quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Afinal,

viajar só não é assim tão mau. Pelo contrário. É claro que as saudades se tornam maiores e aparecermos em fotografias é mentira. Mas podemos organizar as nossas visitas quando queremos, perdemo-nos em ruas estreitas de mapa na mão, passar a noite em claro a ouvir a água jorrar das fontes do jardim. E depois há mais histórias para contar. Da rapariga que lia a Maria (publicação idónea apenas pela longevidade) no aeroporto de Lisboa ao nosso lado e depois viemos a conhecer*; dos casais inenarráveis que se sentaram ao meu lado em todos os voos; do avião que teve uma avaria hidráulica antes de levantar voo (não quero sequer saber o que é):  da fulana simpatiquíssima no balcão de informações do aeroporto de Madrid igual à Carmen Maura, mas em nova; do casal asturiano que estava hospedado no mesmo sítio que eu e achava que eu era francês, mas que depois me disse entender-me melhor que aos próprios andaluzes; da espanhola que me vinha oferecer o El País ao pequeno-almoço e que sempre passava por mim na cidade se desfazia em sorrisos; do único visitante, para além de mim, na Abadia do Sacromonte; do casal espanhol que achou-me com ar de granadíno e me veio pedir informações; da visita guiada só para mim na Casa-Museu Manuel de Falla.

Em resumo: acho que nunca conheci uma cidade tão bem como desta vez. Claro que à conta disso, bolhas nos pés ao segundo dia - a partir daí táxi sempre que podia. Voltar? Claro.  Apesar de tomar diariamente o pequeno-almoço virado para o Alhambra, só o visitei à noite, ainda o quero conhecer de dia. Porque Granada não é só o Alhambra (fiquei pasmo com a Igreja do Mosteiros dos Jerónimos). De resto, pouco me falta para conhecer. No goto, ficou mesmo a Cartuxa, que só visitei por fora.

* Pior. Vim a descobrir que era minha colega de profissão...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

No regresso,

a vontade de ouvir Amália é maior.



* O facto do poema deste fado ser de autoria de Manuel Alegre é pura coincidência. Excepto na parte das desgraças do meu país.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Granada

Sigo esta manhã para o sul. Para o oriente, aqui tão perto. Para a cidade-fruto. O pomo de rubis que me encanta e enfeitiça. De onde espero regressar encantado e enfeitiçado. Granada.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Das arrumações

Sentimo-nos Deus quando arrumamos a gaveta das meias, voltando a unir aquilo que o Homem (eu) separou.




Já a organização dos CD me faz sentir o mais humano possível. Não sei onde colocar Janis Joplin e Ute Lemper; não sei se Sinatra se dá bem com Shirley Bassey, de forma a estarem lado a lado. Por isso, quem me dera saber mais de música ou não ser tão organizado (mas que é certo é que poupamos imenso tempo à procura daquele CD).

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Arenal

Para não dizerem que só gosto de gente morta e de tutus, fiquem com um excerto de Arenal. Música de Maria del Mar Bonet e coreografia de Nacho Duato, com a Compania Nacional de Danza.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Dúvida XVI

Pergunto-me se todas aquelas pessoas que apregoavam a paridade entre sexos no seio dos partidos políticos irão votar na única candidata às legislativas.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Dúvida XV

Não consigo entender o porquê de as pessoas serem demasiadamente selectivas no que diz respeito às relações amorosas e o serem tão pouco no que diz respeito às amizades. Mas isso sou eu, que gosto de coerência. E de relações simplificadas.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Estão lembrados

de um episódio de Sex & the City, no qual a Carrie é convidada pela Natacha para ir a uma festa, à qual vai acompanhada pela Samantha? E que a Carrie faz de tudo para ir deslumbrante e a outra acaba por não comparecer? E no final a Natasha envia uma carta de agradecimento com um erro ortográfico?
Eu também dou (muitos) erros ortográficos (e gramaticais também) e não encontro essa cena no youtube. Mas há erros ortográficos dos outros que me deixam tão contentes como a Carrie naquele final de episódio. Que não foi o último da série.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

E o post anterior

seria verdadeiro, se não tivesse chegado à Cinemateca estando já a lotação esgotada. O que vale é que tenho o filme em casa...

Senso II

Estou neste preciso momento a revê-lo no cinema. E esperemos que a chorar baba e ranho.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09-09-09

Pergunto-me se hoje será o dia ideal para aqueles que casaram em 07-07-07 se divorciarem.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

E a tua mãe também

Eu sempre fui de sonhar bastante, embora nem sempre me lembre dos sonhos. Mas Setembro é um mês particularmente fértil em sonhos, pelo menos para mim.
A semana passada foi a queridíssima Monserrat Caballé que foi almoçar lá a casa. Quer dizer, a casa dos pais. Vi-a passear-se à porta de casa e no dia seguinte lá estava eu batido à porta de casa, à mesma hora para a convidar. E não é que aceitou? Realmente a televisão engorda bastante, só vos digo. E uma simpatia que só vista.
Esta noite já não foi tão agradável. Aliás, este é um sonho recorrente meu. Sonhar que ainda estudo no Liceu (onde isso já vai...) e que tenho ainda um monte de cadeiras (na altura dizia-se disciplinas) para fazer. E que ia ter teste de francês, filosofia e, pasme-se, expressão dramática, coisa que nunca tive e nem nunca quis ser actor (vá, uma vez preguei essa peta aos meus pais só para ver qual seria a reacção, mas como foi a melhor possível, perdeu logo a graça).
Agora expliquem-me como é possível, passados tantos anos, depois de tudo feito (e até com boas notas), o meu cérebro achar que ainda tenho cadeiras para fazer?
Bem, obviamente que hoje só poderia colocar a gorda como banda sonora. E como estou numa de música espanhola até à minha ida para Granada (e se estou a falar nisto não é para suscitar invejas, mas é para me convencer a ultrapassar o trauma de ter de viajar sozinho, que não é fácil para mim), fiquemos com um dueto, com a filha, Monserrat Marti, na zarzuela Chorizos y polacos, composta por Francisco Asenjo Barbieri.

domingo, 6 de setembro de 2009

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pela manhã

Ela sorvia pela palhinha o leite achocolatado da garrafa, como quem bebia uma tequilla bum-bum. E aquela migalha de palmier* que lhe pendia do lábio inferior, mais não era que a feliz recordação do rapaz que tinha conhecido na noite anterior naquele bar.

*neste caso leia-se pálmiére.