Obviamente que sábado não foi o pior dia da vida da Senhora Ministra da Educação. Aliás, eu diria mesmo que foi um dos melhores dias da sua vida. Porque conseguir chegar viva ao dia seguinte, é caso para estar feliz. E agradecida a Deus – se não acredita, é bom que comece a acreditar. Porque em 120 mil professores, pelo menos um (e olhem que estou a fazer contas bem por baixo) que terá vontade de apertar o pescoço à Senhora.
Não sou professor. Nunca o quis sequer, ser. Mas tive, e tenho professores na família. Tive excelentes professores e maus professores no meu percurso académico. Tenho amigos professores. Do ensino básico ao ensino superior. Mesmo com vocação, nenhum deles tem, neste momento, prazer naquilo que faz. Porque hoje ser professor não é dividir meia pacata com os alunos. É dar tudo a um ministério que não oferece nada em troca. Porque nem serviço público oferece.
Avaliações que são feitas por colegas que nem da área são (conheço professores de Educação Física que são avaliados por professores de Educação Tecnológica e Visual); escolas que recebem ordem expressas de avaliar os professores apenas com Bom, como se, de facto, todos os professores fossem iguais e porque para dar uma nota diferente teriam de chamar uma comissão externa e, ai ai ai, a carga de trabalhos que isso seria!
Mas o que interessa não é os alunos aprenderem. É distribuir computadores, mesmo que as crianças continuem brutas e analfabetas (ou iletradas, que para todos os efeitos, é bem pior). É ficar-se contente porque as melhores notas nos exames de Língua Portuguesa foram de 15.
Acredito que a revolução de há 34 anos se tenha feito exactamente para que não houvesse necessidade de mais manifestações. Este sábado, foram 120 mil. Quantos mais serão precisos?