domingo, 17 de novembro de 2013

A propósito de Doris Lessing (1919-2013)


Sem ter lido tudo de toda a gente (que interessa), torna-se difícil escolher um livro ou um autor. Prefiro falar de vários livros e vários autores. Doris Lessing poderá não ser uma das minhas escritoras favoritas, mas tem tem um dos meus livros preferidos (e também um dos que menos gostei). 
Só a li depois de ter ganho o Nobel, confesso, embora já tivesse livros dela lá em casa. O Verão antes das trevas, da Colecção Dois Mundos da Livros do Brasil, herdei da biblioteca dos meus avós; O Quinto Filho, na edição do Círculo de Leitores, na biblioteca da mãe. Este último perturbou-me deveras, marcando-me igualmente, mas pela negativa. Nunca poderia considerá-lo um dos meus livros de eleição. Pelo contrário, o Verão antes das trevas, apesar de toda a carga dramática (ou até trágica, no sentido clássico da inevitabilidade do destino ao qual não podemos fugir, por muito que nos desviemos da rota que tracemos - ou que nos tracem) da condição humana, consegue-o fazer magistralmente sem que acabemos o livro de braços cruzados e conformados, mas sim iluminados com a esperança de que haja luz antes das trevas.

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