quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sangue frio

Quando terminas uma relação, inicias um processo de desintoxicação. Sim, desintoxicação. Não é só o cheiro do Outro que deixa de estar agarrado à roupa da  tua cama, à tua roupa, à tua pele; nem tão pouco o calor do seu corpo que deixa de estar encostado ao teu, orfão de contacto e carinho. Aos poucos começas a sair da rotina a que estavas preso, à mensagem de bom-dia, o telefonema ao final do dia quando não podiam estar juntos. Deixas de ver os seus programas preferidos, de cozinhar os seus pratos preferidos. No fim-de-semana levantas-te logo da cama porque não há motivo nenhum para lá continuares, não vais ao café onde costumavam ir, porque agora a tua única companhia é o livro que levas debaixo do braço.
Com tudo isto, te arrancam a ferros de mim.

8 comentários:

Na Província disse...

Tudo isso faz parte e tudo será ultrapassado, criam-se novas rotinas, há novos interesses e a vida continua. O tempo cura tudo, é uma grande verdade!

A Chata disse...

Está tudo dito.
Até ao dia em que já nada disso faz diferença. Em que lembras mas já não dói.

Mulher Mesmo de Sonho disse...

É cliché mas é (mesmo) verdade: o tempo cura. Talvez ainda piore antes de melhorar. Quando as saudades parecerem impossíveis de superar, quando aparecer alguém que faz lembrar mais dos motivos que nos levavam a amar a outra pessoa. Mas depois há um dia em que não nos lembramos. E depois outro. E depois é uma memória boa mas que já não dói.
O tempo cura.

Mep disse...

Sabes que o coração não se gasta?
Tem quem chega, toca, ocupa, depois foge e leva o melhor de nós.
Nós ficamos, aguentamos, aguardamos e acompanhamos o vazio que ficou. Depois o coração abre-se novamente e volta a ficar a cheio.

Menino De Sua Mãe disse...

Pedro,

Hábitos novos. Inventa novos. Só para serem novos, só para serem teus. Nestas fases há que evitar o espaço vazio, evitar que tudo seja sobre o que já não está lá, evitar que tudo seja sobre o passado.

Condicionar o tipo de coisas que se faz - é demasiado fácil cair no rebound do demasiadas festas, demasiados amigos e conhecidos, demasiados excessos. Mas, controlado que esteja isso, é crias coisas novas, coisas tuas. Take control.

Um dia reparas que já não sentes a falta de nada. Podes recordar, mas não sentes falta. E aí, és livre.

Namorado P.S. disse...

Custa-me tanto ler estes posts...

Pulha Garcia disse...

Sim, há um luto. Que perdura e nalguns casos, para te ser franco, nunca vai deixar de estar lá, mesmo após anos. São as regras do jogo. Sucede apenas que vais tendo outras oportunidades por cada uma das pessoas que deixam (por desamor, por morte, por carreira profissional, etc) de estar na tua vida. A vida adulta é muito à base de perda mas a perda é fundamental para decidires melhor e, ironicamente, seres mais feliz. (e isto diz-te um gajo que apesar de não se poder queixar ainda há duas semanas foi ao cinema sozinho ver "a golpada americana", apenas porque me apeteceu e ninguém vinha comigo)

Nada disse...

É uma fase nem sempre fácil de superar e por vezes demora algum tempo. Mas assim que concluimos um dia que estamos "livres"...respira-se um novo ar e vê-se tudo com outros olhos. Também faz bem =)