segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Sexo e a Cidade



O Sexo e a Cidade revelou-se um epílogo que deixou algo a desejar. Algo lamechas, muito do mesmo e um pouco à parte do que a série nos habituou.
No entanto, 3 surpresas agradáveis – os desenlaces de Charlotte, Miranda e Samantha.

Charlotte, porque é aquela que, no final de contas, todos queremos ser. Pode não ser por aquilo que tem, mas por aquilo que sente. Não se sente todo o dia feliz, mas todos os dias se sente feliz. Mesmo depois de um casamento de sonho de toda uma vida fracassado e de um novo casamento que em nada faria supor a sua longevidade. O marido de Charlotte não é, de todo, aquilo que sempre sonhou para si, mas a relação perdura.

Nunca supus que Miranda perdoasse a Steve após a traição. Porque das três, talvez Miranda fosse a que mais acreditasse no Amor. Só assim se justifica que pensasse que só por amar uma pessoa, seria o bastante para que essa relação durasse. Talvez seja esse o erro praticado na maior parte das relações, acreditando que o sentimento, por si só, seja o suficiente.

Também nunca imaginei que Samantha fosse fiel até ao fim ao namorado (pelo menos em acções!). Mesmo anulando-se continuamente, em prol da relação, este também um dos erros mais recorrentes das relações. E porque nem todas as pessoas são iguais, nem todos temos de o padrão “Casal” (hesitei em usar a palavra monogâmico, que não me parece ser o mais correcto neste contexto), não me entristece minimamente que Samantha fique só.

Carrie sempre foi a tonta de serviço. E novamente voltou a sê-lo. Porquê insistir numa relação de 10 anos, que teve mais altos que baixos e que lhe trouxe tanto sofrimento? Até porque sempre que acabava com Mr. Pig, perdão, Big, fazia realmente algo de útil da vida – assim se explica a remodelação que fez no apartamento, que finalmente, ficou com ar de casa.

E se as três primeiras relações reflectem o quão importante é o sexo na relação amorosa – Charlotte por o ter; Miranda por o desvalorizar e Samantha por o não ter como tinha – Carrie deixa-nos outra mensagem. A da amizade. Porque sem aquelas 3 amigas, o que seria dela?

Por isso, o único toque de Amor de todo o filme cabe à personagem da assistente de Carrie que, apesar de absolutamente deliciosa, é, no meu entender, acessória e desnecessária em toda a trama.

É Amor que falta ao filme. E a nós também.

Por isso, fiquemos com

Amy Winehouse – Love is a loosing game

4 comentários:

David disse...

Pode faltar amor, mas griffes tinhamos lá muitas!

OMG!!! A LOUIS VUITTON!!!!!

Gostei do filme, sobretudo da cena em que a Carrie desfaz o bouquet de flores no BIG. E eu que pensava que se iam abraçar e beijar muito!!

M disse...

Eu não tinha vontade de ver o filme, mas a tua "crítica" despertou-me a curiosidade. Quanto ao facto de a Carrie ser a tonta de serviço... o último episódio da série (que adorei e me fez chorar baba e ranho - linda expressão) teve, para mim, um erro grave: todas as mulheres (ups...todas as pessoas!) têm um Mr. Big - que se comporta, invariavelmente, como um Mr. Pig. Mas o papel desse senhor é ficar no PASSADO! Nunca nos vamos casar com ele e ele não nos vai resgatar a Paris. Fiquei mesmo lixada com a falta de realismo daquele último episódio: aquilo não acontece, porra! E agora ela vai casar-se com ele? Ainda mais estranho. O tipo não mudaria a esse ponto...jamais! Mas como percebi pelo teu texto que, afinal, as coisas não acabam bem, fiquei com mais vontadinha de não esperar pelo DVD.

altar disse...

É engraçado como o mesmo filme pode despertar sentimentos tão diferentes em cada um de nós, como cada um vê um filme diferente... Eu cá gostei mesmo muito do filme. Poder-se-ia dizer que é um mega episódio, claro que sim, inundado de marcas, claro que sim. Mas estas quatro gajas deixam-me doido, confesso. E curiosamente, por baixo dos vestidos de marca e dos sapatos a condizer, das malas, dos restaurantes da moda e dos milhentos homens com que se cruzaram ao longo das séries, eu cá vejo muitas outras coisas importantes e profundas... Vejo sobretudo o valor da amizade que vence tudo e que assume um papel preponderante: elas, formam uma família onde o amor vence tudo. E vejo as angústias e as frustrações do quotidiano, talvez irreais de 4 raparigas em Nova Iorque que mantém um estilo de vida absolutamente extravagante e que passam o tempo ou nas compras ou a lanchar umas com as outras ou a flirtar com homens que geralmente não são os príncipes encantados que parecem ser...
Vejo uma busca incessante, uma procura da felicidade que acaba por nos mover também a todos nós (embora a procuremos de formas talvez mais simples, sem tanto glamour).
Não sei, vejo mesmo muitas coisas
Amor, por acaso, acho que não falta, muito pelo contrário!

Pedro disse...

M.: é isso mesmo - falta de realismo. Que no caso das outras 3 personagens, me parece uma boa surpresa. Não é o caso de Carrie. E não digo mais, para não tirar a vontade de ver o filme. Se for preciso babyssitting...

Altares: claro que o filme é muito mais do que sapatos e restaurantes - tal como fora a série. E também concordo que todas procuram a sua felicidade. O que eu duvido, é que a felicidade de Carrie esteja no Mr. Big. Penso que é dar falsas esperanças de que alguém se pode transformar, do dia para a noite. Tal como a Carrie diz a Lilly, as histórias dos príncipes e princesas encantados só acontecem nas histórias. Mas possivelmente sou eu que sou um descrente.