segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Um vómito só

Nunca gostei de exposição pública e falar em público. Ou melhor, desde os dez anos que deixei de gostar ou que isso se tornou algo que me incomoda. Primeiro foi a festa de fim-de-ano da catequese, em que fizemos um espectáculo e a coisa não correu nada bem; alterações de última da hora, mal explicadas, fizeram com que me atrapalhasse todo e a coisa não corresse bem. Pelo menos, para mim e para quem sabia o que era suposto ter acontecido. Depois foi a festa de fim-de-ano do conservatório. A coisa até não correu mal, tirando os infernais 5 minutos em que as micas deslizavam da prateleira do piano como se tivessem vida própria. Ainda cheguei a actuar num teatro, no segundo ano do conservatório, mas aí era em coro e dava para disfarçar, nada como não ficar na primeira fila e abrir e fechar a boca e não emitir sons. 
O problema é que ao longo da vida tive de fazer várias apresentações em público e até agora não há nada que me faça pôr os níveis de ansiedades a níveis minimamente normais. Desarranjos intestinais, tremor nas mãos, garganta seca, perda de apetite, vómitos, há de tudo um pouco. 
Em conversa com amigos, todos me dizem o mesmo: imagina a assistência nua. São capazes de ter razão, se com eles resulta. Mas provavelmente a assistência a que estão habituados têm melhor ar que as minhas.

domingo, 29 de setembro de 2013

E não ser cambra...

Bem sei que os senhores do site das autárquicas estão ocupados a contar votos, mas alguém  lhes diga que Câmara é com acento circunflexo e não com til.


Always the maid, never the bride

A minha vida sentimental tem demasiadas parecenças com a minha vida como cidadão participante nos actos eleitorais.


Agora dá cá a patinha, sff.

As pessoas que partilham no seu mural  que já foram votar, estão à espera de likes ou que lhes dêem um biscoito?


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Contudo, dá-me muito mais vontade de rir

Assistir alguém a fazer a corte a outrem, quer ao vivo, quer no facebook, faz-me sempre sentir como se estivesse a ver um qualquer programa de vida selvagem no National Geographic.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Claro que já seguiu um email para a redacção

Desconheço por completo o mundo jornalístico. Sei que vivem sob pressão, entrega de artigos antes do fecho de edição, etc. Desconheço que revisores haja. Se só gráficos, se só ortográficos e gramaticais. Duvido é que haja revisores de diferentes especialidades. É gritante o número de erros, por exemplo, a nível de legendagem, no que respeita à identificação de personalidades nas revistas cor-de-rosa. Mas são revistas cor-de-rosa e a pessoa fecha um pouco os olhos. Agora quando se tratam de erros grosseiros, históricos por exemplo, em periódicos de referência nacional, é coisa para me fazer comichão. Muita comichão. 


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Bem sei que eram todos pavorosos

Toda a gente ainda comenta os vestidos dos Emmy Awards e ninguém comenta os do último casamento grã-ducal do Luxemburgo? 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

As horas suspensas

Ontem, para não variar, um dia de merda. Uma hora no trânsito que se faz em vinte minutos. Despachei as tarefas que tinha para fazer em duas horas. O resto do tempo, a trabalhar para mim. Tudo em suspenso. As horas suspensas, nenhuma resposta definitiva. Outra hora para chegar a casa. Ligo o PC e parecia morto. Depois de uma hora, entre troca de mensagens com quem percebe destas coisas, lá ressuscitou. Devia estar em modo suspensão e não voltava a arrancar. Os cigarros acabaram-se. Desço ao café da esquina. Não estava o empregado que ao ver-me chegar me põe o maço em cima do balcão. Não tinham os cigarros de mentol a que me tenho habituado. Eu nunca gostei de tabaco de mentol.  Olho para a vitrine. Senti-me como as gordas anafadas que vestem collants que lhes apertam as carnes e olham indecisas para os duchesses e para os São Marcos,  cheios de chantilly, sem saberem qual deles querem que lhes enfeite os cantos da boca de gordura branca e que lhes colmatam as carências. Fui habituado a não ter de escolher. Eu e o irmão dividíamos sempre milimetricamente os bolos. Cada qual ficava com metade de dois bolos diferentes. É bom ter irmãos que nos ajudam a fazer escolhas. A fazer não escolhas. Não tinham brisas, não tinham delícias folhadas. Eu também não gostava de tabaco de mentol. Pedi para me embrulhar um folhado de gila e uma bola de Berlim, com açúcar à séria. Voltei para casa. Deixar o melhor para o fim. O folhado? A bola de Berlim? A vida é feita de escolhas e eu sempre fiz não escolhas. Enquanto isso, a vida está suspensa.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sim, é cor-de-rosinha, que no meu tempo não havia cá nem azul nem verde


Este fim-de-semana fui pela primeira vez à Feira da Luz e achei ser a melhor ocasião para ultrapassar um trauma de infância antigo. Sempre que íamos a uma Feira, a Mãe perguntava-nos (e mim e ao meu irmão) se, por acaso, não queríamos algodão doce. Claro que nunca disse que não. Mas aquilo desaparecia muito rápido; realmente desfaz-se na boca e sempre fui guloso, mas uma criança de seis anos não conseguia dar vazão àquilo tão depressa. E porquê? Porque na verdade a Mãe servia-se do algodão doce como se não houvesse amanhã. Anos mais tarde, confessou-nos. Nós éramos a desculpa perfeita para ela comer algodão doce.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Vôgssféshiônáiráut

E logo à tardinha, lá vão as pobrezinhas brincar às ricaças pela Avenida da Liberdade, Chiado e Príncipe Real, não é?


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Da reentré II

O divórcio de casais famosos; a festa do Avante (à qual fui, para ver se tiram a ideia de que sou monárquico - e devo dizer que estive em tascas bem piores, bem como todos os meus amigos monárquicos); a Manuela Moura Guedes na RTP1 e a gentinha que continua a gozá-la à conta das plásticas; os serviços de marketing e publicidade de grandes marcas mais depressa respondem a questões relacionadas com direitos dos animais do que direitos humanos (continuo à espera da resposta a emails que enviei); a RTP que tem imensos funcionários mas ao menos respondem em menos de 15 horas aos nossos emails; as praxes académicas que nunca se aguentaram, fora os gritos das hormonas descontroladas; a prisão ou o serviço comunitário ou lá o que a outra fez deve engordar; as fotos de pézes migraram da blogosfera para o facebook; os meus anónimos continuam queridos, além de me fazerem a revisão ortográfica e gramatical desejam-me os bons dias; desconheço se a Caras continua a a achar chique fazer uma feijoada; meritocracia é uma palavra desaparecida desde, pelo menos 1789; milhares continuam a brincar aos ricaços em estâncias de luxo em locais de terceiro mundo, onde a população local passa fome; os chefes e os patrões continuam a chegar atrasados às reuniões e a não saber mandar; a Yourcenar nunca recebeu um Nobel, mas ao menos não é citada na AR.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Continua a notar-se que preciso de férias?

A tia Catarina só mandou inventar o garfo porque não era ela que o lavava.

(se tivéssemos continuado à volta da fogueirinha a assar um belo naco de mamute e a comer com as mãos, era capaz de ter sido melhor ideia)


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Da rentrée

O evento do facebook da Vogue Fashion Night Out Lisboa ser organizado pela Foreva (obviamente porque o senhor Louboutin não tem loja cá); em 20 anos (quantos foram mesmo?) da Olá Semanário Kiki Espírito Santo andar a brincar aos pobrezinhos, vestindo-se sempre com vestidinhos feitos pela sua costureira; os bloggers (e não só) andarem a brincar aos ricaços (o que faz a qualificação dos graus dos adjectivos!) desde que se promovem telemóveis diva, vouchers de desconto (diz que há sites e tudo para isso) e restaurant weeks em Lisboa e no Porto; haver gente que nunca foi literalmente comida com os olhos (deixem lá, não é motivo de orgulho, antes pelo contrário); haver gente a continuar a achar que a crise é mais importante que as pessoas.; os guionistas das novelas da TVI continuarem a relatar a realidade em vez de produzirem obras de ficção, que é para isso que são pagos; as piores jornalistas portuguesas, ambas licenciadas em História, continuarem em funções; os cartazes das autárquicas continuarem a reflectir o mundo real que temos; Fornos de Algodres continuam a dar secretárias de Estado (é uma imagem, não levem à letra) e finalmente metade da blogosfera continuar a apontar defeitos à outra metade, como se os seus leitores fossem burros.

(e não, não fui de férias e sim, continuo a ver demasiada televisão)