segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Philomena


Este sábado fui ao cinema sozinho. Já o disse por várias vezes aqui; ir ao cinema sozinho funciona para mim como uma terapia. Há quem se enfie no cabeleireiro, há quem vá às compras, eu vou ao cinema. Na verdade, trata-se de uma boa desculpa para estar efectivamente sozinho comigo mesmo e aproveitar o tempo de forma útil. Entre três ou quatro filmes que queria ver, decidi-me pelo Filomena, por muito mau que fosse teria sempre Dame Judi Dench, o que só por si o tornaria um bom filme. De facto, da sua interpretação nada a dizer.
O filme aborda a questão da venda de bebés por instituições católicas na Irlanda que acolhiam mães solteiras, ao longo do século XX. Situação mais perversa ainda ocorreu na Espanha franquista, onde às parturientes era dito que a criança morrera após o parto, quando na verdade era vendida para adopção. Todavia, ainda que a narrativa gire à volta daquela questão, vários são os temas abordados: o facto de precisarmos uns dos outros, apesar da existência de diferenças, por vezes abissais; a Fé: como conseguir mantê-la nas adversidades; a questão da culpa tão bem incutida pela religião, não raras vezes associada à moral e que acaba por ter um efeito perverso de incutir a dúvida, dissuasora da acção. 
Todavia, a maior reflexão que este filme nos oferece é o do poder do verdadeiro perdão - não daquele que diz perdoo, mas não esqueço. É o perdão que prefere não se insurgir contra a injustiça, real e óbvia e que não exige desculpas. Este sim, o verdadeiro perdão libertador e o único capaz de garantir o verdadeiro sossego, além de desarmar por completo a parte em falta. Muito poucos seremos capazes de o fazer.

6 comentários:

Na Província disse...

Eu entendo muito bem as idas ao cinema sozinho, eu também o faço e gosto muito. Quanto ao filme, também está na minha lista!

disse...

Pelo tema é daqueles para sair da sala lavada em lágrimas...

Namorado P.S. disse...

Parece-me um bom filme para ir ver sozinho :)

Mulher de Sonho disse...

Vi-o no Domingo e fiquei agradavelmente surpreendida. Não pela interpretação - que já esperava que fosse fantástica - mas pela forma como conta a histórica. Verídica mas tão difícil de engolir.

Isa disse...

Vi ontem, fiz a mesma leitura que tu, mas substituiria perdão por amor, se bem que para perdoar é preciso ter optado pela via do amor (e não pela via do poder, o seu oposto direto), não pelo temor a deus, por medo do juízo final, pelo amor, que encontrámos no coração. (curiosamente, o meu post de hoje também é sobre isso, embora não pareça...)
Bjo

Anónimo disse...

Haja alguém que me entenda. Eu gosto de ir ao cinema sozinha. Em horários "não nobres". Gosto de estar sossegada a "vivenciar" o filme :-)