segunda-feira, 29 de março de 2010

Em Itália

não devem existir gatos. Ou então há gatos domados. Ou então as Mamma italianas devem possuir alguma técnica que desconheço que lhes permite fazer massa fresca sem serem incomodadas por certos e determinados gatos. Não é, Diniz?

Deitar cedo e cedo erguer

não dá saúde nem faz crescer. É uma grandessissima treta. Fui para a cama às onze e meia da noite, cedíssimo para o que é costume. A noite anterior foi puxada, teatro, homeagens, fado, fado e mais fado, cheguei a casa passavam das seis da manhã. Pois que acordei às 3:30 da manhã, passado uma hora resolvi levantar-me. É sempre bom encontrar pessoas acordadas no facebook, a padecerem do mesmo. Voltar para a cama às seis e meia, estar mais uma hora sem dormir, gritar f*d@-se baixinho para não acordar quem está ao nosso lado, ao ouvirmos a chuva que caía a cântaros lá fora encharcar a roupa que estendemos ontem e não apanhámos quando chegamos a casa. Ainda pensei levantar-me e não dormir mais, mas acho que a essa altura o sono era tanto, que devo ter adormecido antes de me levantar.

...

Santa Luzia e Santa Ágata. Gregório Lopes, 1520 d.C.- 1530 d.C.
Museu Nacional de Arte Antiga.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Frühling



Recebido ontem (presente de Natal) e muito a propósito com a chegada da Primavera. Já tinha o Vier Letzte Lieder, mas de uma compilação. Composto por Richard Strauss, a partir de um poema de Herman Hess.

Frühling

In dämmrigen Grüften

träumte ich lang
von deinen Bäumen und blauen Lüften,
Von deinem Duft und Vogelsang.

Nun liegst du erschlossen
In Gleiß und Zier
von Licht übergossen
wie ein Wunder vor mir.

Du kennst mich wieder,
du lockst mich zart,
es zittert durch all meine Glieder
deine selige Gegenwart!


Spring


In shadowy crypts
I dreamt long
of your trees and blue skies,
of your fragrance and birdsong.

Now you appear
in all your finery,
shining brilliantly
like a miracle before me.

You recognize me,
you entice me tenderly.
All my limbs tremble at
your blessed presence!



terça-feira, 23 de março de 2010

Life sucks

Não tenho whisky em casa.

Proserpine

Dante Gabriel Rossetti, 1874, Tate Britain

(Bem sei que a primavera chegou domingo, mas ainda vamos a tempo, não?)

Quente & Frio

Estamos a chegar àquela altura do ano em que não se sabe muito bem o que vestir. Começa a estar calor para a roupa de inverno, mas frio demais para a de verão, ou mesmo de meia-estação. O mesmo com a roupa de cama. Tirei o cobertor da cama, mas sei que nas noites em que dormir sozinho vou ter frio.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ao vivo não salta

E ir deixar o telemóvel para arranjar (que afinal não estava, de um momento para o outro começou a funcionar às mil maravilhas, thank God!) e darmos de caras com o João Baião na mesma loja!?

Karma II

E depois há o outro, aquele que eu próprio criei. E estou ciente quando foi. Estava na segunda ou terceira classe e chegou um novo colega à escola. Um Wanderley ou qualquer coisa que o valha, não me lembro do nome da criatura. Que se apaixonou pela Ana Sofia, minha colega, cabelo preto, forte, dois olhos imensos castanhos. Que não ligou nenhuma ao Wanderley. Mas este insistia, insistia. Até que aqui o je se lembrou (mais valia estares quietinho, que é para veres se aprendes) de provocar, com o consentimento da Ana Sofia, os verdes ciúmes  do dito Wanderley. E claro está, ganhei um inimigo para a vida (Wanderley, amigo, onde quer que estejas, era tudo a fingir, certo?).
Depois seguiram-se outros. Como aquele meu colega, que por ter escolhido para mim a caloira que ele queria (temos pena!) até um piano pelos cornos me prometeu (Steinway & Sons, pode ser?), mas até hoje... nicles. Ou então, aquele senhor, jornalista (Littlegirlblue, livra-te de conheceres mais gente estranha na paragem do autocarro) que qualquer dia ainda me faz a folha.
O problema é que quanto a este Karma, não haverá tira-nódoas que o tire. Digo eu.

Karma

É qualquer coisa como ter dividido no passado casa com alguém que tinha  a tara de verificar se a porta da rua tinha ficado fechada (mesmo depois de ter dado duas voltas à chave), puxando-a duas vezes para si e agora ter um gato que, sempre que saio de casa, dá dois [DOIS!] pulos em direcção ao trinco da porta da rua, quiçá para a abrir.

É qualquer coisa como no passado ter sofrido uma horrível queimadura na mão, com borras de café (subornavam-me dizendo que eu tirava os melhores cafés lá de casa) e hoje ter passado a manhã a limpar borras de café das paredes da cozinha (e chão, e cortinas e tudo quanto há e assim), porque pus ao lume a Bialleti sem o coador. Belo início de semana.

Já agora, alguém sabe como se tiram nódoas de café das paredes?

sexta-feira, 19 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

As árvores também se abatem

Há cem anos atrás, quando palmeiras e rotundas não faziam parte do nosso quotidiano, o meu bisavô, lavrador não abastado, plantou duas ou três palmeiras nos terrenos que possuía. Lançaram raízes à terra, cresceram, deitando os braços ao céu. Os filhos nasceram, cresceram e foram constituindo famílias. As palmeiras fizeram-se fortes e robustas. Bandos de pardais fizeram aí os seus ninhos, fazendo as delícias de gatos vadios.
O Pai foi para Moçambique cumprir o serviço militar e nas vésperas da partida, a irmã mais velha plantou nova palmeira, que tal como as outras, viu nascer outras tantas crianças. A quinta tomou o nome das árvores que a faziam destacar na lonjura da paisagen.
Vieram tempestades, terramotos e as árvores continuaram de pé. Mas veio a praga. E as árvores, imponentes, majestáticas tiveram de ser abatidas. Ontem. O Pai inconsolável. A Mãe, que sempre teve um medo gaulês que a mais alta caisse por cima da casa, igualmente inconsolável. Continuamos de pé, mas um pouco mortos por dentro.

An education - Uma outra educação


Um dos quadros que tenho na sala, é o retrato da mãe, pintado por um daqueles artistas de rua de Montmartre. Estavamos em 1965. Nem meia dúzia de anos depois, a Mãe foi ao casamento do irmão com um vestido cujo tecido é semelhante ao da foto, mas com flores pretas e prateadas, mais estilizadas e geométricas, já a querer saltar para a década seguinte.

Não é para falar dos Sobranie Cocktail (again), nem dos ovos quentes que adoro ao pequeno-almoço, nem tão pouco sobre pintura inglesa oitocentista (fica para outra altura), que servirá este filme.

Não sendo uma obra-prima, é, todavia, incontornável, pelos assuntos que aborda. É um filme sobre escolhas. Das dificuldades que temos em fazer escolhas, da percepção da finalidade no que diz respeito ao dia-a-dia; de como as desilusões (amorosas) podem ser cruéis (mas não por isso menos importantes no crescimento), do confronto entre o que temos e o que queremos, de como o espírito reindivicativo não é necessariamente rebelde; de como os pais não são super-heróis; de como a realidade não é de todo linear.

Passados quase 50 anos, ainda se fala latim e o existencialismo continua tão, mas tão presente. E isto numa sociedade um pouco mais igualitária, em que pílula e demais contraceptivos se tornaram, felizmente, mais corriqueiros.

Da banda sonora do filme, Madeleine Peyroux - J'ai Deux Amours. Porque as escolhas não são fáceis.

domingo, 14 de março de 2010

O meu bruxo é melhor que o teu

Há quem não saia de casa sem ler o seu horóscopo diário. E eu vou começar a não sair de casa sem antes ver o Facebook. Ainda há formas de evitar encontros pouco desejáveis.

sábado, 13 de março de 2010

Eu achava que não era possível,

Mas houve quem chorasse a ver o Alice.

Como é que é possível

só ontem ter-me dado conta que o Frutalmeidas do Saldanha Residence ter fechado, logo que ia todo lampeiro para uma fatia de bolo de morangos e chantilly e, quiçá, um pastelinho de massa tenra?

Alice in Wonderland


Já fui ver. Sala quase vazia (o que eu gosto da sessão das sete!).
Cá para mim, a Duquesa não aparece por estar em lua-de-mel com o Humpty Dumpty, para darem um pinto como irmão ao leitão.
Não gostei de nenhum vestidinho da Alice, a banda sonora deixou muito a desejar. Porém, não é por aí que o Cheshire Cat vai ao eat me cake.

terça-feira, 9 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

Já comi pior e não me fez mal*

Já estive no mesmo recinto que a Ana Malhoa e não me aconteceu nada.

*e melhor também.

E esta música

E depois há este poema

Femina, Mário de Sá-Carneiro

Eu queria ser mulher pra me poder estender

Ao lado dos meus amigos, nas banquettes dos cafés.
Eu queria ser mulher para poder estender
Pó de arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.

Eu queria ser mulher pra não ter que pensar na vida
E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro -
Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro
A falar de modas e a fazer «potins» - muito entretida.

Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios
E aguçá-los ao espelho, antes de me deitar -
Eu queria ser mulher pra que me fossem bem estes enleios,
Que num homem, francamente, não se podem desculpar.

Eu queria ser mulher para ter muitos amantes
E enganá-los a todos - mesmo ao predilecto -
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto,
Com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...

Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher pra me poder recusar...

Eu sei

que não vais dar pulos de contente quando leres isto, mas eu prometo por condicionador na barba todos os dias, sim?

E tanto post para quê?

Para dizer que pela primeira vez experimentei aparar a barba com máquina. Máquina para esse efeito, não para fazer (ou desfazer, chatos!) a barba. E acho que gostei. Por isso, é provável que me vão ver mais vezes com barba de dois dias.

Do acto

de barbear, claro.
Sempre depois do banho. A pele está mais macia, os poros mais dilatados. E assim escuso de ficar com a cara às manchas e cheio de comichão.
Máquina provoca-me irritação na pele. Lâmina, sempre. Aliás, quantas mais lâminas melhor, menos vezes se tem de passar (imaginem o que seria, meninas, fazerem a depilação ensonadas). Cuidado quando estão novas, maior o risco de golpes (e o 444 arde que se farta, fraquinho, já sei que o arde cura e o que aperta segura). Já as velhas, puxam o pêlo e arrepanham a pele, o que não é de todo uma sensação agradável.
Finalmente, creme hidratante - não há um único after-shave que não me provoque alergia e olhem que já experimentei de tudo.

E depois há o resto

A grande chatice é a chatice diária da barba. Ter de fazer (ou desfazer, mas aplicar o desfazer, que até pode ser mais correcto, mas soa-me sempre a crítico de teatro que acabou de sair da Cornucópia, onde não percebeu nada, mas vai dizer que é tudo muito bom)  a barba todos é uma grande maçada, sobretudo para quem, como eu, passado meia dúzia de horas, já a tem do tamanho de dois dias, para muito boa gente.
Ora, se antigamente não me gostava de ver com a barba por fazer, hoje em dia o contrário é que é válido. Depois de muitos anos a fazer a barba diariamente, depois dia sim, dia não, hoje em dia nunca menos de 3 ou de 4 entre barbear.

É tudo uma questão de perspectiva

Meninas, ide lá perguntar aos vossos amigos se não gostariam de ser tão assediados no local de trabalho como vós sois.

Dos Óscares

Há muitos anos atrás, que não foram muitos mas quase parece a era das civilizações clássicas da minha existência, alguém tentava convencer-me a ver os Óscares em directo, na cama que ambos partilhámos nessa noite. Nem meia hora havia passado e eu dormia a sono alto. E sabem que mais? Ainda bem.

domingo, 7 de março de 2010

A outra metade

da noite, foi levar com outra criatura que em vez de pegar a tipa pela cintura e espetar-lhe um beijo na boca, achou que a melhor forma de sedução foi mostrar os dotes artísticos que não tinha. Se ao menos se restringisse aos 25 cm2 que lhe competia...

Se o rancho folclórico

de Alguidares Fundeiro precisar de membros, experimente ir ao Lux a um sábado à noite. Passei metade da noite a levar com uma criatura a dançar o vira do Minho ao meu lado. Ou isso ou o bailinho da Madeira, que eu de folclore não percebo nada. Nem quero.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Está quase a estrear


e eu já não posso com o histerismo todo à volta do filme. Se eu gosto da história? É das minhas histórias infantis preferidas, a par de A Princesa e a Ervilha. Se gosto de Tim Burton? Pelo menos desde que me ofereceram A morte melancólica do Rapaz Ostra e outras histórias, há não sei quantos anos atrás. Da Helena Bonham Carter nem se fala, Um quarto com vista sobre a cidade é um dos filmes da minha vida. Por isso, é mesmo falta de paciência para todo este histerísmo. Chamem a Duquesa para lhes salpicarem as pupilas de pimenta (do Reino), se não quiserem que lhes cortem a cabeça.


terça-feira, 2 de março de 2010

O busto de Chopin


Já o queria ter mostrado por este post da Teresa, podia tê-lo feito ontem, por ser ontem o seu dia de anos, não o fiz. É o único busto que tenho em casa, foi-me oferecido pelo meu padrinho, há mais de 15 anos, aventaria talvez 20.

Fiquemos com a Barcarolle, ops. 60, interpretada por Andrei Nikolsky e com o poema de Jorge de Sena.


As mais loucas pesquisas XIII


Até o google sabe!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Estou apaixonado

E por quem, perguntais vós? Pela Nigella Lawson. Gira que se farta, com uma pinta dos diabos, uma casa cheia de livros fantástica e cozinha como se não houvesse amanhã. E mais, adoro a descontracção com que se lambuza naquilo que prepara*.
Conhecia-a apenas há coisa de dois meses, quando mandei instalar televisão por cabo cá em casa (mentira, é fibra), não pelo facto de ser pobrezinho (sai ao mesmo preço que o anterior servidor de internet), mas só pela chatice que era ter de ligar e ficar em casa para virem fazer a instalação e assim. Tudo coisas que abomino. Portanto, é natural que que me venham dizer: ai e tal, e só agora é que deste pela existência da Senhora? Pois antes tarde que nunca. E já queria ter escrito sobre ela há mais tempo, mas não se proporcionou, mas  como acabei de receber o livro da foto (1,50€ , o que encareceu foram os portes de envio), achei que não haveria melhor altura. Sobretudo depois de saber este fim-de-semana que uma amiga da minha amiga R., por motivos profissionais, já a conheceu pessoalmente e esteve, inclusive, em casa da Senhora (pronto, estou a morrer de inveja, também me acontece). De maneiras que basicamente, estou a dois graus da Nigella Lawson. Que não me serve de grande coisa, é um facto, por isso deixa-me mas é ir para a cozinha pilotar fogão.

* Só não se recomenda o visionamento do programa em duas situações: quando se está a fazer dieta ou então quando se está com insónias. É que para além de se ter insónias, vai-se ficar também com fome. Foi o que me aconteceu esta noite.