foi o fio que deu de si e estilhaçou um prato como estes, em faiança das Caldas, com um ramo de pessegueiro e respectivos pêssegos. O que me aborrece não é saber que custa no mercado entre 200 e 300 €, mas por saber que era de casa dos meus bisavós. A sorte foi nem eu nem o Diniz estarmos na cozinha nesse momento e a água do depósito da máquina do café, ainda que tenha derramado sobre fichas eléctricas, não ter provocado nenhum curto-circuito. Mesmo assim, estilhaçou outro semelhante, com peixes. O que seria uma boa desculpa para reformular a decoração da cozinha, mas haveria métodos menos violentos.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Tragam as pipocas
Pela forma sincopada com que a cama da minha vizinha do lado bate na parede, qualquer dia tenho-a a ela, ao namorado e à cama, no meio da sala*.
* Cá para mim devem querer alguém para bater palminhas.
Dúvida XXI
O que fazer com aquelas pessoas que acham que têm graça e de quem toda a gente se ri nas costas (e não da graça-que-não-tem-piada), para além de ter pena?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Faria hoje
65 anos, a minha violoncelista preferida, caso estivesse viva. Vitimada por esclerose múltipla (ainda voltarei a este tema), talvez a sua interpretação mais conhecida seja o Concerto para violoncelo e orquestra, de Elgar (o mesmo da Marcha Pompa e Circunstância). No entanto, é a morte do Cisne, de Saint-Saëns que aqui vos trago. Porque todos os dias há algo que morre em nós.
Jacqueline du Pré - O Cisne, Carnaval dos Animais
sábado, 23 de janeiro de 2010
Desperately Seeking Susan
É a segunda vez que me tocam à campainha a perguntar pela Susana. Será esta?
Madonna - Into the groove
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Hoje
seria um bom dia para passear na praia. Caminhar pelo areal e sentir a maresia na cara. Se possivel, que as ondas nos roubem a alma.
Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que sei amar
E de novo caminho para o mar.*
*Sophia de Mello Breyner
Craig Armstrong - Sea Song
Do silêncio
Há quem confunda frontalidade com má-educação.
Há quem confunda sentido de humor com arrogância.
Qual o mal disto? Nenhum. Apenas o facto de eu ter de aturar esta gente. Deve ser triste, não ter noção de si próprio. E de como o silêncio é de ouro.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Já a pensar no Carnaval
Assim:
ou assim?
Sendo que se optar pela primeira hipótese já estarei a repetir (que fez um sucesso no Lux, aqui há uns anos - não podem ver um chapéu com uma fivela de strass e uma pluma, que ficam doidas - estava a ver que tinha o namorado de uma delas à perna). Já na segunda hípótese (que teria algumas alterações em termos de cores, tenho a dificuldade das condecorações e das suiças (ou bem que é à séria, ou bem que não é; e apesar de usar patilhas, nem com muito boa vontade consigo transformá-las em suiças). Sugestões? Preferências?
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Say a prayer for me tonight
Se o bater de asas de uma borboleta pode provocar um terramoto no outro lado do mundo, imaginem o que poderá acontecer quando ocorre um terramoto do outro lado do mundo. Porque nenhum homem é uma ilha isolada.
Leslie Caron - Say a prayer for me tonight
E isto faz-me interrogar
Se um arquitecto não escreve sobre medicina, se um médico não escreve sobre arquitectura (e os exemplos multiplicar-se-iam), porque é toda a gente escreve sobre ciências sociais e humanas?
O que eu queria mesmo, era escrever guiões de teatro. Ou cinema. Sempre dá para pôr uns efeitos especiais a mais.
Eu, Pedro
que de números pouco percebo e contabilidade muito menos (nem quero), tenho à minha frente uns 20 anos de livros de receita e de despesa para analisar (don't ask). Até porque nem livros são, antes resmas e resmas de papelada (atadinhas com fitinha de nastro cor-de-rosinha - don't ask twice, também é a primeira vez que vejo). E ter um bocadinho de dislexia não ajuda nada (o que vale é que o Excel é nosso amigo, fazendo as somas automaticamente; o problema é quando o contabilista que fez os somatórios se enganou e nem nós damos pelo erro). Wish me luck e rezem para que as próximas noites eu não sonhe com tabelas de deve e haver, sim? Obrigado!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Ouvido na Rua XII
(Ao telefone) - Não podes desperdiçar mais a tua vida, Maria.
E afinal o que é isso de desperdiçar a vida?
Desde quando
deixou de fazer parte do (bom) senso comum dar o contacto de pessoas amigas a terceiros, sem o seu prévio consentimento?
E como é possível existirem ainda imbecis que enviam e-mails colectivos, sem usarem os campos Cc ou Bcc?
Dúvida XX
Como é que um casal, na casa dos trintas e muitos (embora isso seja irrelevante), que apanha todos os dias pela manhã cedo o autocarro para irem trabalhar, sempre de mãos dadas, conseguem ter tanto para conversar? Dormem em camas separadas?*
* Vá, eu sei que até me sentar a trabalhar, não consigo balbuciar mais do que três frases seguidas e o mal é meu.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Mostrem-mos XXI
Pensavam que já não tinha mais porta-chaves para mostrar, não é? Enganam-se. Aqui temos o da Teresa, enviado já há meses. Chaves de casa num porta-chaves em branco e prata. O que me facilitou, e muito, a escolha para a música. Não poderia escolher Mozart, não poderia escolher Beatles, nem músicas em que falem de sol (a ordem da descrição foi aleatória), porque isso seriam escolhas óbvias. Mas porque não uma música que fale da Lua, que reflecte os raios de sol?
Mike Oldfield - Moonlight shadow
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Só ontem
me dei conta da dificuldade que é encontrar uma carteira de senhora relativamente pequena, estruturada, com asas e sem alça, sem nenhum adereço, sejam franjas, tachas e outras coisas que tais. Mas encontrei (tirando a parte das asas - tem corrente que permite transformar a alça em asas e em vez de pele preta, como prendendia, ser em jacquard cinzento.) É para a Avó, que faz hoje 84 anos e a quem nunca vi com carteira de alça.
Percebemos
que estamos a ficar velhos, quando nos dá um quebranto incontrolável ainda mal nos levantámos da mesa de jantar (obrigado por teres lavado a loiça), nos arrastamos para a sala e adormecemos (sim, sim, o DVD era mesmo só para te entreter) e nos enfiamos na cama às dez e meia da noite. Altura em que despertamos e só adormecemos umas duas horas depois.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Mês e meio
Acabei de ser convidado para desempenhar funções de Relações Públicas num evento internacional, a decorrer em Lisboa, daqui a mês e meio. Isto dito numa forma para parecer minimamente interessante, porque basicamente o que vou fazer é receber os convidados e oferecer-lhes aconselhamento científico, caso seja necessário (para a parte burocrática da coisa existem os secretários).
Isto, que até é uma coisa boa, devo dizer que me assusta um pouco, atendendo a que de falador não tenho nada, sobretudo com desconhecidos (vá, já não coro, é o que vale). Tenho à minha frente mês e meio para sair da casca e me tornar um fala barato, sem meter os pés pelas mãos. Conselhos são bem-vindos. Eficazes e de efeito rápido, claro está.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Todistas e Maristas
Comemora-se hoje o 257 aniversário do nascimento de Luisa Todi.
Sete anos atrás, assisti a algumas das comemorações do 250 aniversário, entre as quais um recital no Forum Municipal Luisa Todi com a Mara Zampieri. Há uns tempos atrás prometi ao valquírio contar as peripécias desse recital, assim que encontrasse o programa (tenho a mania de guardar os programas, sim). Infelizmente, ainda não foi desta que o encontrei(e já procurei várias vezes, em vários sítios, pelos vistos não os certos!). No entanto, não podia passar de hoje, já que o aniversário de nascimento da cantora lírica portuguesa mais conhecida de sempre (a seguir a Natália de Andrade, naturalmente). Se a minha memória visual não me trai, quase que aposto que uma das imagens que tem (se não a única), é idêntica a esta capa de CD.
Ora, para quem não sabe, Luísa Todi, ao jeito Callas VS Tebaldi (assim uma espécie Simone de Oliveira VS Madalena Iglésias, mas em bom) teve também uma adversária nos palcos e por quem plateias se degladiavam. De seu nome Gertrudes Mara. Não há maneira melhor do que homenagear alguém, do que por a cantar alguém que o mesmo nome do seu adversário, verdade?
Não me recordo grande coisa do recital (a minha memória é exclusivamente visual e é preciso estar inspirado). Lembro-me sim, de ter tido intervalo e Mara Zampieri contorcer-se para não lhe dar uma coisinha má. Primeiro porque a fizeram entrar antes de toda a gente ter entrado de novo na sala. E em segundo, por a porta da sala ter ficado aberta e ouvir-se barulho de loiça, vindo do bar...
Tenho pena de não me lembrar qual o reportório que Mara Zampieri nos trouxe. Deixo-vos com uma das arias finais de Belisario, de Donizetti,
Mara Zampieri - Da quel dì, che l'innocente
Querida amiga II
pisar os homens à tua volta enquanto danças na pista não é uma boa ideia de táctica de engate. Nem toda a gente gosta de trampling.
Querida amiga
Então, é assim (adoro quando se saem com esta, porque elas é que sabem). Querida amiga (mais uma vez, porque estou a falar a sério): de manhã é que se usam carteiras-que-se-confundem-com-sacos-das-compras. À tarde, a coisa (a carteira, burra!), já fica um bocadinho mais pequena (mas só fica se tu fores a casa trocá-la, boa? - eu não digo que é burra?!?). À noite então levarás uma mini-carteira (há para todos os nomes, gostos e feitios e fashion advisors é em outros estabelecimentos que não aqui).
Portanto, se te atreveres a levar para uma discoteca (after-hours incluídos) carteiras-que-se-confundem-com-sacos-das-compras é melhor teres a decência de a deixares no bengaleiro (mão-de-vaca!). Assim, já não vais incomodar meio mundo à tua volta e até te vais sentir mais levezinha. Apareceu-te o período? Queres retocar a maquilhagem (nenhum homem vai reparar nisso, já para não falar no avançado estado da hora, do álcool no sangue e na falta de luz que se faz sentir)? Vais chatear as vezes que forem precisas a menina do bengaleiro. É capaz de não achar muita piada à brincadeira (são tão más umas para as outras!), mas antes isso do que passares por a verdadeira imbecil. Got it?
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Toto, I've a feeling we're not in Kansas any more
Judy Garland - Somewhere over the rainbow
Só porque está à venda a caixa comemorativa dos 70º aniversário do filme. E eu quero.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Debute
Porque toda a semana me tenho lembrado de bailes de debute.
Baile de Debutantes em Paris, 1963.
Fotógrafo: Paul Schutzer.
Fonte: Arquivo Fotográfico da Revista Life
E se pensam que vos trago Strauss, enganam-se. Só podia ser a valsa de Die lustige Witwe (A Viúva Alegre, para quem não percebe nada de alemão, como eu).
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Intermezzo
Depois de um interregno, pensamos voltar. Temos o essencial: música. Para começar, o intermezzo de Sonho de uma noite de Verão. Porque já estamos ficar fartos de inverno. E porque precisamos de sonhar. E não é de Sebastião da Gama nem de António Gedeão que me recordo. Mas de Eugénio de Andrade:
É urgente
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Feliz 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)














