terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

E sem eu ter aberto a boca, disse-me: “- Temos de saber enterrar no passado aquilo que nos magoou, as desilusões de não sermos correspondidos naquilo que damos aos outros, seja no amor, na família ou nas amizades. E felizmente já aprendi a viver com isso.”
E eu ouvi, revi-me e calei.
Tem mais do dobro da minha idade e trabalha num sítio que costumo freguentar mais ou menos habitualmente. E enquanto arrumo os meus pertences, tenho tido a sorte de ouvir os mais importantes ensinamentos, sem pretender-me ensinar o que quer que seja. Apenas procura partilhar o que a aflige. Sem saber que o fazendo, adivinhasse o que ocupa o mais profundo do meu pensamento.
O problema é que mais dois meses se reforma e eu deixarei de a ver e de conversar consigo. E não terei muito mais gente que me adivinhe. E por mais 30 anos que viva, nunca terei tantas certezas como as dela.


10 comentários:

F. disse...

Agora garanto que fiquei parada a olhar para o pc. Bolas. Tudo o que quero é aprender a fazer isso também.
Há cursos disso?

Pedro disse...

:) Pois, se houvesse... eu também estava lá...

ana disse...

Uma dica: Continuar a olhar os outros como gente e não deixar de ter gestos e palavras por termos medo que nos façam sofrer. Isto é não deixar que as desilusões nos tornem amargos. Não é fácil, mas se estivermos atentos aos outros chegamos lá. Tem um senão: também temos que saber lidar com a solidão.

Adão disse...

Não sejas egoísta. As coisas têm o seu tempo e lugar. E apreende esta sabedoria que te dão agora e nota que um dia poderás perder essas conversas, mas vais ganhar outras coisas, que até então desconhecias ter. Abraço

JS disse...

Acho que há coisas que só se aprende com a idade, mas por outro lado vejo pessoas que com a idade pouco aprenderam...

Olha Pedro, aproveita esses dois meses.

Um abraço*

Vekiki disse...

Pedro, não sei que idade tens...eu tenho 43 e ainda não aprendi tudo o que essa Srª te transmitiu. E aborreço-me com isso! Se já tivesse aprendido, havia tristezas que nunca morariam aqui.
Bjs ;)

teresa disse...

Há pessoas assim, que nos marcam e são lições de vida, e o curioso - modesta opinião - é nem se aperceberem disso, pois a sua simplicidade e gosto de viver são imensos. E isso - fala alguém que já cá anda há uns anitos consideráveis - não se aprende com os melhores conferencistas nem nos bancos de faculdade pois, muitas vezes, essas pessoas "mágicas" nem sabem ler:)
(e espero que o Pedro consiga chegar ao fim do comentário sem um bocejo, mas o post tocou-me por me ter trazido à lembrança poucos mas bons exemplos semelhantes)

Pedro disse...

Ana: obrigado!

Adão: segundo a própria, também vai ter saudades nossas.

JS: espero aproveitar sim!

Vekiki: 29, portanto ainda tenho muito que aprender!

Teresa: mais de acordo possível (e nem me fale de conferencistas que dá logo vontade de despejar impaupérios). E claro que chego ao fim do comentário - eu não sei é como é que chegam ao fim de certos posts.

Anónimo disse...

da'-me licenca?

de, um abraco por mim com ternura a sra.

obrigada

pp

Pedro disse...

PP: toda! E Obrigado eu!