O Earl Grey da Mariage Frères está a acabar-se cá em casa.
terça-feira, 31 de março de 2020
segunda-feira, 30 de março de 2020
19 dias
fechado em casa, excepto para satisfazer as necessidades básicas, desde a última saída em público, na estreia de "Dançar em tempo de Guerra", pela Companhia Nacional de Bailado. Uma programação ousada, urgente, uma pedrada no charco, quando os nacionalismos e neo-liberalismos ressurgem - e assombram o panorama político mundial. Porque a arte também coloca o dedo na ferida e nos faz pensar e reflectir, até ao momento em que a realidade nos troca as voltas.
sexta-feira, 27 de março de 2020
Das coisas que me fazem espécie
Compreendo e defendo que as pequenas empresas, de qualquer ramo, sejam e devam ser ajudadas. Grande parte delas são familiares, empregam poucos funcionários e estar fechadas significa a não entrada de receitas, além de que grande parte delas, pelas suas dimensões, não terão almofadas financeiras para aguentar este período.
Já as grandes empresas, cujos funcionários ganham mal e os seus administradores e CEO, tão competentes que não conseguem assegurar uma almofada financeira para nem sequer uma semana de portas fechadas e que ganham rios de dinheiro, comparativamente ao salário médio praticado na sua empresa, já me faz um bocadinho de confusão. Mas, provavelmente, será só a mim.
(também seria interessante, já que se começa a pensar em nacionalizações de empresas e grupos, sobretudo aquelas que incidem sobre bens essenciais, que não fossem só aquelas que estão à beira da ruptura, mas também aquelas que dão lucros milionários, sobretudo aos seus administradores).
quinta-feira, 26 de março de 2020
Amores
Jóias imperiais russas, 1925
estamos fartos de ver todas as notícias falsas que partilham, os vídeos dos vossos treinos (a menos que sejam de ballet, para podermos treinar também), as fotografias dos vossos pequenos-almoços, almoços e jantares, as imagens das estantes de vossas casas e os desabafos dramáticos de quem está em casa apenas há meia dúzia de dias. Se querem ser drama queen, ao menos mostrem-me as vossas jóias de família (não espero menos que uma tiara).
quarta-feira, 25 de março de 2020
Anos a gozar
com o Pai e o seu volume de voz bastante acentuado nas chamadas telefónicas e tu, Pedro Manuel, na primeira aula online que dás, consegues ser ouvido na casa dos alunos sem necessidade de qualquer tipo de ligação.
terça-feira, 24 de março de 2020
segunda-feira, 23 de março de 2020
Ontem não houve post
porque ao contrário de vós, que tendes posto as leituras em dia, todas as séries pendentes, feito as limpezas de Primavera - e provavelmente as de Outono - tenho estado atarefado a trabalhar inclusive ao fim-de-semana - muito embora ontem tenha estado entretido com um workshop online (sim, sim, fechados em casa mas há muito para fazer).
sábado, 21 de março de 2020
O que me tem deixado preocupado com esta crise toda...
é perceber que as pessoas não têm habitualmente na despesa dois pacotes de rolo de papel higiénico nem uma dúzia de latas de atum...
sexta-feira, 20 de março de 2020
Agora percebo
após uma reunião online, onde estavam cerca de 99 pessoas, como algumas pessoas têm dificuldade em estar em casa. Eu também teria, se vivesse naquelas casas horrorosas que me entraram pela menina dos olhos adentro.
(e por favor, quem tenha cabelo comprido... trate dele, sim? Parece que estão com mais 20 anos em cima!)
quinta-feira, 19 de março de 2020
Continuo estupidamente calmo, como há muito não estava
Eu gostava de ter tempo livre para limpar a casa convenientemente, lavar cortinas e reposteiros, limpar armários, roupeiros, despensa, organizar estantes e gavetas, pôr a leitura em dia - até a de trabalho, mas não.
Entre acções de formação online para depois poder dar aulas online (tricky, hein?), pedidos de projectos anteriores nos quais participei - e pelos vistos não podem viver sem mim; entrega de papers anteriormente solicitados, acabo por não ter tempo para muito mais.
(claro, a concentração também não está no seu desempenho máximo. Entrecortada por notícias, telefonemas, videochamadas, tudo isto mais demorado. Desejoso do fim-de-semana!)
quarta-feira, 18 de março de 2020
Nestes dias...
de guerra, pelas palavras de Macron, tenho-me lembrado muito das minhas referências primordiais que formam a minha identidade - e vós sabeis como é importante estarmos conscientes da nossa identidade, nestes e em todos os outros momentos.
Mas, dizia eu, de todas as referências, aquela que aparece mais forte é a da Scarlett O'Hara em Gone With the Wind, sobretudo naquele vestido verde feito a partir de um velho veludo de reposteiro. O coração faz-se de tripas ou de qualquer outra coisa. Mas não se pode prescindir do coração.
terça-feira, 17 de março de 2020
Quarentena, teletrabalho e outras cenas que tais
Estar em casa confinado por tempo indeterminado, mesmo na condição de teletrabalho, não é para toda a gente. Por isso é que há gente que é escolhida para trabalhar das 9 às 17h e outros que são escolhidos para trabalhar com horários flexíveis (sim, são os trabalhos que nos escolhem, não somos nós).
Há muitos, muitos anos, que trabalho essencialmente em casa, tirando os dias que dou aulas, ou tenho de passar o dia em bibliotecas ou arquivos. É outro tipo de isolamento, mas completamente diferente do que estar em casa. No entanto, a habituação não foi fácil; por mais introvertidos que sejamos, temos sempre necessidade de estímulos sociais, imprescindíveis ao nosso bem-estar.
Por isso, deixo-vos algumas dicas para que este período seja passado com a maior tranquilidade possível.
- manter horários e rotinas que se podem manter. Hora de levantar, banho diário, vestir algo que não o pijama, pequeno-almoço. Começar a trabalhar.
- o tempo que era passado no trânsito vai ser necessário para outras tarefas em casa: preparar refeições (é provável que a antiga hora de almoço não seja suficiente para fazer o almoço e almoçar); limpar a casa com mais frequência, pois vai ser muito mais utilizada e fora de casa - as idas ao supermercado, que actualmente podem ser efectuadas noutros horários, onde a afluência pode ser menor.
- ser impreterivelmente mais organizado. Facilita muito termos uma lista de tarefas ou diária ou semanal. Agiliza a planificação, permite funcionar com objectivos e não nos dispersarmos - em casa tendemos a dispersarmo-nos muito facilmente.
- se conseguirmos, ter um espaço próprio para trabalhar em casa, para ganhamos essa rotina e nos sentirmos enraizados - e com isso ser mais fácil realizar todas as tarefas.
- fazer as mesmas pausas que antigamente e aproveitar para andar um pouco em casa
- inserir nas rotinas algum exercício físico e a prática de uma alimentação mais saudável e menos calórica. Os riscos de se trabalhar em casa é tornarmo-nos mais sedentários e isso pode constituir um problema de saúde. Além disso, o exercício físico ajuda a produção de hormonas que combatem estados de tristeza, que é normal surgir em períodos de isolamento.
- limitar o recurso da internet. É muito mais fácil cairmos no erro de ligar o facebook e sermos sugados para lá, ao contrário do emprego, que temos sempre receio de sermos apanhados pelo chefe ou colega. Além de que neste período de fake news devemos evitar ao máximo a leitura de tudo aquilo que nos possa desestabilizar.
- não cair na tentação do: "vou só dormir uma sestinha". Aos poucos vai desregular os vossos sonos, vão dormir pior durante a noite e quando voltarem ao trabalho - porque provavelmente vai ser muito depois do que pensam - vão querer dormir a sesta e não vão poder. Manter um sono saudável neste período é fundamental.
- aproveitar o final do dia para sociabilizar mais activamente, telefonando à família e amigos, fazendo videoconferência. Há muita gente a jantar em casa, acompanhada pelos amigos, através destes aplicativos.
- se estivermos com a família, organizarem-se no que diz respeito a filhos e de como os entreter, para além das tarefas escolares. O objectivo é cada elemento continuar a ter o seu espaço, quer físico, quer social, trazendo as rotinas externas para o lar.
Quem estiver habituado a trabalhar em casa e quiser dar mais dicas, aproveite os comentários para fazer e se tiverem questões, partilhem também!
segunda-feira, 16 de março de 2020
As pestes
Talvez por defeito de profissão, muito embora esteja naturalmente apreensivo, estou calmo com toda esta situação. A história repete-se, de diferentes formas, mas as condições naturais são cíclicas. Não é a primeira pandemia da história da humanidade, mas nunca estivemos tão preparados para tal, não apenas em avanços tecnológicos e científicos, como de organização da sociedade civil.
Não é só com a história que aprendo - e me fortaleço. É com a memória também. Os meus bisavós sobreviveram à pandemia de gripe espanhola de 1918. E à de gripe asiática de 1957, tal como os meus avós e pais.
A situação é apreensiva, mas é importante manter a calma. Para além de seguir as indicações da Direcção-geral de Saúde e da Organização Mundial de Saúde, é importante:
-perceber a importância do Serviço Nacional de Saúde (com todas as suas fraquezas) mas que é insubstituível por privados ou seguros de saúde
-Fazer compras de forma equilibrada e consciente, as rupturas de stock só acontecem com a procura desmedida
- racionar a alimentação em casa - entenda-se não comer os chocolates todos no primeiro dia de isolamento
- Evitar comportamentos inquisitoriais ou pidescos relativamente aos comportamentos alheios: o exemplo é a melhor forma de educação
- Não difundir notícias, imagens, mensagens acerca deste assunto, pois podemos estar a difundir notícias falsas e a incutir o pânico social sem necessidade
- Aproveitar e usar esses mesmos meios para contactar a família e amigos. Beijos e abraços são desaconselháveis ao vivo mas não online
- Estar em casa não tem de ser negativo: há mto para fazer. Apanhem sol à janela, façam exercício, cuidem da alimentação, pois vamos estar todos mais sedentários. Todo o corpo e espírito tem de se manter saudável, e não apenas livre do vírus
- Mantenham a calma. Confiem nos profissionais. Apoiem os cuidadores, formais ou informais. Estejam positivos. Estejam unidos (mas lavem as mãos).
- partilhem nos comentários histórias familiares positivas acerca de crises, pandémicas ou não. Tudo isto é desconhecido para muitos de nós, mas outros já passaram pelo mesmo. Conhecer essas histórias pode ajudar a tornar tudo muito menos assustador.
domingo, 15 de março de 2020
"Um post por dia até ao fim do Corona"
Marlene Dietrich Singing for Troops
Não sei se sou uma velha glória, velho gaiteiro é certo, mas não podia deixar de responder ao apelo do Pipoco mais Salgado e fazer algum serviço público neste período de Covid-19.
São várias a razões que me levam a fazê-lo.
Já há muitos dias que tenho vontade de aqui voltar, embora não saiba bem que histórias trazer-vos. Um pretexto poderá ser uma boa motivação, sobretudo vindo de quem teve a gentiliza de me enviar um email que não esquecerei, num dos mais duros momentos que passei no tempo de vida útil deste blog. Depois, porque sou um cuidador nato. Não daqueles que vai para a frente de batalha, mas dos que vai pilotar fogão para alimentar os que vão para a frente de batalha. Que agora somos todos nós. Precisamos de nos manter calmos, não entrar em pânico e, sobretudo, evitar cairmos em tristeza ou depressão, sobretudo quem não está habituado a isolamento. Cuidar do corpo e do espírito. E nisso, podemos todos dar uma ajuda. Ser uma madrinha nestes tempos de guerra ou uma vedeta a cantar às tropas. Não prometo é ter tanta pinta como a Marlene.
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