segunda-feira, 25 de novembro de 2013

No fundo, no fundo, eu sou um sortudo

Há coisa de cinco anos atrás, quando mudei de casa e por ocasião do meu aniversário, dois amigos ofereceram-me um quadro. Bom, uma amiga e um amigo que não sei, entretanto, como lhe chamar; as pessoas afastam-se sem justificação, já me interroguei que merda terei feito (facilmente assumo as culpas, até da fome do mundo), pelos vistos não suficientemente importante para falar comigo e esclarecer as coisas. Dizia eu, ofereceram-me um quadro. Melhor, uma moldura daquelas para várias fotografias. E que fotografias escolheram? As de umas férias em que passámos os três juntos - bem divertidas por sinal - em que sou eu o retratado. Uma sequência de figuras tristes, divertidamente tristes, em pleno largo da Pousada de Estremoz, as quais me recuso descrever, ainda tenho uma reputação blogosférica a manter, poucochinha, mas tenho. A moldura só poderia ter um destino: o meu quarto. Retratos do próprio só num canto privado, ainda mais numa situação tão constrangedora - como seriam as reuniões de condomínio com aquilo pendurado na sala?
Pendurado que ficou durante cinco anos, mesmo por cima da cabeceira da cama (sim, alguns engates terão visto, mas assim como assim também me viram a fazer outras acrobacias, portanto a coisa disfarça). Até quinta-feira passada, quando chego a casa ao final do dia e tenho a ripa inferior da moldura num ângulo de 180º e o vidro a escorregar lentamente, faltando muito pouco para cair por completo. No meio desta história, uma sorte dos diabos; se fosse durante a noite, não sei o que teria acontecido.

(Entretanto, colocou-me outro problema, bem menor, é certo: o que colocar na parede? Até o meu mais novo olha para o gancho e mia, desaprovando a nudez da cabeceira.)


5 comentários:

São João disse...

Troco sempre os vidros das molduras por acrílico. Tenho muita tendência para levar com coisas na cabeça (será um sinal divino?) e nunca se sabe quando será o próximo tremor de terra. Já levei com a edição dupla do pantagruel na cabeça e não é uma boa experiência.

Pedro disse...

Essa é uma boa opção, de facto e algumas costumam já ser acrílico.

Acho que pior que o pantagruel, só mesmo a Bíblia. Versão ilustrada, claro está.

disse...

Molduras sobre a cabeceira da cama são um perigo...mais vale na parede oposta, de frente para a cama ;)

JB disse...

Também tenho um quadro de puzzle que fiz há uns anos do Cafe de Nuit. De vez em quando também penso que, se aquilo cai, sou degolada durante o sono. Acho que está na altura de o substituir. ;-)
Se tiveres uma boa ideia para preencher a parede, partilha :-)
Um beijinho, JB

pedro disse...

Poderei sugerir a Portal de São Domingos para um competente arranjo da dita moldura que, após intervenção, poderá voltar ao seu devido lugar...