Este sábado fui ao cinema sozinho. Já o disse por várias vezes aqui; ir ao cinema sozinho funciona para mim como uma terapia. Há quem se enfie no cabeleireiro, há quem vá às compras, eu vou ao cinema. Na verdade, trata-se de uma boa desculpa para estar efectivamente sozinho comigo mesmo e aproveitar o tempo de forma útil. Entre três ou quatro filmes que queria ver, decidi-me pelo Filomena, por muito mau que fosse teria sempre Dame Judi Dench, o que só por si o tornaria um bom filme. De facto, da sua interpretação nada a dizer.
O filme aborda a questão da venda de bebés por instituições católicas na Irlanda que acolhiam mães solteiras, ao longo do século XX. Situação mais perversa ainda ocorreu na Espanha franquista, onde às parturientes era dito que a criança morrera após o parto, quando na verdade era vendida para adopção. Todavia, ainda que a narrativa gire à volta daquela questão, vários são os temas abordados: o facto de precisarmos uns dos outros, apesar da existência de diferenças, por vezes abissais; a Fé: como conseguir mantê-la nas adversidades; a questão da culpa tão bem incutida pela religião, não raras vezes associada à moral e que acaba por ter um efeito perverso de incutir a dúvida, dissuasora da acção.
Todavia, a maior reflexão que este filme nos oferece é o do poder do verdadeiro perdão - não daquele que diz perdoo, mas não esqueço. É o perdão que prefere não se insurgir contra a injustiça, real e óbvia e que não exige desculpas. Este sim, o verdadeiro perdão libertador e o único capaz de garantir o verdadeiro sossego, além de desarmar por completo a parte em falta. Muito poucos seremos capazes de o fazer.