quarta-feira, 31 de julho de 2013

E é a isto que chamam de educação (ou o problema das elites em Portugal)

Resume-se a três linhas. Uma praia do nosso litoral. Um famílias chega, rodeada de crianças (nisto são `muito idênticos aos grupos sociais mais desfavorecidos, reproduzem-se que nem coelhos) e uma bábá.
"-Ó Bernardo [ou Salvador ou outro nome semelhante], não saia daqui!" "- Vai à merda!"


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Deus um dia castiga-me e mais cedo do que penso

Mas não consigo deixar-me de rir quando alguém sofre algum trambolhão. Como o rapaz que ia ontem ao telemóvel, a enviar mensagens e chocou contra um carro parado.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Arrenda-se varanda

para treinar o tiro aos pombos que a puta da vizinha do lado insiste em alimentar com milho e em seguida atirar o saco vazio para o terraço dos outros vizinhos.

Afinal existem ou diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

Alguém das minhas relações do LinkedIn está conectado a um personal shopper.

Não há quem lhes resolva o problema das carências?

E aqueles amigos (da onça) que só falta tocarem castanholas quando os amigos terminam o relacionamento?

(e não nos referimos a casos de traições, violência doméstica e por aí fora)


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Já sei que vão pegar por aí, porque esta vida é mais previsível que as novelas da TVI

Essa coisa da ostentação ser uma coisa má mexe-me um bocado com os nervos. Não me refiro questão do luxo em si. É mesmo da ostentação. Ou seja, podemos fazer tudo e falar tudo, desde que sejamos discretos?
- Posso ter um Rolls Royce, desde que só ande em estradas desertas?
- Posso falar mal de quem me apetecer, desde que em privado e com meia dúzia de amigos?
- Posso comer os bifes que me apeteçam, desde que cozinhados na minha cozinha e servidos na sala de jantar de minha casa?
- Posso ir para a cama com meio-mundo, desde que não seja no meio da rua, porque se for entre quatro paredes já ninguém tem a ver com isso?

Isto posto assim parece-me uma grande hipocrisia.

Pensamentos idiotas que me ocorrem a estas horas da noite, em que continuo a trabalhar

O tempo que se perde em aparar-barra-rapar-barra-seja-o-que-for os pêlos púbicos, ganha alguém em não ter de os tirar da boca.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Das tias-avós

Fui educado para agradecer tudo, mesmo que o tenhamos recebido seja a maior decepção à face da terra. Como os presentes de uma das minhas tias-avó, a quem chamamos lá em casa a Generala, não necessariamente pelo feitio, mas simplesmente ser casada por um coronel, e por ser ela quem manda nele. Ora, a Generala, cheia de caganças, cheias de ouros, mas burra que nem uma porta (não sou eu que digo, mas antes a bisavó, sua mãe), inculta que mete dó, que nem sabe distinguir Fernando Pessoa dos heterónimos, como ela própria se queixava perante as conversas com as amigas durante os chás e as canastas, tinha o condão de oferecer-nos, a mim e a toda a família, os piores presentes de sempre. Os chocolates inenarráveis de sabor a sabonete; as peúgas brancas, caneladas, de péssimo algodão, com uma osga lá pespegada a cola quente trazidas da viagem à Turquia e todo um sem-fim digno de uma câmara de horrores, que me abstenho mais de descrever. Quando nos era dado em mãos, lá abríamos os presentes, obviamente feitos com papel de embrulho de papéis reutilizados há vários natais, fazíamos a nossa melhor cara de espanto, disfarçávamos  o amarelo dos nossos sorrisos e agradecíamos reverencialmente o que quer que nos tivesse calhado em rifa, o que certamente na maior parte dos casos nos faria ganhar um óscar. Pior era quando não estávamos em casa e imperiosamente a Mãe nos obrigava, no máximo dia 26 de Dezembro, telefonar a agradecer à Generala, porque aí havia que nomear o inenarrável presente e adjectivá-lo positivamente de todas as formas e feitios, obviamente classificando-o de forma irreal, porque não há forma de transformar o nada em tudo, o que nos fazia parecer dominar com mestria a arte da alquimia.

Hoje, à distância dos maiores terrores da infância, dou graças a Deus por ter tido uma tia-avó Generala e uma Mãe que levou muito a sério esta coisa da nossa educação. Porque é, de facto, muito desagradável estar em casa de alguém e ouvir outro dos convidados queixar-se que, por uma razão ou outra, o jantar podia estar melhor, entre tantos outros exemplos. Mas acima de tudo, ter aprendido a ver os pontos positivos, mesmo os inexistentes, nas piores coisas que nos aparecem à porta. 

terça-feira, 23 de julho de 2013

Perdoai-me Senhor, que pequei

(e agora podia por a Oração do Calvário, mas as sobrancelhas arranjadas fazem-me espécie, o que não significa que prefira as da Khalo)
Diz que ir à bruxa, astrólogo e tarólogos e afins é pecado, conforme uns folhetos manhosos que estavam à saída (ou à entrada, que isto tudo na vida depende da perspectiva, não é verdade?) da última igreja que visitei e que não foi assim há tanto tempo quanto isso. E de maneiras que pequei. Em sonhos, mas pequei.
Esta noite tive mais um dos meus sonhos maravilhosos, em que o Herman José, que encontrei por acaso na rua e que não só tinha virado um misto de Florbela Queiróz (se bem que se não toma cuidado mais parece a Simara, que das cartas aos cristais é um tirinho) e de cigana insistente junto à Catedral de Granada, como me queria deitar as cartas à força toda. Lá me convenceu e sei que a tiragem na altura me fez todo o sentido (ainda dormia), mas agora que penso nisso, provavelmente deveria consultar um psiquiatra.


Tornar-se-ia muito mais interessante e não nos fariam passar vergonhas

Se existisse uma escola de bloggers e se eu lá desse aulas (de variedades, claro está), em vez dos Maias ou de Ana Karenina tornaria Snobissimo, de Pierre Daninos de leitura obrigatória.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Da livraria que tanto se fala

A verdade é nunca lá fui bem atendido. As empregadas nunca se deram ao trabalho de largar a pasmaceira onde se encontravam ou os diálogos que mantinham entre si, para me atenderam. Quando eram abordadas, nunca sabiam se tinham ou não o que pretendia. Nunca foram antipáticas (como na Ferin, mas eu não tenho culpa de não ter setenta anos e ar de genealogista, embora o ar de beto monárquico pudesse ajudar), embora o serviço não primasse pela simpatia. 
Pelo contrário, boas recordações tenho da Livraria Portugal e muita pena que fechasse portas. Em primeiro lugar por ser um espaço afectivo. Não me esqueço, pelo caricato da situação, da baixa de tensão que lá tive, há uma série de anos, que deu assunto de conversa (e gozo) por quem estava presente - felizmente, apenas uma amiga de faculdade de quem tinha assistido a histórias mais cabeludas e que me fez ter a certeza que não posso baixar-me e levantar-me repetidas vezes, sob pena de me acontecer o mesmo. Em segundo, por lá os funcionários serem realmente prestáveis. Lembro-me de uma ocasião, em que procurava um livro para oferecer sobre um assunto específico, algo tão específico e transcendente como o acasalamento da formiga de pata-branca no período das monções em Madagáscar. Não só a funcionária me indicou os dois ou três livros sobre o assunto, como ainda me fez o favor de indicar qual, na sua opinião, era o melhor. Porque, pasme-se, já tinha lido os três.


domingo, 21 de julho de 2013

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fazes pela calada

Quando no grupo ainda há solteiros, ou recém-separados/divorciados, a coisas leva-se bem. Um bocadinho quando começam a surgir os primeiros casados - as fotos da lua-de-mel, o vídeo do casamento, a decoração das casinhas (todas iguais umas às outras). Ou quando nascem as primeiras crianças - as fraldas, os cócós, as shantalas. O problema é quando, por acaso ou não (eu acredito muito nos fenómenos de grupo), de repente voltou tudo novamente a ser solteiro e as conversas não vão além da prospecção de mercado, avaliação do produto, performance dos mesmos, supressão de potenciais concorrentes e por aí fora. Eu, como sempre gostei da caça solitária e não dar cavaco a ninguém, tudo isto ainda me faz mais confusão, o suficiente para tornar uma noite, que prometia ser divertida, um tédio de morte.



Sancho


Final de tarde. Rumo à serra. Como habitualmente, coberta de nevoeiro. Gosto do moinho, sobretudo quando tem pouca gente, mesmo que não se aviste o mar. Gosto dos pregos, dos mojitos, do bolo de chocolate, do cuidado da empregada em verificar se ainda está em condições de ser servido, não estava, encetou um novo bolo. Dois gatos passeavam-se. Corriam. Chamei um deles, não veio. Ao fim de algum tempo, rendeu-se. Não só veio pedir festas, como acabou por se sentar numa das cadeiras vagas da minha mesa. Adormeceu.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ainda falta muito para o Natal?

Falando exclusivamente de trabalho,  continuo sinceramente sem saber o que é menos mau, entre o trabalhar totalmente só, o que é para lá de aborrecido, sobretudo quando nem companhia para o almoço se tem e que ao final de duas semanas estamos com vontade de: a - dar um tiro nos miolos, b - sonhar com um mundo encantado onde há reis, princesas, dragões ou então trabalhar com colegas chatos e chefes ainda piores com os quais nada temos em comum senão o trabalho que desenvolvemos e que ao final de duas semanas estamos com vontade de: a - dar um tiro nos miolos, b - sonhar com um mundo encantado onde há reis, princesas, dragões.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Querem confundir as pessoas? Deixá-las fora de si?


É muito simples. A qualquer pergunta que vos façam, respondam: "Tanto me faz". Vão ver que resulta.

(o problema é que na maior parte dos casos, diria que p'raí 90% das vezes, sem com isto ser metodologicamente científico, o "Tanto me faz" quer dizer rigorosamente "Tanto me faz", não significa indiferença nem tão pouco passar a batata quente da decisão para o outro lado.

Ovo ou galinha?

Nesta história de J.K. Rowling ter assinado como Robert Galbraith, interessa perguntar o que é mais importante, se a obra, se a sua autoria ou se dependem intrinsecamente uma da outra.


Às vezes disfarço muito bem

Claro que somos mesquinhos. E mesmo que estejamos de bem com a vida, mesmo que ela nos sorria, estejamos apaixonados e numa relação que nos encha as medidas, é claro que, ainda assim, caso um ex-engate passe por nós, acompanhado por um gordo qualquer e nós rodeados de gente gira, é claro que vamos achar piada e rir muito por dentro.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Está um elefante na sala blogosférica



Trata-se da  primeira festa de aniversário solidária da blogosfera: a festa da Ana. Se toda a gente sabe do que se trata, há muito boa gente que ainda não a divulgou convenientemente (zangas de comadre, certamente). Toda a informação aqui.

Continuando nas parábolas

Contava-me ontem a minha colega, que o presidente da Junta lá do sítio onde mora, não podia candidatar-se novamente, à conta da lei do de/da; então que era suposto candidatar-se o número dois do mesmo partido. O número dois era, no caso em questão, a mulher do presidente da Junta. Começara como secretária do senhor, casara com ele, e agora já desempenhava funções de topo no aparelho administrativo da dita; mas que por ironias do destino fora encontrada (literalmente, acrescentei eu) com outro membro do executivo, pelo que então quem iria concorrer ao lugar de presidente da Junta ia ser um vereador lambe-botas do presidente, do mesmo partido e que lá estava há anos, tantos quanto o próprio presidente da junta.

E como se constata, afecta irremediavelmente o cérebro

A parte mais silly da season é ainda não ter posto os presuntos na areia da praia e ter-me  besuntado todo com ecrã total.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Isto na vida é tudo uma parábola

Era para ter falado também no casal possidónio, armado aos cágados (querida, passava das nove da noite, experimente levar uma carteira discreta em vez do saco da praia) que trocou pr'aí umas três vezes de lugar. Aquele numerito do compram bilhetes pobrezinhos e depois tentam mudar para um lugar melhor, ainda nem as luzes apagaram (novatos!) das três vezes não tiveram sorte, mas depois lembrei-me que vivemos rodeados desta gentinha e por isso é que o país está no estado em que está e já ninguém aguenta ouvir falar da crise.

Notas soltas do fim-de-semana

1- A propósito da peça a que assisti na sexta-feira, a genialidade consiste não na abordagem de temas filosóficos, mas sim na integração deles numa narrativa perceptível e intemporal (clássica, portanto); dois bons actores no meio de muitos maus actores fá-los parecer maus actores e assim como assim, para espectáculos de variedades, mais vale ir à revista ou ao Politeama (e o que eu gosto de revista...) (sim, caríssimo António Pedro Vasconcelos, de Ibsen nada tinha e de I.B.S.E.N também não, como lhe poderão garantir todas as minhas amigas bibliotecárias, inclusive as modernas que não usam óculos nem carrapito).

2- A propósito do espectáculo a que assisti no sábado, a dança do varão consegue ser mais artística que outras performances, ainda que devidamente patrocinadas pela Feira dos Tecidos, fazendo vagamente lembrar o sarau de fim de ano da academia de ginástica rítmica ou o festival da canção da Bielorrússia em 1995 (nessa altura já era independente, não era?, que a minha geografia é péssima), interpretada pela Pina Bausch da Falagueira (e o que eu gosto da Pina Bausch!; a Falagueira não sei que nunca fui).

3- Alguém do meio artístico me dizia há uns anos porque é que as pessoas insistiam em ficar até ao final de um espectáculo que não estavam a gostar. Evidentemente porque tem muito mais graça ficar o espectáculo todo a gozar o prato (embora tenha o inconveniente de estar a incomodar os senhores do lado).

4. Porquê as filas para os pastéis de Belém, se aquilo já se tornou comida tipo MacDonald's, que se não se come em 10 minutos já perdeu a graça toda?

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A emição cegue dentro de mumentos

[Separador de O Tal Canal]


O que aconteceu hoje na AR, tal como as manifestações dos últimos meses, fez-me imediatamente associar as palavras de D. Carlos de Noronha, para a Margarida de Sabóia, Duquesa de Mântua e vice-rainha de Portugal, durante a monarquia dual " - Se Vossa Alteza não quiser sair a bem pela porta, sairá a mal pela janela".

O que a nossa classe política ainda não parece ter percebido é que, nesta história, ela é a Duquesa de Mântua (infinitamente com muito menor pinta)