segunda-feira, 30 de junho de 2014

Dúvidas XXIX

Confesso que não consigo perceber se deva admirar a persistência de alguém que espera que o objecto do seu desejo comece uma relação que dura n anos e espera que esta acabe para então se envolver (após algumas tentativas e golpes baixos) ou se sinta pena por não ter sequer consciência de que se tratará sempre de uma segunda opção. 


domingo, 29 de junho de 2014

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Quem tem amigos, tem cadilhos (ou como eu seria um pai galinha do pior)


Situação: amiga vai pôr um ponto final num relacionamento amoroso, com alguns meses de atraso, um daqueles que já se acabou, mas sem ser por todas as letrinhas (na verdade queria mesmo era ir buscar uns tarecos que tinha lá deixado em casa, coisas de gaja que fazem sempre falta - pares de sapatos e coisas do género, rímeis já fora do prazo, mas não há-de ficar lá nada para uma hipotética gaja que apareça futuramente).

Na véspera, envia-me mensagem e a outro amigo, dizendo: "Vocês deixem os telefones ligados não vá eu precisar que me vão buscar ou que chamem a polícia caso ele me queira prender lá!" Isto, claro, para além do implícito: "Eu mando SMS se isto estiver a ser demasiado mau, para que me liguem para que possa ter um desculpa para fugir de lá a sete pés". Assentimento da nossa parte, palavras de incentivo da minha parte, qualquer coisa como: "É: "vai-te f@der meu grande c*brão" que se diz, ouviste?"

Meio dia e três minutos do dia do encontro: SMS relatando que estava já a caminho do encontro, sem vontade nenhuma (e mais uns pormenores que não vos interessam). Mais palavras de incentivo da minha parte (sem tantos palavrões).


Cinco da tarde. "Porra, mas para conversar é preciso tanto tempo?" - penso eu. SMS: "Estás viva? Ele não vai ver o jogo e deixar-te da mão?"

Cinco e meia. Nenhuma resposta. Começo a pensar em ir ligar para a polícia, hospitais e morgues da zona. (Nunca imagino nada que não tenha faca e alguidar à mistura.) Talvez seja um pouco precipitado. Resolvo aguardar.

Seis horas. Nem sinais de vida nem de morte. Não adianta enviar-lhe mais SMS; recebeu a anterior. Se não respondeu foi porque não quis ou não pode. Não sei porquê. Envio SMS para o outro amigo: " Sabes alguma coisa?". Não, não sabe. Agora em vez de um, são dois a ficarem preocupados. Boa, Pedro!

Finalmente, seis e meia da tarde. SMS: "Está tudo bem. Mas vamo-nos rir, nós os dois.

A sorte dela é que hoje estou bem disposto.



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Com grande pena minha

e do Canal História, são apenas pessoas que viram o meu perfil no LinkedIn e não extra-terrestres.



quarta-feira, 25 de junho de 2014

"Yes, but how big is his danda?"

Há uns anos, a RTP passou uma sitcom inglesa chamada Goodness Gracious Me, não me recordo qual a tradução em português. Havia, entre outros, um sketch recorrente, em que duas mães competiam pelas qualidades dos seus filhos, o qual terminava invariavelmente, depois de uma discussão acesa e com argumentos surreais, com a pergunta: "-Yes, but how big is his danda?".

Na verdade, a realidade resume-se muito mais a isso do que se possa pensar.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Manifesto doceiro

Abaixo a tirania da pasta americana. Das cascatas de fruta. Dos cupcakes, donuts e doughnuts. Bolas-de-Berlim com açúcar em pó. Pastéis de nata de cereja. Bolo-Rei de chocolate.
Queremos cobertura de fondant. Cestos de nougat recheados com fios de ovos. Tibornas. Charlottes. Bábás. Trouxas de ovos. Beijinhos e palitos La Reine. Pingos de tocha.



quinta-feira, 5 de junho de 2014

Da distinção de sentimentos

A minha Avó foi uma dessas criaturas abençoadas com um talento enorme para tudo o que fossem trabalhos manuais, desde a cozinha, costura, bordados, rendas, lavores, em suma. Aprendeu tudo por si só, com a experiência do faz e refaz até que saia bem e, acima de tudo, com o poder (mágico) da observação, que lhe permitia ver algo em qualquer lado, por mais complicado que fosse (renda, por exemplo), e chegar a casa e reproduzi-lo na perfeição.
Por razões que não interessam, vi-me obrigado a fazer um trabalho de bricolage pela primeira vez na vida. Intuição, muita intuição. Vou chamar-lhe de macramé que, não o sendo, é sempre uma oportunidade de usar uma palavra que gosto bastante. Seguramente que, se fosse viva (e tivesse saúde), seria a Avó quem estaria fazer macramé. Infelizmente, não está. Contudo, o trabalho em macramé está a desenvolver-se a bom ritmo e, até ao momento, sem problemas de maior. E isto, que me podia deixar orgulhoso, está sim a deixar-me imensamente grato por ter dito alguém que me tivesse educado na certeza de que com observação, dedicação e esforço, tudo se consegue, dando-me as ferramentas necessárias para me desenrascar sozinho, mesmo em coisas que não percebemos nada. Como macramé.