quinta-feira, 12 de março de 2009

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha

Armando Serôdio, Doca de Belém, 1966. © Arquivo Fotográfico - Arquivo Municipal de Lisboa

Aos quase trinta torna-se patético ainda se gostar de Florbela. Mas também nem sempre nos vêm buscar ao entardecer.

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca, Charneca em Flor


Porque houve cansaços e abraços, beijos e desejos.

9 comentários:

Pulha Garcia disse...

adorei o nocturno de chopin. Aos anos que não ouvia.

Apple disse...

Não há idade para se apreciar a beleza.Florbela tem linhas supremas, como estas, e o Nocturno só torna ainda mais belo o poema. Obrigada...

Miss Glitering disse...

Não acho nada patético. Lindo mesmo.

M disse...

Perfeitos, o poema e a música.

Formiguita Bipolar disse...

Confesso que já não me identifico muito (felizmente) com a poesia da Florbela, mas deste continuo a gostar. Muito. E até já tive uma discussão por sms por causa dele...

Quanto à música, fantástica!

:)

Adão disse...

Ai o amor, o amor... Ser romântico ainda está na moda? :P

Diabba disse...

pois eu gosto da Florbela, e reconheci de imediato o título do teu post.

beijo d'enxofre

Noiva Judia disse...

Acho que nunca é patético gostar de boa poesia.

Pedro disse...

Resposta a todos:

Chopin, Nocturnos e em especial este Nocturno fazem mesmo parte de mim.

Eu gosto muito de Florbela; literariamente falando acho que sai favorecida por ser mulher (vá, caiam-me lá em cima!), sentimentalmente falando acho que só aos 15 anos se vibra assim com as paixões. Agora como para mim o importante não é ser bom ou mau, mas aquilo que nos toca verdadeiramente...

Acho que o amor nunca sai de moda, ou então eu, definitivamente, sou um clássico!