quinta-feira, 22 de maio de 2014

O dia em que me devolveram o sorriso

O que custa é o dizer não. Semanas, se calhar meses, de um estado do qual não temos propriamente consciência. Apenas sentimos que não estamos bem, que não é aquilo que queremos.
Quando estamos habituados a só chorar no escuro do cinema, só nos permitimos chorar quando a porta se fecha atrás de nós, atrás de ti, quando a separação é irremediável.
Mas é quando dizemos não, quando treinamos a aprendizagem do não, quando dizemos que sa foda esta merda toda, que os verdadeiros milagres acontecem. Quando é o universo a fechar-nos uma porta, só temos de procurar uma outra e abri-la. Quando somos nós a fechá-la, o universo abre-nos automaticamente outra. No fundo, a mostrar-nos que apenas temos de aprender a fechar a porta.
Foi aí que os nossos caminhos se cruzaram. Súbita e inesperadamente. Do céu, aos trambolhões, a meus pés, eu sem perceber nada do que se estava a passar, qual garrafa de Coca-cola em pleno deserto. 
As feridas por lamber. O medo de me dar. O pânico de te receber. A gestão de sentimentos tão contraditórios como a perda e o ganho. A exposição pública – se à esposa de César não basta ser, imaginem à viúva; as preocupaçõezinhas com as convenções sociais do ainda agora se separou e é vê-lo aí com quem primeiro aparece, que isto dos garanhões, na verdade, é para muito poucos. É tão difícil lidar com a culpa, sobretudo quando não a temos, na verdade as coisas são como são. 
Mas nisto das questões amorosas não há receitas, apenas se sabe que há soufflés que se aguentam mais firmemente. Pouco a pouco, as defesas baixam, as guardas rendem-se; um jogo de crianças do “Abre a boca e fecha os olhos”. É também um grande teste, o (re)aprender a confiar. Por vezes atirarmo-nos de cabeça pode ser a melhor solução, quando a nossa intuição nos diz para o fazermos. Provavelmente esta será a parte mais inexplicável, porque irracional. Mas toda a gente já esteve apaixonada, sabe do que falo. E do que se seguiu. Eu, por mim, vou continuar a sorrir.

10 comentários:

Paula disse...

fico feliz por ti. gosto de perceber que as pessoas que costumo ler estão felizes.

A Chata disse...

Oh, tu até consegues ser fofinho ;)

Magda Cherry Blossom disse...

UauH! Tens toda a razão e, mas eu fiquei estagnada na parte do fechar a porta. Porque fechar a porta resulta na dor de alguém, que não eu, e eu náo gosto de infligir dor nos outros...
Ainda bem que estás feliz!
Muah*

Miú Segunda disse...

De cabeça é que é. O amor não cabe em meias medidas. Boa sorte!

Anónimo disse...

Há tanta gente infeliz, precisamente porque não consegue dizer não, porque se tornou comodista demais para fechar a porta e há por aí tantas portas que deviam ser corajosamente fechadas, seriamos todos bem mais felizes...

Uva Passa disse...

E venha de lá essa PRIMAVERA!

Rita disse...

meu querido, é mesmo assim. tem de haver um dia em que dizes "chega!" e é esse o dia em que mandas tudo às urtigas e sabes que dás a volta. agora... vais ter "recaídas" pelo caminho, mas nunca vai ser tão doloroso quanto da primeira vez. estou apaixonada, estupidamente apaixonada, platonicamente, sem correspondência, como se vivesse na idade média e já tive várias vezes de dizer: basta! e resolvi, no dia 13 de Maio que era o fim. Mas ainda esta noite recaí-me em palavras e sentimentos... mas sei, e sinto que o mundo vai-me mostrar uma outra saída. temos de ser pacientes... beijos do fundo do coração!

Menino De Sua Mãe disse...

Pedro,

Ainda bem que estás bem.

Quanto à opinião dita pública, manda-os dar uma curva. Isto aplica-se a tudo, no amor como na vida: quem esteve calado quando era preciso resolver os problemas não tem nada que dar palpites sobre as soluções.

Boa sorte e um abraço.

Anónimo disse...

Bem... Passo por aqui a lê-lo todas as semanas e gosto... Nunca o comentei. Hoje faço-o porque comungo exatamente do mesmo sentir que descreve. Depois de anos de travão na mão, eis que conheço alguém que faz desmoronar todos os muros, eu que nunca gostei de lamechices, de dormir abraçada, de muitos beijos. De repente aquela coisa de sentirmos em casa....

Pedro disse...

Obrigado :)

Chata: não me estragues a reputação :D

Menino: já dei, já dei (embora na opinião pública haja sempre quem não queiramos magoar, porém não podemos deixar de viver a nossa vida por isso)