Fotografias Alfredo Rocha / TNSC © 2012
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Carmen à Lisboeta
Tomei conhecimento de que no início do século XX existia em Lisboa um número considerável de cigarreiras. O que me deu logo a ideia de produzir uma Carmen passada em Lisboa, no início do século XX.
As personagens:
Carmen não precisava de ter tornozelos finos para dançar flamenco, bastava saber traçar um xaile porque seria, além de cigarreira, cantadeira de fado, das que teria virtude, porque até saberia o fado da Senhora da Saúde.
D. José e Micaela seriam de Viseu, portanto só teriam de preocupar com o sotaque. É pena não existir sotaque em Alcochete ou Vila Franca porque, assim sendo, Escamillo também o teria. E seria forcado e não toureiro.
Os espaços:
Praça junto à Fábrica de Tabaco: não faço ideia onde seria, provavelmente em Xabregas, mas o Rossio parece-me bem. Duas fontes em palco dão outro sainete.
Taberna: Não há outra hipótese senão pô-la em Alfama, onde se canta o fado. Com menos toureiros e com mais marinheiros, tatuados de preferência, para dar um ar credível à coisa. Com uma mamalhuda desnudada, a piscar o olho ao quadro do Malhoa e ao busto da República.
Refúgio dos contrabandistas: fica longe de Alfama, mas acho que Campolide, junto ao Aqueduto das Águas Livres, para que não haja dúvida que a acção se passa em Lisboa (isto não tem de ser credível, tem é de se pensar em bons cenários).
Praça de Touros: esta é fácil, a Praça do Pequeno, mas sem centro comercial.
Pormenores:
Em vez de uma habanera, obviamente um fadinho. Picadinho, que o Menor de sensual não tem nada.
A flor que D. José atiraria só pode ser uma bela sardinheira encarnada, tirada de uma qualquer sacada da janela.
No lugar da seguidilha, o malhão de Águeda.
Na taberna, cujo taberneiro se chamaria Quim d'Adega, não se beberia manzanilla, mas sim vinho carrascão, em copos de 3.
Os bandidos seriam traficantes de armas, para a causa republicana (deve haver algures toureiros republicanos).
As cartas usadas para lançar a sorte seriam das que se compras nas feiras por esse país fora e que fazem sucesso nas festas, daquelas com gente despida.
O coro de criancinhas no final seria substituído por um grupo de cantares alentejano.
O dueto final incluiria a estrofe popular: “O anel que me deste era de vidro e partiu-se; o amor que tu me tinhas era pouco e acabou-se”. Obviamente de prata dourada (um sargento pouco receberia), comprado na Leitão & Irmão.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
A Sónia
Aqui há umas semanas atrás, passava num canal qualquer do cabo um daqueles programinhas meio realty show em que basicamente consistia em meia dúzia de mulheres que tinham acabado uma relação e estavam no programa para, após um programa de emagrecimento e exercício físico intensivo, e após umas quantas aulas de dança, participarem num espectáculo final de Burlesco para os seus ex. Ora, tendo em conta que, depois de ter um blog e de gravar vozes para uma longa metragem de animação, um dos meus grandes sonhos é ter uma casa de entretenimento nocturno dedicada a shows de burlesco, obviamente que o programa despertou a minha atenção (só por causa disso, claro).
Uma das concorrentes da primeira série, era um verdadeiro prato. Não me recordo o nome (nem interessa). Interessa sim, que tinha um excelente sentido de humor (mesmo depois do marido a ter deixado após ter descoberto que tinha cancro), que depressa se tornou a minha preferida.
Mas não só. Pela sua excentricidade, fez-me também recordar uma colega minha de faculdade. A Sónia. A Sónia, se eu conseguir descrever, seria algo irreal. Tinha um estilo meio hippie, mas discreto. O seu pequeno-almoço era composto de café e coca-cola; agarrava-se aos colegas quando tinha boa nota (um treze, vá) e gritava: "Estou tão feliiiiiiiz". Ora, por todas estas peculiaridades, diríamos que Sónia só havia uma, de tão única que era. Estavamos profundamente enganados. A Sónia tinha uma irmã gémea. Tal como a concorrente do programinha.
(porque me lembro de levar walkman para a faculdade e a Sónia dizer-me que tinha os LP em casa, desta mesmo gravação histórica; casa essa que ficava na mesma rua onde morei uns quatro ou cinco anos).
quarta-feira, 11 de março de 2009
O São Carlos no século XIX
Gravura Charles Legrand, litogafia Manuel Luis. © Biblioteca Nacional Digital
Fui ontem aos concertos comentados no Foyer no Teatro de S. Carlos. Durante o mês de Março, todas as terças-feiras às 18 horas (se bem que às 17:30 já não há lugares sentados), dedicados ao Teatro de S. Carlos durante o século XIX. Reportório, cantores, empresários, de tudo se fala um pouco (sobretudo se ficarem ao lado de alunos do Conservatório - com sorte, a Professora dos ditos senta-se ao vosso colo também).
E ontem foi cantado o terceto do terceiro acto da ópera Saffo, de Giovanni Pacini, que aqui vos deixo. É também uma gravação ao vivo, de Abril de 1967, de outro Teatro de São Carlos, o de Nápoles, com Leyla Gencer (eu avisei que voltaria a falar dela!), Tito del Bianco e Franca Mattiucci. Dirige a orquestra Franco Capuana.
(Pacini, Saffo)
sábado, 7 de março de 2009
Dos sábados de manhã
Acordei tardíssimo e fui ao pão. Ainda assim, tinha saído uma nova fornada, de maneira que me lambuzei com pãozinho quente (fresco, mais fresco, não há!). E agora, se não se importam, depois de me armar em mete nojo com o pão quente (deixem lá, vai tudo acumular-se na barriga, portanto não invejem) vou só ali fazer a faxina ao som de Diana Damrau, que ontem foi a minha banda sonora o dia inteiro, em modo repetir.
Isto para verem que não oiço só gente morta, nem quase defunta. O que ajuda a manter a esperança de futuros talentos de outrora.
Quando estive em Londres, obviamente que não pude deixar de entrar na Royal Opera House. À entrada da loja, tinha um pequeno cartaz, home made (uma simples folha em branco impressa) dizendo qualquer coisa como Madame Diana Damrau will appear in this theatre for a concert in November, qualquer coisa como duas semanas depois de me ir embora...
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Do Pó, Cinza e Nada
"Primeiro, percorremos as livrarias para ver se já está à venda. É com um sorriso que pegamos nele pela primeira vez.
Depois, são os amigos que nos mandam MMS, com fotos de escaparates ou de montras. E aí ganhamos consciência da dimensão da coisa. É nessa altura que nós nos tornamos um livro aberto. De papel que se rasga. De papel que se queima. E nunca nos sentimos tão frágeis, porque tão observados e avaliados.
E é nessa altura, que desejamos ser Regina Pacini e que um qualquer Marcelo Alvear (ou direi Don Quixote?) destrua toda e qualquer prova da nossa existência."
Depois, são os amigos que nos mandam MMS, com fotos de escaparates ou de montras. E aí ganhamos consciência da dimensão da coisa. É nessa altura que nós nos tornamos um livro aberto. De papel que se rasga. De papel que se queima. E nunca nos sentimos tão frágeis, porque tão observados e avaliados.
E é nessa altura, que desejamos ser Regina Pacini e que um qualquer Marcelo Alvear (ou direi Don Quixote?) destrua toda e qualquer prova da nossa existência."
Regina Pacini (1871-1965) foi uma cantora lírica portuguesa, filha de pais Italianos. Da sua legião de admiradores, contava-se o Rei D. Carlos e Máximo Marcelo Torcuato de Alvear Pacheco, que lhe oferecia dúzias e dúzias de rosas encarnadas e brancas e o qual acabou por desposar. Marcelo ascendeu à Presidência da República Argentina. Procurou comprar todas as gravações da mulher (entretanto retirada do mundo artístico) para depois as destruir, de modo a que ninguém mais a ouvisse. Não o conseguiu, mas Regina foi-lhe afeiçoada até à hora da sua própria morte.
Henry Purcell, The Fairy Queen - The Plaint: O let me weep, for ever weep
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
"L'elisir d'amore" II
E que tal o Elixir, perguntar-me-ão. Bom, muito bom. Os cantores, irrepreensíveis. Souberam levar o seu barco a bom porto (arrepiei-me várias vezes - o meu barómetro pessoal de qualidade). O Coro de Câmara Lisboa Cantat, justiça lhe seja feita, teve melhores momentos que o Coro do Teatro Nacional de São Carlos. Definitivamente, não estávamos perante trabalho amador, antes pelo contrário; perceberam-se as horas e horas de ensaio que estiveram por detrás desta produção.
Produção que não choca por vermos uma aldeã em fato de banho, agarrada a um computador portátil. Talvez choquem as pequenas incoerências - o cd que se recebe quando se deveriam receber uma carta, ou um perfume em vez de uma flor. Mas como a Teresa diz, e bem, poucas coisas na Ópera fazem sentido. No entanto, não percebo porque é que nestas novas produções tem sempre de aparecer uma hélice barra ventoínha gigante barra o que lhe quiserem chamar. Juro que não percebo - podem aproveitar e explicar-me. E já agora que barras eram aquelas, quando Nemorino cantava Uma furtiva lágrima?
Uma, e não Una, porque toda a ópera foi traduzida para português. De antemão avisado pela Teresa, que ajudou que o susto não fosse maior. Mas confesso - não me chocou minimamente. A tradução não era má, de todo, e conseguiram-se boas sonoridades na Língua Portuguesa. Chocar-me-ia mais o desrespeito pela partitura, que o desrespeito pelo libretto.
Desrespeito pelos artisas terá havido. Não se bateram palmas à entrada do maestro e uma sala que metia dó. Tudo juntinho no primeiro balcão talvez o enchessem.
Certo é que o Elisir tem um força pujante. Verdadeira música popular, mas de qualidade - entra nos ouvidos e de lá não sai. Saí de lá a cantarolar (mal, claro). Como não tinha nenhuma gravação completa da ópera pensei em correr à Fnac mais próxima e comprá-la. Bati com o nariz na porta - estava a fechar. Mas há mais Fnacs nesta cidade. Lá, o pânico, o horror. Não tinham a da Sutherland com o Pavarotti (muito mais por ela que por ele, confesso). E nestas coisas, ou se se compra o melhor, ou não se compra. Tinham uma com a Kathleen Battle, igualemente com o Pavarotti, mas eu querida mesmo era a da Sutherland. Outra com o Di Steffano, mas o soprano não me dizia nada (sim, confesso, compro sempre em função do soprano, não tenho culpa de gostar mais de vozes femininas). Eis senão quando olho melhor - e será que estou a ler bem? Tinham um Elisir com a Bidu Sayão! Ora a Bidu Sayão não é estupenda, nem sequer divina. Mas tem um timbre que eu adoro, e ainda por cima, não tinha nada com ela. Claro que veio comigo para casa.
Curiosamente, estavam a passar na Fnac o Maria, da Cecília Bartoli. Que eu não tenho, só em cd. E por alguma razão é... Está mais magra, veste um pouco melhor... mas as mesmas caras de sempre (sim, Teresa, essas) e... aquele cabelo? O que é aquele cabelo?* Mas coração que não vê.... coração que não sofre. E para a ouvir, gosto bastante. Não tem uma voz potente, mas em agilidade**....
Mas bom, bom mesmo, foi chegar a casa e ter o mail com o L'Elisir d'amore, com Dame Joan Sutherland e Pavarotti!
*Pior, pior mesmo, só algumas capas dos cds de Dame Kiri Te Kanawa, já com o devido desconto de ser vintage...
** Comecei a ouvir ópera em 1997; em 2002 ou 3, não me recordo, passaram um recital da Bartoli na Rtp - ninguém que eu conhecesse, que gostasse de ópera a conhecesse, mas também nenhum expert como a Teresa...
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Callas em Lisboa
De 12 de Julho a 21 de Setembro, no Museu da Electricidade.
A exposição tem site: http://www.callaslisboa.com/
A biografia aí presente, não apresenta nada de novo. Discordo quando se diz que Callas influenciou Sutherland - nem mesmo de reportório consigo perceber o porquê de tal afirmação; Montserrat Caballé foi muito mais influenciada por Leyla Gencer do que pela Callas (oiçam os pianíssimo de uma e outra e comparem); não conheço nenhuma Bervelly Sills, mas sim Beverlly Sills (não se justifica uma gralha deste género); Marilyn Horne é mezzo, e não soprano, como toda a gente sabe. E de Lucia Aliberti, não se fala? Que até a aparência física é semelhante à Callas?
Mas como até ao lavar dos cestos é vindima...
domingo, 20 de abril de 2008
Anna Bolena
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E como ultimamente tenho andado a ouvir as Rainhas (a quem nos dirigimos por Vossa Magestade), aqui fica a que perdeu a cabeça. Anna Bolena de Donizetti. Não, não é a scena de la pazzia. É o final do 1º acto.
Ah! segnata è la mia sorte, se mi accusa chi condanna. É o momento em que Anna Bolena acaba de conhecer o seu destino. Sempre gostei de ensembles. E este tem um fulgor...
Esta é a gravação ao vivo, do Scala, com Maria Callas, Giulietta Simionato e Nicola Rossi-Lemeni. Maestro Gianandrea Gavezzeni.
Maria Callas - Ah! segnata è la mia sorte
Ah! segnata è la mia sorte, se mi accusa chi condanna. É o momento em que Anna Bolena acaba de conhecer o seu destino. Sempre gostei de ensembles. E este tem um fulgor...
Esta é a gravação ao vivo, do Scala, com Maria Callas, Giulietta Simionato e Nicola Rossi-Lemeni. Maestro Gianandrea Gavezzeni.
Maria Callas - Ah! segnata è la mia sorte
segunda-feira, 7 de abril de 2008
As primas Grisi
Carlotta e Giulia. A primeira nasceu em 1819, a segunda em 1811. Triunfaram ambas no palco. Carlotta como bailarina, Giulia como cantora lírica.


Carlotta debutou em Londres, ao lado de Jules Perrot (o coreógrafo de A Bela Adormecida) e desde logo alcançou grande sucesso. Foi ela quem estreou Giselle, possivelmente o bailado mais conhecido da História. Foi em 1841, em Paris, no Teatro da Academia Real de Música. Entre 1850 e 1853, foi a prima ballerina dos Teatros Imperiais da Rússia. Morreu na Suiça, em 1899.

Giulia debutou em Bologna, no papel de Emma, na Zelmira de Rossini. Foi ela quem estreou a Norma de Bellini, embora no papel de Adalgisa, ao lado de Giuditta Pasta. Morreu em Berlim, em 1869.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Afinal...
a Italiana já chegou. Viva e de saúde. Acompanhada por um Turco e uma Senhora espanhola que canta umas brasileiradas armadas em barrocas. Mais dourados que bronzeados.
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Victoria de Los Angeles
quarta-feira, 26 de março de 2008
A Italiana...
deve continuar a banhos no Mediterrâneo, ou então foi trocada por camelos.
Em alternativa, e porque não havia mais nada, trouxe para casa uma pretensa virgem romana... Espero que não incendeie a casa!
Em alternativa, e porque não havia mais nada, trouxe para casa uma pretensa virgem romana... Espero que não incendeie a casa!
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