- Quando era pequeno, a minha mãe besuntava-me tanto com protector solar, que as mães das outras crianças achavam que eu tinha uma doença de pele. Verdade. O que é certo é que ainda hoje continuo a besuntar-me com protector solar, ecrã total, a ponto de me perguntarem o porquê de ir à praia.









