segunda-feira, 7 de abril de 2014

De como pode custar caro ficar alapado no sofá

Não é a primeira vez que o passado nos bate à porta. Aliás, é assim o passado, fica agarrado a nós, à nossa pele, não vale a pena esfregarmo-nos uma e outra vez no banho, à espera que saia, que a cola se perca, somos nós e o passado; o devir; não sei se nós nos transformamos em passado, se o passado em nós.
Este sábado estive para não sair. O sofá é tão, mas tão tentador quando se passa o dia a caminhar. Mas não, à última da hora lá me decidi, afinal de contas é sábado à noite, não chove, dog days are over - quero acreditar que sim. 
Depois de muito dançar, lá estavas tu, caminhando na minha direcção, sorrindo, se não sorrisses não te reconheceria - um misto de surpresa, de constrangimento, o que se diz a alguém que não se vê há seis anos, de quem se perdeu o contacto, a amizade, a cumplicidade?
6 anos depois de teres partido, teres ido viver para o estrangeiro, de te ter encontrado por puro acaso na véspera da viagem no meio da rua, encontro-te novamente por puro acaso, num sítio improvável, com companhias improváveis, reconheces-me na escuridão. E eu, que fico desarmado com as coincidências, com o sentido de humor divino de quem escreve direito por linhas tortas, espero apenas que estes anos de afastamento mitiguem os meses de desentendimentos.


5 comentários:

Amelia Pond disse...

o passado é tramado :|

Mr. Goldfish disse...

(Sem querer 'rebentar a tua bolha') é por essas e por outras que já não consigo viver em Lisboa...

Pedro disse...

Não sei se percebi o que queres dizer com rebentar a bolha. O mal não é Lisboa, o mal somos nós. E, sem ter a certeza, não acredito que fugir de cidade altere assim tanto.
(até porque no caso este reencontro foi muito bom)

Namorado P.S. disse...

O tempo tudo cura. E as pessoas também mudam.

Cristina Torrão disse...

Somos o nosso passado. Nem mais, nem menos.