Nunca gostei de exposição pública e falar em público. Ou melhor, desde os dez anos que deixei de gostar ou que isso se tornou algo que me incomoda. Primeiro foi a festa de fim-de-ano da catequese, em que fizemos um espectáculo e a coisa não correu nada bem; alterações de última da hora, mal explicadas, fizeram com que me atrapalhasse todo e a coisa não corresse bem. Pelo menos, para mim e para quem sabia o que era suposto ter acontecido. Depois foi a festa de fim-de-ano do conservatório. A coisa até não correu mal, tirando os infernais 5 minutos em que as micas deslizavam da prateleira do piano como se tivessem vida própria. Ainda cheguei a actuar num teatro, no segundo ano do conservatório, mas aí era em coro e dava para disfarçar, nada como não ficar na primeira fila e abrir e fechar a boca e não emitir sons.
O problema é que ao longo da vida tive de fazer várias apresentações em público e até agora não há nada que me faça pôr os níveis de ansiedades a níveis minimamente normais. Desarranjos intestinais, tremor nas mãos, garganta seca, perda de apetite, vómitos, há de tudo um pouco.
Em conversa com amigos, todos me dizem o mesmo: imagina a assistência nua. São capazes de ter razão, se com eles resulta. Mas provavelmente a assistência a que estão habituados têm melhor ar que as minhas.



