terça-feira, 29 de abril de 2014

Defender o indefensável

A propósito da polémica instalada entre duas figuras públicas, nos seus respectivos blogs - um deles aqui na coluna do lado -  e na imprensa diária (refiro-me a figuras públicas à séria, que por acaso têm blogs, não pessoas que têm blogs e viram depois figuras públicas - um blog, se não for privado, é sempre público, verdade?), lembrei-me deste meu post, no qual mostrava um print screen (ou o grito da impressão, para alguns) da base bibliográfica da Biblioteca Nacional e que atribuía datas de nascimento à Rainha Carlota Joaquina, digamos, um bocado ao lado, erro esse entretanto corrigido (adivinhem lá quem é que enviou para lá um email?)
Ora, erros toda a gente os comete, como quem catalogou e indexou a Senhora D. Carlota Joaquina; já quem escreve livros de história sem recurso à heurística, crítica e hermenêutica, já me parece perceber muito pouco do assunto. 


Percebes que estás a ficar crescido

quando encontras um amigo teu da noite no supermercado, antes das nove da manhã. Ou é isso ou vieram todos morar cá para o bairro. 


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dicionário Português-Pedrês

"- Então, devo ficar em casa a ver o Portugal tem talento na RTP1...
- The voice, queres tu dizer.
- Sim, isso. E depois mudo para a SIC e vejo ainda o Plano inclinado...
- Vale Tudo...
- Sim, isso!"

domingo, 27 de abril de 2014

Lá num país cheio de doutores*

Não consigo perceber a necessidade das pessoas evidenciarem a sua relação com figuras públicas, não só mas sobretudo nas redes sociais. Dizer-se amigo de x ou y, só porque x ou y são figuras públicas, nada abona em favor do seu amigo, sendo um dado absolutamente irrelevante. Não que haja inconveniente algum em ser-se amigo de alguém - figura pública ou não, até porque, nos dias que hoje correm, difícil é não conhecer alguém que tenha tido os seus cinco minutos de fama. Porém, há uma diferença enorme entre dizer que o Fulano Beltrano lançou um livro ou que a minha amiga Tipa Sicrano lançou um disco.

*sim, a partir de um verso da música da abelha Maia, cantada na versão portuguesa pela Fernanda de Sousa, aka Ágata, que não é minha amiga. 


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Não sei o que ela toma, mas também quero

Ontem fui cortar o cabelo. Por si só, acto nada digno de menção, não fora à saída ter encontrado uma conhecida, amiga de um amigo, cujo local de trabalho é ali na zona.
"- Nem te reconheci! Pareces uma estrela de cinema!"

Durou seis segundos. O tempo de me lembrar que o Danny DeVito é uma estrela de cinema.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

De como pode custar caro ficar alapado no sofá

Não é a primeira vez que o passado nos bate à porta. Aliás, é assim o passado, fica agarrado a nós, à nossa pele, não vale a pena esfregarmo-nos uma e outra vez no banho, à espera que saia, que a cola se perca, somos nós e o passado; o devir; não sei se nós nos transformamos em passado, se o passado em nós.
Este sábado estive para não sair. O sofá é tão, mas tão tentador quando se passa o dia a caminhar. Mas não, à última da hora lá me decidi, afinal de contas é sábado à noite, não chove, dog days are over - quero acreditar que sim. 
Depois de muito dançar, lá estavas tu, caminhando na minha direcção, sorrindo, se não sorrisses não te reconheceria - um misto de surpresa, de constrangimento, o que se diz a alguém que não se vê há seis anos, de quem se perdeu o contacto, a amizade, a cumplicidade?
6 anos depois de teres partido, teres ido viver para o estrangeiro, de te ter encontrado por puro acaso na véspera da viagem no meio da rua, encontro-te novamente por puro acaso, num sítio improvável, com companhias improváveis, reconheces-me na escuridão. E eu, que fico desarmado com as coincidências, com o sentido de humor divino de quem escreve direito por linhas tortas, espero apenas que estes anos de afastamento mitiguem os meses de desentendimentos.


domingo, 6 de abril de 2014

Mais uma parábola

Gosto muito daquelas pessoas que enchem a boca para dizer éle-xis-féctori como se estivessem a dizer Monte Carlo, não se apercebendo que o primeiro é um local decrépito e feio, frequentado por pobres casais armados em finos que acham que é um sítio in, quando nunca puseram os pés no segundo.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O impacto do poeta

Se contasse a verdade, nunca ninguém iria acreditar que a primeira vez que tomara consciência de que a sua relação chegara ao fim, fora num dia de Inverno, desses dias de chuva que não pára, junto à estante dos livros de poesia, a folhear a poesia reunida de Maria do Rosário Pedreira, que há meses namorava. Naquele dia de Inverno, naquela livraria de um qualquer Comercial que nunca ia, que nunca iam, lá estavam os dois. Um à porta, esperando, indiferente; o outro junto à estante de poesia, folheando o livro, o nó da garganta a crescer, o esforço para os olhos não lacrimejarem, o corpo gelado à mingua dos seus dedos, cansado de lhe pedir abraços, indiferente aos encontrões apressados das pessoas que iam e vinham.