segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O único balanço

que este blog faz é este:


No entanto, não poderia deixar os melhores votos para o próximo ano- que seja tão novo quanto brilhante. 


sábado, 22 de dezembro de 2012

180º


Ponho a última fornada de bolachas de gengibre no forno. Vamos ver se não queimo estas. 
Continua a não parecer Natal. Talvez porque ainda não ter coragem de ligar para o P., para saber da mãe. Para saber o que o médico lhe tinha para dizer. Se tinha de fazer quimio ou radio. Se havia metástases  Ou se calhar, nada disso, que a operação tinha sido um sucesso. Não sei.
É Natal e eu não sinto Natal. Estou farto de doenças. Se calhar pouco me importa que a avó do D. tenha começado a radio ou não, que o pai da L. esteja a passar bem com ela, apesar dos efeitos secundários. Eu é que não me queria importar. O pai do H. foi novamente internado. Eu amassava bolachas de gengibre.
Este ano talvez tenha a mais bonita árvore de Natal. Não sei. Nunca me custou tanto aquela visita. Nem mesmo quando a madrinha do meu irmão, ou o seu cadáver por ela, abrir a boca para comer, como se quisesse comer a vida, que não a queria a ela. Ou ver o avô preso a uma cama, a lutar contra a imobilidade e até a demência. Quantas vezes me debrucei sobre ele para verificar se ainda respirava – tantas quantas não me reconheceu.
Nunca a vi tão fraca, tão em sofrimento. Esforço hercúleo simplesmente estar. E parecer que estava. Pediu-me desculpa por estar tão irritantemente irritada. Mantive o sorriso. Não sei. Quero acreditar que mantive o sorriso. Nunca me custaram as visitas a hospitais. Bem sei o que é esperar pelas duas horas da tarde para que nos venham ver. Para que os dias não sejam iguais. 
Há decorações espalhadas pelos corredores. Uma voluntária montava a árvore de Natal à entrada. Eu ponho as bolachas de gengibre no forno, esperando que não se queimem.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Faltam poucos dias

Mas, mesmo com a casa decorada, postais enviados, presentes embrulhados, continua a não parecer Natal.


Andersen, Hans Christian. Fairy Tales by Hans Andersen 
Arthur Rackham, illustrator. London: George G. Harrap, 1932.

Dramas que me assolam

Onde é que se compra melaço de cana, agora que o Sá fechou?


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

E depois dizem que é a juventude que está perdida

Depois de levar dois encontrões de dois tipos na casa dos sessenta anos, no autocarro, por ir na coxia e ter os ombros largos, só à terceira é que me pediram desculpa. Uma rapariga na casa dos vinte.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Yes, I did it

Cansado do protagonismo que os baby blogs têm e sem ter nenhuma criancinha à mão de semear para concorrer ao Bebé Papa-qualquer-coisa 2012, resta-me pegar no meu mais novo e lançá-lo numa carreira artística internacional. Onde? No blog canadiano Desire to inspire e na sua rubrica semanal Monday's pet on furniture.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Não sei se o sentido de humor

é de Deus, ou dos senhores da Junta de Freguesia. Este ano, apesar da crise, tenho umas iluminações de Natal na minha rua todas catitas, umas luzes caídas das árvores, tal como já esteve iluminada a Avenida da Liberdade, há uns anos. As árvores de ambos os passeios da rua. Excepto na árvore em frente à minha casa. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Queridos CTT, parte II

Sou picuinhas. A minha picunhice é tanta que, para os postais de Natal, procuro sempre selos, nada daquelas coisas autocolantes que saem das máquinas que nunca têm trocos. E, dentro da oferta, os mais bonitinhos - nem sempre com sorte, mas safei-me de presentear os meus amigos no estrangeiro com a cara do Rodrigo (bom, antes desse do que a senhora com a vianetta na cabeça, ou até mesmo aquele senhor que só sabe mesmo declamar).Vai daí que hoje tenha ido novamente aos CTT aqui do bairro, onde estive meia hora à espera de ser atendido. Obviamente, nova reclamação. Do tempo de espera e da resposta à anterior reclamação, que reproduzo abaixo.


Exmos. Srs.,
 
Não sei se tem a ver com o facto de agora apresentarem à disposição dos clientes inúmeros serviços, desde pagamentos à venda de bens e produtos, mas torna-se cada vez mais impossível usar os vossos serviços essenciais (correspondência), nomeadamente na Estação de [freguesia  X de Lisboa], onde o tempo médio de ser atendido é de 40 minutos, a qualquer hora do dia. E é admissível que isso suceda. Ou desdobram a estação em dois, ou coloquem mais pessoal, ou façam filas diferenciadas para produtos relacionados com correspondência, em detrimento de todo o outro tipo de bens e produtos.
 
Com os melhores cumprimentos,
 
Pedro
 
 
Estimado Cliente,
Gostaríamos, desde já, de agradecer o seu contacto, que mereceu a nossa melhor atenção.
Informamos que, poderá dirigir-se a qualquer balcão dos CTT para os diversos temas, excepto para efetuar levantamento de objetos registados.
Mais informamos que, as Estações de Correios têm a indicação do horário em que existe maior fluxo de clientes, o que poderá causar alguns atrasos no atendimento, desde já lamentamos qualquer incómodo causado.
Lembramos  que, para qualquer informação ou esclarecimentos mais detalhados, poderá consultar o nosso site ou ligar para a Linha CTT, disponível dias úteis e sábados das 8h às 22h, através do XXXXX.
 
Com os melhores cumprimentos,
XXX XXXX
Não vou dissecar esta resposta, deixo isso para vocês se entreterem. Acontece é que hoje, como tive tempo mais do que suficiente, aproveitei para verificar o dito horário de maior fluxo de clientes - é um quadro com umas bolinhas coloridas, que costuma estar à porta das estações. Pois bem, nesta, nem sinal. À porta, na montra, no interior. Obviamente, seguiu nova reclamação.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pearls are the girls best friends XIX


Samuel Luke Fildes- Alexandra da Dinamarca,Princesa de Gales.
1893 - The Royal Collection

Anna Karenina


Assisti ontem à ante-estreia do Anna Karenina (ou Tatiana Kárina, como gosto de lhe chamar), no mesmo dia em que uma grande amiga, cujo livro preferido é precisamente este, fazia anos. Graças a um concurso, onde ganhei os bilhetes (estou a tornar-me pró, qualquer dia estou pior que o Senhor Engenheiro). 
Confesso que nunca li o livro (grande falha, mas espero que me recomendem a melhor tradução, até porque fiquei com mais vontade de o ler), nem vi, que me lembre, nenhuma das versões anteriores do filme. Portanto, fui completamente às escuras - à excepção do enredo e do desenlace - não tenhamos ilusões, tal como no Titanic, a coisa acaba mesmo mal.
Confesso que estou ainda sem perceber se gostei ou não. As escolhas cenográficas (e até coreográficas) foram interessantes, mas não consigo perceber se causam ruído (e portanto, desnecessárias), se ajudam à narrativa. O guarda-roupa é grandioso, mas não é deslumbrante (nem rigoroso). Há um colar de umas quantas fiadas de pérolas que parece gritar "fake" em todas as cenas onde aparece. As interpretações medianas - há qualquer coisa na Keira Knightley que me faz lembrar a Salma Hayek e que ao pé de uma Greta Garbo, uma Vivien Leigh ou até mesmo de uma Sophie Marceau, deixam muito a desejar. Aaron Johnson, o seu bigode de meia dúzia de pêlos e a sua égua Frou-frou não são propriamente uma escolha máscula e viril, que se esperaria de um amante militar russo, capazes de incendiar as estepes nevadas. Jude Law quase irreconhecível, quase apagado - como se quer a marido enganado?
Anna Karenina é a dança inevitável para o abismo. Like a moth to a flame. O animal reprimido, irresistivelmente atraído pelo proibido, pelo excesso, pela modernidade, tão bem simbolizado pelo comboio, tudo o que será a causa da sua morte. Amor, sexo e prazer feminino. Tudo o que estava vedado à sua condição feminina, numa sociedade aristocrática e religiosa. Mas não foi o facto de se ter separado do filho, de ter falhado como mãe e infringido as leis, nem tão pouco de ter infringido as normas sociais, onde se pode flirtar ostensivamente, mas não se acaba um casamento por isso, que causaram o desespero de Anna. É a entrega incondicional a quem, na realidade não retribui esse sentimento. E é por isso que saímos de coração pequenino do cinema, por nos fazerem lembrar que, mesmo o amor, é efémero.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Finalmente, um post sobre sapatos


Toda a gente sabe que, neste mundo blogosférico, para se ser alguém (queria tanto!) tem-se obrigatoriamente de se fazer um post sobre sapatos. E chegou o dia. Não, nenhuma marca me contactou para promover algum dos seus produtos nem nada que se pareça. Mas eu não podia deixar de partilhar convosco esta maravilha, sobretudo tratando-se de produto nacional.

Anos de pés chatos, a usar botas ortopédicas, a sofrer com pés frios no inverno, pés inchados no verão, quando na verdade gosto de andar descalço. Acontece que só em casa e, mesmo em casa, a menos que se tenha chão aquecido (isto gostava mesmo), convém andar calçado. Mas o drama, horror, a tragédia. Sapatos de quarto que durem um inverno comigo, é um milagre. Ou o dedo grande do pé sai fora,  ou a sola se descose de lado. Enfim, as desgraças sucedem-se. Tudo o que não acontece com os sapatos de quarto de trapo de Viseu, que se compram algures na Rua Direita (fui lá uma vez, aos anos, agora peço sempre que mos tragam, por isso não sei a morada correcta). Duram anos e são quase tão quentes como os de carneira da Serra da Estrela (que seriam a minha primeira escolha, se ao fim de um mês de uso não estivessem rotos). Além disso, possui um design absolutamente apetecível e irrepetível de tartans, tweeds, pied-de-poudle, todos os padrões que podem existir numa fazenda de boa qualidade. Um mimo para os nossos pés.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dos nomes e de toda a cagança


Dar aos filhos nomes como Lourenço ou Rodrigo, numa longa linhagem de Tatianas e Vanessas; alterar a grafia dobrando LLL, fazendo renascer TH ou até mesmo PH e I gregos, pensando que fazem distinção um clã de estatuto superior de outro inferior, quando na verdade, à época, a grafia nem sequer estava fixada, podendo-se escrever de qualquer forma; acrescentar DE ou E quando não existem, como se em Portugal houvesse a distinção entre ser-se duque de Freixo-de-Espada à Cinta  ou em Freixo-de-Espada à Cinta – sobretudo por parte de pessoas que pensávamos imunes a tais pormenores ou por não precisarem de todo, por ostentarem suficientes pergaminhos ou por não darem importância nenhuma esses pequenos particularismos tão típicos de determinadas camadas sociais, é coisa para me deixar sem esperança na humanidade.