quarta-feira, 21 de março de 2012

That awkward moment

em que a cara metade está a mostrar-nos fotografias da juventude. Suas e dos amigos. E dos ex-namorados. É então naquele momento em que tentamos que o sorriso não esmoreça, que na nossa cabeça só pairam imagens de lança-chamas e x-actos e uma explosão que desfaça em mil pedacinhos o que outrora foram retratos. 
(mas sou só eu que fico desconfortável com estas cenas? É que por muito que tente encará-las com naturalidade, acho-as tudo menos naturais - não o passado em si, obviamente, mas a partilha do passado feliz no presente?)

24 comentários:

Amélie disse...

Há-de ser algum tipo inconsciente de defesa eheh Também não acho particular interesse à partilha de informação em demasia. Mas é engraçado. Nós queremos saber como foi, como eram, em que é que somos diferentes. Quando finalmente sabemos, não gostamos, ficamos com um nó na garganta e uma sensação esquisita na barriga. Seres humanos -.-

Pedro disse...

Claro, há sempre uma curiosidade mórbida em querer saber. Não sei se se trata de não gostar de saber, acho que passa por: porra, já foste feliz e não fui eu quem contribuiu para isso. Embora, claro, seja bom saber que a pessoa que está ao nosso lado já foi feliz sem nós. Seres humanos, sim ;)

trollofthenorth disse...

Quando tu pensas que "por mares nunca dantes navegados", vês depois, em formato fotografia que afinal toda a Invencível Armada já por lá passou.
Eu é mais por aí.

Pedro disse...

Depois dos 30, achar que são "mares nunca dantes navegados", nem seria ingenuidade, mas sim estupidez (mal do qual padeço muitas vezes, é verdade). Até porque não há surpresa nenhuma de quantos e quem foram e como são - na era facebook tudo se sabe. É mais a materialização de tempos felizes do passado, ali corporizados, e não uma ideia abstracta.

trollofthenorth disse...

É inevitável. Tiveram toda uma vida antes de nós. Mas sim, compreendo-te. Estranha-se sempre.

Raquel Fernandes disse...

Ou então ires à casa onde moraste uns anos, abrirem juntos um armário e de lá cair uma tela gigante contigo e a tua ex-cara metade de sorriso estampado em NY. Not good :/

Pedro disse...

É essa estranheza que me faz questionar qual a forma correcta de reagir :)

Raquel: essa ganhou. Definitivamente, size matters :P

Kelle disse...

Então experimenta abrir uma caixa num recanto do mais escondido que há no sótao (um lugar esquecido) e encontrares o álbum de casamento do teu actual com a sua ex! :) É bonito de se ver!

Rosa Cueca disse...

Eu também dispenso...
Troco o lança-chamas pelos pequenos cortes de papel + piscina de álcool etílico.

Raquel Fernandes disse...

Size do matter!

Stiletto disse...

Ora já a mim não faz a menor confusão. O que passou faz parte do passado e o presente é meu. Os ex são memórias, esperemos que boas e que contribuíram para fazer as pessoas que somos hoje.

Marta disse...

Como diz um grande amigo meu " Somos o que fomos".
Mas mais estranho ainda é quando não há vestígios do passado, não há fotografias nem memórias contadas.

Gala Potente disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro disse...

Kelle: nunca tinha pensado nisso. Os despojos do casamento anterior. (mas nesse caso abriste literalmente a caixa de Pandora!)

Rosa Cueca: a piscina de álcool parece-me uma óptima ideia! :D

Pedro disse...

Stiletto - mas estamos completamente de acordo. A questão é saber como reagir quando o passado do outro está diante dos nossos olhos. E é precisamente isso que não sei qual a atitude "correcta"

Marta: também nunca tinha pensado na situação oposta. O que é capaz de ser pior, pelo menos a minha imaginação é capaz de dar conta do assunto em 3 tempos...

Pedro disse...

Gala: mesmo contextualizadas e "naturais". Mas é tão somente um desconforto, tenho é uma imaginação muito fértil ;)

Jibóia Cega disse...

O que lá vai lá vai mas nao é preciso apagar o passado, há que ter huevos para admitir que elas já foram felizes (muito felizes) antes de nos conhecerem. O resto é poesia ;)

Pedro disse...

Acho que é por aí, Jibóia. Não que queira apagar o passado, mas ter de admitir isso é que custa (ainda que nós estejamos exactamente na mesma posição). Mas também não me vejo a mostrar fotos de ex com a maior das naturalidades, de qualquer das formas, mesmo estando o passado arrumadinho e coiso e tal.

Kelle disse...

Deixemos o passado onde ele deve estar: no passado!

Helena disse...

Estou casada há quase vinte anos, e nunca me ocorreu ao meu marido pedir-lhe para ver essas fotografias, ou mostrar-lhe as minhas.
Bem sei que tudo isso faz parte de cada um de nós, mas é uma parte de cada um de nós que não diz respeito ao outro.
Provavelmente não sentiria qualquer espécie de desconforto ao vê-las, mas é algo que não me interessa minimamente.
(Pedro, aquele Craig Armstrong na banda sonora é uma maravilha - obrigada!)

Helena disse...

"e nunca me ocorreu ao meu marido pedir-lhe"
- saia um prémio nobel da sintaxe para a mesa do canto...

Pedro disse...

(eu também sou muito dado a nobéis desses :D)
Aconteceu, ninguém pediu para ver nada. É natural que entre tanta fotografia antiga apareçam algumas que não nos interessassem. E racionalmente não nos interessa, mas há sempre dentro de nós uma vizinha cusca, não? ;)

Craig Armstrong tem coisas muito, mas muito boas!

Ventania disse...

Obrigada, Pedro. Andei durante uns tempos a acreditar que era ET, que toda a gente aceita serenamente recordações de amores anteriores e que só eu não conseguia engolir muito bem. Obrigada.

Helena disse...

Pedro: acabei de te roubar o Craig Armstrong para um post. Pois lá teve de ser...
;-)