sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Janela da Pinacoteca de S. Paulo


Hoje é dia de ir visitar o mais novo. Há duas semanas que não o vejo. A próxima semana vou estar ausente de Lisboa, também por razões profissionais, portanto achei preferível deixá-lo em casa de meus pais durante todo o período (que ainda vai ser longo), do que andar com ele de um lado para o outro. Está bem, já se adaptou às rotinas de uma outra casa. Mas isto de dormir sem um peso nos pés...

Dos segredos

Diziam-lhe elas, em frente à montra da ourivesaria, onde um monte de alianças em prata se alinhavam, que nada é mais afrodisíaco para uma mulher que uma aliança no anelar esquerdo, sobretudo depois dos trinta anos dele ou a demonstração de afecto para com crianças. Eu sorri-me. Não é preciso um guia para perceber a cabeça das mulheres, sejam elas solteiras, casadas ou divorciadas, basta um pouco de atenção. Mas a conversa fez-me lembrar a história da grega que conheci no início do Verão. Que na sua primeira viagem de trabalho após o casamento, tinha feito questão de levar posta no dedo a aliança, como forma de desencorajar eventuais avanços libidinosos. Pior a emenda que o soneto. Porque a aliança, para os homens casados, tinha como significado estar disponível para ter um flirt inconsequente, já que estariam ambos nas mesmas condições. Seria um segredo só deles.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Pearls are the girls best friends XIII

Benedetto Gennari - Marie-Anne Martinozzi (née Mancini), Duchess of Bouillon
Anterior a 1715, National Portrait Gallery

Dos preconceitos

Não é preciso passar uma semana inteira com pessoas que não conhecemos para percebermos desde logo os preconceitos de grande parte delas relativamente às diferenças que os afastam dos demais indivíduos. É certo que todos temos os nossos preconceitos. Mas há uma diferença entre os ter e existir uma mudança de comportamento causada por eles. E isso faz-me espécie, sobretudo quando estamos a lidar com pessoas formadas e com estudos superiores - e mais, até. O que não é surpresa, basta recordar-me de alguns colegas de faculdade. Mas os 20 anos não são os mesmos 30 ou até 40. Se não é a escola e a universidade a educar e a abrir-lhes horizontes, se não são os amigos e família a abrirem-lhes as pestanas (e afinal de contas, o coração) o que será desta gente?

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ainda da publicidade

Aqui há uns tempos fui contactado para fazer publicidade aqui no blog. Não eram sapatos, eram livros. Quantos mais links lá chegassem vindos daqui, maiores descontos eu teria. Ainda que fossem livros, não me pareceu muito aliciante ter de vos cansar com post sim, post não, com publicidade encapotada. Pior. Eu não conhecia o site, nem os préstimos do mesmo. Mas além de valores mais elevados que nas livrarias de bairro ou nas fnac deste país - ou nas amazon de outros - o tempo de espera pareceu-me substancialmente superior. Fraco serviço, pois então. Coisa que não recomendaria a ninguém, nem sequer aos anónimos que não tenho.
A coisa teria ficado por ai, se hoje não tivesse sido contactado novamente, desta vez por uma agência de comunicação de uma operadora de comunicações, para participar no projecto de avaliação de novas funcionalidades. Quais e de quê, não faço ideia, que não é explicado. A única contrapartida seria a oferta do serviço durante alguns meses. 2, 3? Dois já é plural, três já perfazem alguns... nem que fossem seis, não poderia nunca estar interessado em algo que não se sabe à partida do que é. Sim, eu sei. É difícil fazer negócios comigo. Mas aceito presentes.



"És o primeiro homem com quem não sinto medo de fazer loucuras"

O bom de nos rodearmos de pessoas mais velhas e com bom gosto, é o de termos mais facilmente acesso a boas e sábias opiniões. 
Não me lembro ao certo que idade tinha quando me recomendaram o Quarteto de Alexandria, de Lawrence Durrel. Tinha seguramente mais de 18 e, aos 23 tentei-o ler pela primeira vez, depois de o ter comprado, podia jurar, na feira do livro (ou será que foi presente de anos?). Às  primeiras vinte páginas de Justine, deixei-o de lado. Porque nós não escolhemos livros, os livros é que nos escolhem a nós. Até há uma semana atrás. Em menos de dez horas, a duração da viagem até São Paulo, percorri as ruas de Alexandria, num tempo em decadência e amores cruzados, num encontro de ocidente com oriente, com Mozart in Egypt como banda sonora.



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Pearls are the girls best friends XII

George Peter Alexander Healy - Vinnie Ream 
[c.1870], Smithsonian American Art Museum

Da publicidade

A TMN anda a coagir-me a mudar de tarifário. De há uns meses para cá, são telefonemas atrás de telefonemas para que mude do tarifário actual, já antigo, no que não tenho carregamentos obrigatórios e tudo o que é carregado reverte para saldo, para um (cujas chamadas saem ligeiramente mais baratas, é certo), mas que a quantia carregada não reverte para saldo. Ou seja, acabaria por desembolsar mensalmente praticamente o dobro do que gasto agora. Na penúltima chamada, há coisa de dois meses, pedi para não ser incomodado com mais chamadas acerca de tarifários. Hoje fui novamente contactado. Obviamente que despachei educadamente a criatura que fez o telefonema, como já seguiu a reclamação para a própria TMN. O que me espanta é acharem que acreditamos que nos querem levar a fazer um negócio mais proveitoso para nós. Se fosse para realmente ficarmos a ganhar, certamente que não fariam tantos telefonemas.

O porquê de uma semana de ausência

Av. Paulista

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Pearls are the girls best friends XI

Jean Etienne Liotard - Portrait of Maria Adelaide of France in Turkish-style Clothes 
1753, Uffizi Galery

Madagáscar



Será assim?

Nas relações, sejam elas familiares, de amizade ou amorosas, há sempre desafios e nunca a forma correcta de fazer as coisas. E dúvidas de como agir em determinadas situações, muitas. Tantas quantas os desafios, porque não há nada que seja perfeito. Porque falamos de pessoas, com os seus defeitos, incapacidades, medos e todas essas coisas. Mas também ideias e gostos próprios. Nem sempre é fácil conciliar essas diferenças. Há quem seja apologista do amigo não empata amigo e faça cada um a sua vida, nos seus gostos próprios e singulares. E há também quem se sacrifique e esqueça os seus gostos próprios e se esforce por diminuir as distâncias e encurtar as diferenças.
Ora, quer-me parece que essa coisa de sermos livres e independentes, que é muito bonito no plano teórico, é capaz de não resultar muito bem no seio de uma relação. Porque as relações vivem disso mesmo. Chama-se compromisso. E se não há vontade para contornar as diferenças, nunca a compreensão será suficiente para as aceitar.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Natal


Fadas é nas histórias
e reis é nos presépios
-  Pariste sem mistério como os bichos.


Mas a menina veio
graciosa e delicada.
Sua única fada,
a graça do teu seio.


Ganhaste-a com arranques,
e gritos, e suor,
com amor, com ternura,
e Amor e Amor e Amor.


Sebastião da Gama, in Campo Aberto
(post já editado)


(e porque a propósito: 


a partir do tema de Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky)

Private Post, em jeito de desabafo


A Gioconda nunca mais regressa das férias.

Senhores fotógrafos

ou senhores atletas olímpicos. Não sei de quem partiu a ideia, mas já não se aguentam as vossas fotos a trincar medalhas. É favor serem um pouquinho mais criativos. Obrigado.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pearls are the girls best friends X


François Flameng - Princesa Zinaida Yusupova
1894 - State Hermitage Museum

Se acontecer, aconselho-vos a não estarem por perto*

Uma das pessoas que mais gostava de conhecer na vida é a Fáfá de Belém. Não é pela pessoa em sim, não é pela artista, não é pelos atributos físicos que a fazem chegar primeiro que ela própria. É mesmo pela gargalhada.  Não me consigo recordar de nenhuma outra gargalhada que me faça automaticamente rir, a bom rir. E eu gosto de pessoas que me façam rir.

*(porque eu também sou de riso fácil e muito provavelmente iríamos estar a rir que num uns perdidos)


terça-feira, 7 de agosto de 2012

1931-2012


Anna Piaggi
©Jonathan Player


É o dinheiro, estúpido!


Blogs com CD, livros com CD, no final de contas, vai dar tudo ao mesmo (mas a escolha musical até podia ser pior).


Respirar fundo


Há romances históricos. Há exercícios de escrita criativa. Há ensaios historiográficos. Há reportagens. E depois há isto, que não consegue ser coisíssima nenhuma.

Lisboa sufoca sob um calor insuportável: lamento, mas o que dizem os entendidos, os anos mais quentes dos últimos 150, foram 1998, 2003, 2002, 2001 e 1997.

Uma nuvem de poluição: Lisboa nunca foi uma cidade industrial digna desse nome. E se grande parte da população era analfabeta e pobre (ou então a conversa da sardinha para 6 é mito urbano), não me parece que o tráfego automóvel de então causasse grande mossa ambiental (eu ainda sou do tempo só de uma ponte, com apenas duas faixas de rodagem para cada lado).

o compasso dos carros que abrem freneticamente: os carros da altura dariam quanto? 70km/h?

ruas congestionadas da Baixa: mais ou menos isto:



 burguesia rica: num país onde não existia classe média, a burguesia era, muito naturalmente, rica.

A parte endinheirada dos 60 mil refugiados, na sua maioria judeus: se fossem endinheirados, não precisavam de vender os seus haveres, nem a Bisavó Anica teria comprado uma toalha de linho a uma família de refugiados judeus, que hoje em dia não serve, porque na casa das pessoas não cabem mesas de cinco metros.

Na Riviera portuguesa: a Riviera portuguesa não é a costa do Sol, mas sim a península de Setúbal, mais concretamente a Serra da Arrábida, o único ponto de Portugal com fauna e flora tipicamente mediterrânica. Onde, aliás, havia também residências de verão da dita burguesia e de aristocratas e onde muitas cabeças coroadas sem trono também frequentaram.

E é nesta altura que se deixa de ter vontade de ler seja o que for. Que até pode ter interesse e inclusive, ser uma investigação bem feita. Mas, com tanto floreado, desconfiamos.







segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Convencei-me vós do contrário

No outro dia, em conversa com um pequeno grupo de amigos, senti-me um pequeno extra-terrestre. Era o único dos quais nunca tinha tido um caso (leia-se sexo) com exs. Seja ex-engate, seja ex-cara-metade. E não consigo sequer colocar essa hipótese para mim. 
À parte da questão de o sexo ser muito bom (depreende-se facilmente porquê), esta foi de facto a única vantagem que argumentaram. Mas que, ainda assim, não consegue ser um argumento suficientemente forte para me convencer. Para mim, voltar a ter qualquer coisa com alguém do passado (mesmo que o sexo seja óptimo), significa que esse passado não está bem resolvido - e eu gosto de deixar tudo bem resolvidinho. Em segundo lugar, soa-me sempre a voltar atrás, dar o dito por não dito. Não só gosto de manter as minhas posições (a menos que esteja errado), como também sou demasiado orgulhoso para voltar atrás. Além disso, de uma panóplia imensa de gente com quem ainda não se foi para a cama, vai-se repetir cromos? Ainda por cima, segue-se o caminho mais fácil, de caminhos já trilhados, em vez de ir à aventura do desconhecido?
No fundo, talvez não passe mesmo de um quadradão de um cinzentão, que anda a perder experiências novas. Mesmo que sejam antigas.




quinta-feira, 2 de agosto de 2012

À Alexandra, quando o leite condensado não chegar

                                                    
                                            Bella. Credit: Ron Schmidt. Mais, aqui.



Banco da frente ou banco de trás?



Era um copinho de água, sff.

Que duas (ou mais) pessoas adultas não se possam ver à frente, por razões profissionais e que façam a vida negra uma à outra por causa de um lugar ao sol, eu ainda consigo perceber, se fizer um esforço. Não deixa de ser mau e condenável - mais não seja porque o sucesso das equipas depende sempre de esforços conjuntos. Agora que as suas jogadas maquiavélicas tenham repercussões nos colaboradores directos de uma da outra parte, além de condenável, é que já me custa mais a engolir. E duvido que alguma vez entenda.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012