segunda-feira, 22 de julho de 2013

Da livraria que tanto se fala

A verdade é nunca lá fui bem atendido. As empregadas nunca se deram ao trabalho de largar a pasmaceira onde se encontravam ou os diálogos que mantinham entre si, para me atenderam. Quando eram abordadas, nunca sabiam se tinham ou não o que pretendia. Nunca foram antipáticas (como na Ferin, mas eu não tenho culpa de não ter setenta anos e ar de genealogista, embora o ar de beto monárquico pudesse ajudar), embora o serviço não primasse pela simpatia. 
Pelo contrário, boas recordações tenho da Livraria Portugal e muita pena que fechasse portas. Em primeiro lugar por ser um espaço afectivo. Não me esqueço, pelo caricato da situação, da baixa de tensão que lá tive, há uma série de anos, que deu assunto de conversa (e gozo) por quem estava presente - felizmente, apenas uma amiga de faculdade de quem tinha assistido a histórias mais cabeludas e que me fez ter a certeza que não posso baixar-me e levantar-me repetidas vezes, sob pena de me acontecer o mesmo. Em segundo, por lá os funcionários serem realmente prestáveis. Lembro-me de uma ocasião, em que procurava um livro para oferecer sobre um assunto específico, algo tão específico e transcendente como o acasalamento da formiga de pata-branca no período das monções em Madagáscar. Não só a funcionária me indicou os dois ou três livros sobre o assunto, como ainda me fez o favor de indicar qual, na sua opinião, era o melhor. Porque, pasme-se, já tinha lido os três.


2 comentários:

São João disse...

Entrei lá uma vez, em estudante. Só faltou expulsarem-me com uma vassoura. Não tornei.

Alexandra, a Grande disse...

Pessoal, tenho estado meio a hibernar. Estão a falar de quê?