segunda-feira, 30 de julho de 2012

Coisas que fazem o meu dia

Entro na padaria. Único homem. Assisto à conversa de duas das empregadas. Uma, oriunda de um típico bairro lisboeta, já apareceu na televisão, embora sem tiques de vedeta. Sofre de alergias. A outra, brasileira.
Vira-se a primeira (depois de ter estado à conversa com uma freguesa):
- Eu, se soubesse o que sei hoje, tinha-lhe era lhe posto os... [cornos, depreendemos nós]
- Ah, mas isso se era para pôr, era logo uns três pares! Nunca menos de três.
(A esta altura o meu esforço para controlar o riso era inexistente)
- É que ao menos, tinha a fama, mas tinha também o proveito, porque aquele grande filho [pausa] da mãe e do pai dele andou-me a meter a fama. Mas também não era do meu feitio [olhar complacente]. Agora também, já estou divorciada vai para quatro anos, agora só em pensamento é que os posso meter!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Aceitam-se outras explicações

Muito embora tenha a perfeita consciência que pela boca morre o peixe, se há coisa que nunca entendi - ainda que Deus me tenha posto uns quantos amigos debaixo de olho  para ver se me abria a pestana e se fizesse luz no deserto que é a minha cabecinha (e Ele sabe o quanto me esforço para perceber) - são as relações intermitentes. Tipo pisca-pisca. Ou semáforos (cá beijinho, Gertrude). Ou seja, ora namora, ora agora já não namoram, ora namoram outra vez, ora agora já não gosto del@ mas deixa cá vigiar-lhe todos os passos, não vá andar metid@ com alguma puta ou algum cabrão, ora estão juntos, ora não estão. E é isto. Anos, se for preciso. Porque ou bem que gostam (e querem) e esforçam-se, ou bem que não gostam (e não querem) e seguem a vida para a frente, que atrás vem gente (estão em todo o lado e Deus no meio de nós). Ainda consigo perceber que, anos após uma separação, possa existir uma reconciliação - a pessoa cresceu, amadureceu (esperamos), teve tempo para enterrar sentimentos negativos, teve outras experiências. Agora voltar para ex-, parece-me coisa - generalizemos pois - de gente que não sabe aquilo que quer ou de quem procure melhor e não encontre. 


Pergunta para queijinho




quinta-feira, 19 de julho de 2012

Eu é mais bolos

mas lembrei-me de uns chupas que havia na minha infância, cujos pauzinhos tinham a forma de espingardas ou peixes (e muito provavelmente outras formas), em plástico translúcido de várias cores - encarnado, azul, verde e fiquei com saudades - tenho ideia que nem invólucro aquilo tinha, portanto já devem ter desaparecido do mercado.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Grey?

Sim, Earl Grey, com imensa bergamota. Mas mais no Inverno. Para esta altura recomendo Dulce Maria Cardoso, que ainda no mês passado recebeu merecidamente a distinção de Chevalier dans l'ordre des Arts et des Lettres - para não falar de todos os outros prémios e galardões. Isto, claro, se se pretender uma óptima leitura, que nos faz devorar qualquer um dos seus livros em três tempos.


terça-feira, 17 de julho de 2012

"I wanna dance. I wanna win. I want that trophy."*

Aos quinze anos tinha muitas expectativas quanto ao futuro.  E desejos. Entrar na faculdade, finalizar o curso; ter uma relação estável e um espaço meu, que é como quem diz, ter casa própria. 
E pode-se dizer que relativamente cedo consegui isso - bom, a bem da verdade a relação estável foi mais relações estáveis, como bom monogâmico em série que sou, mas isso não interessa nada.
A questão é, volvidos mais do dobro dos anos que tinha na altura, que em encontro praticamente sem objectivos de vida, se exceptuarmos a manutenção dos sonhos antigos, ou até mesmo um upgrade dos mesmos. Falo de uma casa maior, de um trabalho que me agrade tanto quanto este, mas que seja melhor pago e até mesmo casamento seja uma palavra que eu equacione, pelo menos no meu dicionário. Mas isto não chega, sobretudo quando a realidade à nossa volta é tão medonha. São precisos sonhos e eu não os tenho. Apenas sei que quero dançar. E ganhar.


* Mia, Pulp fiction

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Agora sim, é capaz de começar a aquecer

Ao fim do terceiro dia e de um único copo de Chardonnay, a mais nova das colegas - a única solteira e sem filhos - pergunta-me se sou casado.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entardecer


O Sol
põe-se em tons
escarlates
no teu corpo
que o meu
sabe de cor
a bagos 
de romã.


domingo, 8 de julho de 2012

There's no place like home

Estou novamente em Haia, para mais uma semana de trabalho. E apesar de ter ouvido durante horas a colega a queixar-se da vidinha, de ter tropeçado numa família primeiro, num casal depois, que falavam português; de ter ouvido uma brasileirada qualquer numa qualquer loja em que entrei; mesmo depois de o sol ter brilhado, quente e forte depois da chuva, não há nada que verdadeiramente me aqueça, porque não estou em casa.

Capacho daqui.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Coisas que me deixam bem disposto

Mandarem-me a foto de uma árvore de Natal em pleno Julho, que está ali algures para a Estefânia, na entrada de um prédio (pirosa até mais não, acompanhada de lareira e presépio).