quando uma amiga da ex-cara metade me encontra e me pergunta o que faço para estar mais giro e mais novo.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Os velhos hábitos
Os velhos hábitos são difíceis de se perder. Em Verões passados, em peregrinação pelo Alentejo que me faz sentir em casa, das planícies a perder de vista, chaparros ou oliveiras solitários no cume do monte, em cada aldeola em que parávamos, depois de adormecer no carro, noites curtas, almoços completos, carros quentes, apeávamo-nos na praça central, coroada pela Igreja Matriz, pela capela, geralmente fechadas. Não perdi o hábito de verificar se as portas estão fechadas nas Igrejas onde passo, se estão apenas encostadas, apanhando desprevenidos os olhares de quem passa, cuidando que estejam realmente fechadas. Deve ser bom ter uma porta que se fecha, qual interruptor, que liga e desliga, abre e fecha, para a realidade desinteressante que quer debruçar em nós, nossos olhos fechados.
Sempre fechada, a capela da Senhora da Saúde, todas as vezes que lá passei. Ontem foi diferente; pude entrar e parar para rezar. Os velhos hábitos são difíceis de perder. Uma moeda para S. Sebastião, santo de um dos nomes lá de casa; pedir três pagelas, como de costume. Os velhos hábitos são difíceis de perder; uma para mim, outra para a Mãe, outra para a Avó; só depois me lembrei que a esta já não lhe faz falta nem pagela, nem saúde, nem Mãe, ao contrário de mim, que tenho de reaprender quantas pagelas pedir, nas Igrejas cujas portas estão apenas encostadas.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Finalmente
sempre a propósito destas festas badaladas, com supostas entradas restritas, guest list, convites pessoais e intransmissíveis, lembro-me sempre da Avó de um amigo, no regresso de uma viagem de cruzeiro, quando inquirida de como tinha sido o ambiente do mesmo, responde qualquer coisa como: "- Sabe como é, pires, fundo de chávena, prato raso e travessa".
Além disso,
parece que se esqueceram que quando os líquidos entram por um lado, têm tendência para sair por outro. Ora se há muita gente, muitos líquidos e poucas casas-de-banho, é natural que haja merda.
Por outro lado,
ninguém fica sequer alegre com cinco gin tónicos águas tónicas aromatizadas com gin.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Experiências post-mortem
Tacones Lejanos, 1991
Na semana passada assisti ao concerto de Luz Casal no CCB e por breves momentos pareceu-me estar a assistir a tudo aquilo, não só o que se passava no palco, mas também na plateia, no outro lado dos camarotes, pelo lado de fora, como se aquela realidade fosse exterior a mim; como se por instantes, se tivesse rompido as conexões de partilha entre espectador / artista, entre espectador / espectador. Depois, a percepção do quão é difícil superarmo-nos a nós próprios, quando atingimos mais ou menos precocemente algum sucesso e da importância de cortamos de vez essa ligação ao passado. Deixar ir aquilo que já não somos, que já não temos, que não queremos. E ressuscitar.
domingo, 5 de outubro de 2014
Ah, o silêncio!
Sabem aqueles filmes de quinta categoria, geralmente comédias, escalão B, que recorrem ao cómico de situação, como escorregar na casca de banana? Este fim-de-semana fui a uma festa. Animada, com um DJ (ou eram mais?). Todo a mesa de mistura em cima de uma mesa e ligada a uma extensão. Agora imaginem uma drag queen desengonçada (se não era, parecia) no cimo dos seus saltos altos , a passar apressada entre a mesa de mistura e a tomada. Pois.
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