segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A farsa d’O Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry

Gerações de crianças e adultos leram ou foi-lhes lido este pequeno conto, que mais não é que uma alegoria do crescimento e da importância do amor. Cresceram fazendo dele um lema de vida. Todavia, incorreram no próprio erro de quem nunca o leu. Poucos usam o coração para ver o que é realmente essencial. Na verdade, toda a gente deixa os olhos e a razão sobreporem-se ao coração. Pior, a insistência de sermos responsáveis por aquilo que cativamos (no original apprivoiser, que apenas em tradução livre significa cativar) apenas tem causado problemas que poderiam ter sido perfeitamente evitáveis se as pessoas percebessem a enorme diferença entre as qualidades inatas do ser humano e as que decorrem da acção deliberada, utilizada com um objectivo próprio e esse sim, nem sempre o melhor. Para além disso, culpar os outros pela atracção que estes exercem em nós, quando na verdade nós temos a capacidade de nos deixarmos ou não cativar, é, além de uma enorme burrice, a prova de que caímos facilmente nos mesmos erros que acusamos os outros.


7 comentários:

Teresa disse...

O Principezinho deve ser o livro mais overrated da história.

Maria Fonseca disse...

Coisas que eu poderia ter escrito, mas não sabia muito bem como.
:-)

Namorado P.S. disse...

Li isto de uma maneira amarga. Mas devo ter lido mal.

A Mais Picante disse...

Não gosto Pedro.
O Principezinho é um livro realmente bonito, fala de amor e amizade de uma maneira simplesmente deliciosa. Não me interessa se usa metáforas e se na realidade não somos responsáveis por as pessoas se deixarem cativar por nós, se bem que eu acho que, de certa maneira, até somos... eu não cativo se não fizer um esforço por isso.
Não quero saber se é overrated. Gosto e pronto.

Verónica Sousa disse...

Não desgosto d'O Principezinho, as citações é que me desgastam.

Menino De Sua Mãe disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Menino De Sua Mãe disse...

O Petit Prince tem o problema da linguagem figurativa quando traduzida, abusada e descontextualizada.

É um livro belíssimo, que muita gente nunca leu do princípio ao fim embora ache que sabe a história toda porque leu os resumos na TVGuia e tira citações da net.

E já agora, "apprivoiser" é, tal como dizes, tudo menos "cativar" no sentido em que toda a gente pensa. No contexto, é "domesticar" - na acepção em que ao retirar a alguém as suas reacções inatas para as substituir por reacções socialmente aceites, te tornas responsável por suprir as necessidades que essa substituição provoca. Mas isto é mais profundo do que versão la-la-la que as pessoas preferem ter do Petit-Prince, acham que é um livro lindo sobre a amizade e um planeta pequenino onde uma raposa ensina um menino a desenhar ovelhas, ou coisa do género.