quinta-feira, 30 de abril de 2020

quarta-feira, 29 de abril de 2020

A sério que

foram precisos anos e uma pandemia para ficarem fartos de ouvir a gafanhota com a vianetta na cabeça...?


segunda-feira, 27 de abril de 2020

sexta-feira, 24 de abril de 2020

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Agora que a natureza se está a regenerar

os golfinhos a voltarem a Veneza, os dinossauros a Foz Coa, a Maddie à Praia da Luz (too soon?), o que gostava mesmo era que os verdadeiros palitos La Reine voltassem às pastelarias e trouxessem consigo os bolos cobertos de açúcar fondant, os Príncipes (quem não se lembram daqueles bolos redondos de massa similar à dos palitos La Reine, cobertos de doce de ovos, calda de alúcar e encimados por uma cereja cristalizada?) ou aqueles bolos compridos de canela que se chamavam língua da sogra e que se vendiam perto do Hospital de Santa Cruz em Carnaxide?

Tanta petição para tanta coisa e não há para isto porquê? Depois disto tudo a acontecer nas nossas vidas, ainda vamos ter de levar com cupcakes e pasta americana porquê?



quarta-feira, 22 de abril de 2020

Vou ter negativa no exame final

Ainda não rapei o cabelo nem aparei totalmente a barba, ainda só fiz scones, nada de bolos nem pão, ainda só consegui arrumar as estantes, falta-me armários e gavetas e ainda nem meia dúzia de séries papei. 


sexta-feira, 17 de abril de 2020

Quando isto tudo acabar

espero que se lembrem quem achava que era só uma gripezinha; quem teve comentários xenófobos e tentou arranjar um qualquer bode expiatório; quem controlava quem saía à rua desnecessariamente ou queria os militares na rua.

Não precisam dessas pessoas. Nem agora nem nunca.
Essas e quem vos encheu o whatsapp de jornais e revistas pirateados e um sem fim de receitas.


quinta-feira, 16 de abril de 2020

O rei vai nu

e já estou habituado a ser a criança que diz as verdades incómodas, mas alguém tem de dizer o óbvio: o rabo do Albano Jerónimo é uma desilusão.

(quando jantei com o próprio não tinha dado conta, mas, helàs, estava vestido).


terça-feira, 14 de abril de 2020

Os dias de chuva custam mais

que é como quem diz, os dias sem sol. Mas isso já acontecia antes do confinamento. Na verdade, os teus problemas já existiam todos antes do confinamento, porque é continuas a culpá-lo?


segunda-feira, 13 de abril de 2020

Das rotinas e da normalidade

são encomendar o borrego, limpá-lo de gorduras, temperá-lo sexta-feira à noite com alho, sal, colorau, azeite, louro e vinho branco, colocá-lo num recipiente, tapá-lo para que o não deixe cheiros no frigorífico, deitar-me, acordar no dia seguinte, virar a perna do bicho para que a parte superior ganhe sabor, partir as amêndoas de açúcar para o toucinho do céu de amêndoas da páscoa, fazer uma calda de açúcar, derreter o açucar das amêndoas, tirar do lume, temperar os ovos e gemas e juntas as mãos-cheias de farinha, despejar na forma untada e forrada de papel vegetal, colocar no forno, esperar que coza, esperar que arrefeça para desenformar e no dia seguinte tirar a perna do frigorífico, colocá-la numa assadeira com azeite, rodelas de cebola para não queimar, colocar a marinada, ir ao forno, virar a perna, colocar as batatinhas novas com pele, as cebolinhas para assar às quais tirámos a casca, mais as cenouras descascadas, às quais demos uma entaladela em água a ferver; fazer o centro de mesa, não havia cravinas, só cravos, cor-de-rosa, ligam bem com o serviço flor de cedro, estender a toalha de linho bordada pela mãe, pôr a mesa, os talheres estavam areados de véspera, nisto tudo cabe a ausência dos nossos, dos gestos que outros fizeram antes e por nós.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Ontem


para além de mandar vir víveres da praça ao pé de casa, mandei vir também flores. Já me basta estar fechado e a chuva. A beleza conforta-me.


quarta-feira, 8 de abril de 2020

28º dia em casa

e devo dizer que a esta altura estou mais farto de pessoas que anteriormente, bem como de quem sinto mais a falta é dos animais de estimação dos meus amigos...



terça-feira, 7 de abril de 2020

E agora

wanderlusters desta vida, que estão confinados às vossas casinhas, de onde sempre quiseram fugir - e de vós - para tirarem umas fotos naquelas paragens longínquas onde tão cedo não irão e postarem nas redes sociais - para se sentirem socialmente aceites e obterem validação externa, já que crescer e tornarem-se realmente cidadãos do mundo ainda não aconteceu? É agora que vão perceber a importância das vossas raízes e que aquilo que vos prende é aquilo que vos dá a maior liberdade?


quinta-feira, 2 de abril de 2020

Isto de isolamento social tem muito que se lhe diga

e devo dizer que apesar de sair ligeiramente menos à rua, tenho conversado com mais pessoas, usado e abusado das video-chamadas e levado com um sem número de mensagens de fake-news, conselhos-supostamente-médicos-mas-que-contrariam-as-indicações-da-OMS, mais os videozinhos de puxar à lágrima e as correntes de oração barra optimismo e o diabo a sete, tudo enviado por gente que eu até achava que era minimamente inteligente e que fazia uso da massa cinzenta que possuía. 


quarta-feira, 1 de abril de 2020

Há três meses

brincávamos que estavamos a entrar nos loucos anos vinte. Não prevíamos era qual o grau de loucura e distopia em que nos encontramos agora.