sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Cada um tem as redes sociais que merece

A pessoa farta-se de publicitar o seu trabalho, conferências, palestras, seminários. Mas a avalanche de likes - e de pessoas que já julgávamos mortas - só acontece quando dizemos que vamos aparecer na televisão. 


terça-feira, 19 de novembro de 2019

Dos afectos, do passado e doutras coisas que tais

Por vezes regresso aqui, a um passado cristalizado que me ajuda a relembrar quem fui, quem verdadeiramente sou. Procuro um texto em especial, escrito há sete, oito, nove anos por estar a sentir ou pensar no momento presente aquilo que me fez escrever nessa altura. Entro silenciosamente, sem fazer barulho, sem ninguém dar conta da minha presença. Relembro outros textos, outras histórias, outra vida. Sorrio com alguns comentários. Aqueço as mãos à lareira do vosso carinho. 
Às vezes tenho vontade de aqui escrever. Outras, de começar um novo blog. Para um e para outro outro, falta-me tempo, que o trabalho tem vindo a consumir. A minha vida está diferente. Eu estou diferente. O mundo está diferente. Este Pedro que agora vos escreve, não é o mesmo que aqui escrevia. Demasiadas coisas me modificaram desde então. Tenho crescido à força de muita dor - nascitura estava sem faca nos dentes... e isso tem-me feito esquecer de quem sou, afastado da minha essência, que está aqui toda escarrapachadinha.
Dia 23 de Outubro quis cá voltar. Não por saudades do blog, da escrita, mas das pessoas que me seguiam, dos amigos que fiz, pela leitura mútua, pela partilha. Era dia mundial do ballet. Tenho agora 40 anos, cabelos e barba brancos, excesso de peso e comecei este ano a ter aulas, pela primeira vez na vida, de ballet. Para assinalar o dia, partilhei uma foto minha com as sapatilhas calçadas numa rede social. Entre comentários parvos, estavam os likes de bloggers que me acompanharam desde o início do wahparis. Os vossos, portanto. Em cada um desses likes, senti a vossa empatia, mais do que os dos amigos reais de todos os dias e claro, de seguidores anónimos que roboticamente apenas colocam likes em fotos bonitas. Talvez a culpa seja minha, que me despi aos vossos olhares mais do que faço no dia-a-dia. 
O tempo dos blogs foi um tempo especial. Vós sois especiais. Nesta ausência, sei que não fui só eu a nascer novamente; vocês também têm tido partos difíceis. Por isso, este post não é apenas um agradecimento da vossa empatia, é também um reconhecimento das vossas dores, mas também da vossa força, coragem e resiliência. Estamos juntos nisto, seja o que for que o futuro nos reserva. We'll always have Paris.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Isto não é um regresso


Ruins of Detroit by Marchand and Meffre


Voltar aqui é entrar numa casa em ruínas. Nada mais sobeja de mim próprio inteiro. Mil vezes me incendiei, mil vezes naufraguei. Estilhaços bombardeados jazem mortos no chão, fazendo-me duvidar que algum dia estive vivo. 
Voltar à casa de onde parti, é tentar reencontrar-me comigo próprio, com algo que já fui e duvido que ainda seja. Que pedaços de mim levar para o amanhã?